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maio 2013

Textos

Caixa de Memórias

Você consegue me sentir saindo dos seus braços? Consegue me sentir fugindo das suas mãos e escorrendo por entre os seus dedos? Estou indo para outro lado. Aqui não dá mais pra ficar.

Não venha dizer que eu não tentei. Você não sabe o quanto meu coração sofreu, dia após dia, com seus pequenos pecados. Agora ele cansou.

Desistir quando não vale a pena não é um ato covarde, é sabedoria. É pegar o que ainda resta de amor próprio e seguir a vida.

Em silêncio, te dediquei sonhos, canções, pensamentos. Foram lindos – só para você saber – mas os guardarei para mim, no cantinho dos outros amores gastos.

Talvez um dia, quando a caixa com as memórias de você estiver
empoeirada, eu consiga revê-las sem sentir o frio na barriga. Sem as
pernas tremerem. Sem o coração ficar pequeno.

Quem sabe uma
noite, acompanhada de um bom vinho e de um outro alguém, a necessidade
de ter você nem seja lembrada.

É só questão de tempo…

E, então,
meu bem, vou pegar a sua caixa e ver as memórias voarem pela janela do
apartamento até chegarem ao chão e se espalharem pela quadra.

Com muito esforço, não estarei na rua, minutos depois, tentando reuni-las novamente.

É, eu também quase acreditei que era forte.

Leca

Cereja no Céu – Skydive Foz

Hoje eu fiz uma das coisas mais loucas, emocionantes e sensacionais da minha vida: saltei da paraquedas! Quero agradecer, do fundo do coração, ao pessoal do Skydive Foz pelo convite! Era um dos itens da minha lista de “Fazer antes de morrer”. E eu ainda estou sem palavras para contar como foi.

Aqui em Foz, a empresa Skydive chegou para oferecer este novo atrativo na cidade. Não é apenas um esporte radical. O salto proporciona uma visão incrível de Foz do Iguaçu, Paraguai, Itaipu, Templo Budista e até das Cataratas (claro, só dá pra ver a “fumaça” que sobe das quedas).

Subimos a 3.500m de altura (cerca de 10 mil pés) e o lago de itaipu surgiu imenso. Achei lindo como as margens, com as matas ciliares, pareciam uma pintura. Algo que a gente não repara quando viajamos de avião… Fiquei olhando tudo antes de saltar.

E o salto?

Eu estava empolgada demais para sentir medo. Claro, dá frio na barriga
(e no corpo inteiro quando a porta do avião abre e você é obrigado a por
as pernas para fora), mas é algo bom e forte demais. Como essa foi
minha primeira vez, saltei com instrutor, o Higor.

Assim que saímos do avião, já comecei a gritar (“Woohoooo!”) em queda livre e não parei mais até chegar ao chão. Não consigo descrever a sensação, mas é algo que pode, facilmente, ser viciante. Perdi a noção do tempo e não sabia o que falar. Uma das raras ocasiões que me deixaram, literalmente, sem palavras.

Só pra dar um gostinho de como foi:

[ATUALIZAÇÃO]

 Ficou pronto o vídeo pelo ClickFoz! 

 
 

Skydive Foz

Senti a equipe bem preparada e, mais importante, com muita vontade de realizar esse serviço aqui. Antes de saltar, passam as instruções para os aventureiros de primeira viagem. O valor do salto duplo é R$480,00.

    – Dicas
. Ter, no mínimo, 18 anos.
. Use roupas esportivas e confortáveis. Vá de tênis.
. Peso máximo: 95kg
. Entre preparação e aterrissagem, são umas 3 horas. Programe-se.
. Nada de álcool ou drogas antes de saltar.
. O salto não será realizado caso você tenha doado sangue ou feito mergulho 24h antes do salto.

    – Curso
A empresa oferece curso de AFF (Accelerated Free Fall), modalidade de treinamento mais avançada, com queda livre desde o primeiro salto, acompanhado de dois instrutures. Composto por aulas teóricas e práticas.

    – Contantos:
contato@skydive.com
(45) 3027-5070
www.skydivefoz.com
www.facebook.com/skydivefoz

Você pode adquirir esse passeio através da Loumar Turismo.

