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setembro 2013

Textos

Síndrome de Estocolmo

Ela nunca foi paciente. Estava sempre com pressa, querendo sempre “agora” e ““. Não entendia porque os malditos ponteiros demoravam tanto para completar os 360° do relógio. O “depois” não fazia sentido e o “mais tarde” a irritava profundamente. Paciência é virtude – para os outros. Para ela, impensável.

Até que não teve jeito…

A Espera a encurralou. Não tinha como fugir da danada. Ela foi obrigada a aguardar. Foi vítima dos Segundos, roubada pelos Minutos e sequestrada pela Horas. Depois de tanto tempo fugindo, foi amordaçada pelo Tempo, enfim.

Enquanto mantida em cativeiro, conheceu o Tédio e o Ócio. Apesar de meio chatos, tinham lá seus bons momentos e qualidades. Conversava com o Ninguém e descobriu que o Silêncio pode ser uma companhia agradável. E, no canto úmido da cela, encontrou a Paciência, que a ensinou muito e a fez ter uma outra perspectiva sobre o Tempo. Aí, não demorou muito para gostar dele. Foi então que percebeu que estava sofrendo da Síndrome de Estocolmo.

Queria mais dele. Queria suborná-lo. Tentou convencê-lo a dar-lhe mais das Horas. Insistiu que
os Minutos voavam. Teimou que os Segundos vinham em quantidade insuficiente. Tentou negociar com seu carcereiro. 
– Eu preciso de você em maior quantidade.
– Ora, ora… Onde está aquela pressa toda?
– Eu sinto muito… Eu aprendi a lição. Descobri que gosto de você, Tempo…
– Ah, e o que a fez mudar de ideia?
– As circunstâncias.
– Elas fazem bem o trabalho delas, admito. Mas, acho que você não merece mais das minhas Horas.
– Por favor! Não precisa ser sempre… Só de vez em quando. No restante, você pode seguir o seu ritmo normal.
– Hum… E pra quando seriam essas horas extras?
– Quando eu estiver naquele abraço, Tempo. Diminua. Seja lento. Vire a Eternidade quando eu estiver lá.


Mas o Tempo é duro e não cedeu… Depois de libertá-la, a viu correr para o abraço citado. E por travessura, acelerou, só para vê-la adiantar a despedida.

Textos

Consulta

– Doutor, não sei o que está acontecendo comigo.
– O que você sente?
– Nada.
– Ué, como assim?
– É, doutor… Nada. Nadinha. Absolutamente…
– Mas… Em que sentido?
– Em todos! Não sinto o vento bater no rosto, a comida não tem mais gosto, a vida está tão monótona. Tem exame para descobrir o que pode ser isso?
– Hum… Há quanto tempo você se sente assim?
– Tem mais ou menos um mês.
– E o que aconteceu nesse tempo?
– Ah… Sei lá. Tantas coisas. 
– Mas deve ter algo marcante, não?
– Marcante? Ah… É, tem sim… Conheci alguém.
– Sei… E, quando você está com esse alguém, você continua sentindo nada?
– Não, doutor. Quando estamos juntos, eu sinto a vida em essência correndo pelas veias. Sinto a felicidade mais pura em cada sorriso. Sinto o maior dos confortos em cada abraço. Parece que tudo fica à décima potência. Tudo atinge o auge quando andamos de mãos dadas… Mas, então, quando nos separamos, nada. De uma hora pra outra.
– Entendi… Pois, eu sei qual é o seu problema, então.
– Sabe, doutor? E é grave? Tem cura?
– É grave, sim. Alguns casos são irreversíveis. Já vi gente dizer que estava morrendo por causa disso. E, caso não seja tratado… Aliás, caso seja tratado de forma errada, pode causar uma das piores dores que o ser humano é capaz de sentir. 
– Ai, meu Deus, doutor… 
– Não, não se preocupe. Pelo que você acabou de me contar, o seu caso não é maléfico.
– Ih… É um tumor? Diz que não, doutor…
– Não, não. Não é tumor. É algo que você pode, inclusive, tirar bom proveito.
– Ué… Mas, que doença é essa, que se pode aproveitar? O que é isso, afinal?

– Menina, não é doença. Você está sofrendo de paixão. 
Textos

Café Preto

Eu nem tinha acordado direito e já estava com a caneca de café na mão. O cabelo ainda não tinha sido penteado. O rosto ainda estava com a marca dos travesseiros. Isso tudo poderia ficar para depois. Eu precisava, antes de mais nada, de uma boa xícara de café.

Mas tive que parar o movimento antes de tomar o primeiro gole. Vi os marshmallows semi-derretidos flutuando na bebida quente… Uma mania sua que ficou em mim sem eu me dar conta. Há quanto tempo eu continuava fazendo isso? Há quantas semanas eu venho no modo automático?

Olhei ao redor e o resto do apartamento ainda mostrava você, mesmo na sua ausência. O sofá, que você tanto insistiu para ficar de frente para a janela, continuava lá. A cama vestia o jogo de lençóis que você escolheu. E minhas roupas continuavam ocupando só o lado esquerdo e as duas gavetas de baixo.

Céus… Por que ainda te mantenho aqui? Por que me aprisiono nos seus vestígios? Por que não sinto a vontade de bagunçar tudo que você arrumou tão milimetricamente? Hoje cheguei a conclusão de que é hora de retomar a minha própria vida. Hoje eu despertei de um coma induzido.

Sabe o que é engraçado? Sempre achei os marshmallows no café uma coisa bizarra e nojenta. Até comentei isso com você, mas você falou que eu deveria experimentar e deixar para decidir depois. Ok, não era tão ruim… Mas isso representa resquícios seus no meu dia-a-dia. E já passou da hora de eu me ver livre disso.

Joguei o café pela pia e peguei um novo. Preto. Sem açúcar. Sem você. E desceu pela garganta como se fosse água.

 

Cereja no Mundo

Cereja no Rock in Rio: Como foi

Voltei! Gente, que final de semana sem igual! Rock in Rio é totalmente incrível! Não quero mais perder uma edição sequer (e parem com esse mimimi chato de que “no RiR não toca rock’… Muda a pauta, galera).

Como vocês já devem ter imaginado, é um evento muito diferente do que vemos na televisão. Multiplique o que a telinha mostra por mil, e aí dá pra começar a ter uma ideia