Textos

A Carta

Já era tarde noite quando ela tirou o papel e a caneta da gaveta. Delicadamente se esticou para acender o abajur. Uma luz fraca de tom amarelado surgiu num canto do quarto em breu. E, por sorte, ele não acordou.

Por um tempo, ela o fitou. Já conhecia cada detalhe daquele rosto. Sabia onde o cabelo fazia um redemoinho e onde surgia a covinha na bochecha quando ele sorria. Adorava aquela cicatriz na sobrancelha e o contorno daqueles lábios.

Estava frio, mas ele já tinha jogado a coberta longe e estava só com o lençol. Ele se mexeu e virou para a janela. Com isso, ela conseguiu ver a tatuagem nas costas. Era incrível como a mistura daquelas cores sobre aquele tom de pele pareciam uma obra de arte.

Decidiu fechar os olhos e parar de olhá-lo. Já era difícil demais, não precisava piorar as coisas. Sabia o que queria dizer, mas como fazê-lo era o desafio. Apenas deixou as palavras saírem.

“Não quero mais isso pra mim. 

É… Sem rodeios (algo surpreendente quando se trata de mim, não?). Mas é isso: Chega. Está na hora de seguir a minha vida sem interferências suas.

Dói demais, entende?

Aliás, nem adianta perder meu tempo perguntando isso, porque a resposta é, obviamente, ‘não’.

A sua instabilidade me confunde demais e não saber como agir me leva à loucura diariamente. Não saber o que dizer, como dizer, em que hora dizer… Não preciso disso.

Por sinal, querido, preciso confessar que estou pensando em outra pessoa. Com tantos joguinhos seus, não tive como evitar. Mas, de verdade, acho que você nem se importa que eu o faça. Se ao menos eu visse um cintilar de ciúmes nos seus olhos…

Não vou implorar por seu amor. Não tenho culpa se você não quer mais o que eu tenho de melhor para oferecer. Paciência… Eu tentei.

Não vou me estender, acusar, jogar na cara os seus erros e defeitos. Até porque eu sei que tenho grande contribuição no nosso afastamento. Cansei de viver essa mistura de resto de sentimento com muito de conformismo.

Adeus”.

Ao terminar, deu um suspiro aliviado e conclusivo. Olhou para ele novamente sob a luz amarelada. Dobrou o papel, levanto-se da cama e colocou a carta na gaveta da escrivaninha, junto com todas as outras que jamais foram enviadas.

Textos

O dia em que não pensei em você…

Senti que havia algo diferente assim que acordei. Não sei por que, mas minha reação (num desespero ainda sonâmbulo) foi verificar se todos os membros continuavam presos ao corpo. Decidi que era coisa da minha cabeça e levantei da cama.

Parecia que aquele andar não era meu. Tinha algo muito diferente naqueles poucos minutos de dia e eu não sabia dizer o que era.

Tomei banho sem cantar embaixo do chuveiro. Não deu vontade… Me arrumei sem pensar muito nos detalhes. Saí de casa para o trabalho sem esquecer nada. E aquela sensação me seguia.

As horas já estavam avançadas na tarde e eu não tinha derramado nem uma gota da café na mesa. Também não me incomodei com o silêncio nas caixas de som do computador…

Fim de expediente, hora de ir pra casa. Sentei no sofá em frente à TV, procurando algo para assistir. Passei por todos os canais três vezes. Nada. Absolutamente.

Algo faltava e não importava o que eu fizesse, coisa alguma sabia substituir esse misterioso item ausente.

Chega!”, pensei. Andei pela casa para pensar o que poderia ser aquilo. Por que a cabeça está tão estranha e impecavelmente no lugar? Por que estava tão perfeitamente no eixo quando o normal é uma pessoa distraída? E, então, a resposta: eu não tinha pensado em você.

Para quem dedicaria a canção no chuveiro? Quem seria o protagonista do meu pensamento para me fazer esquecer os óculos em cima da mesa? Quem é que me deixa sem reação e faz eu esbarrar as mãos na xícara de café? Só aí percebi o quão presente você é no meu dia, ainda que não te veja.

O dia em que não pensei em você me fez perceber como é sem graça não ter alguém que faça dos pensamentos, reféns.

No dia em que não pensei em você, apenas existi.

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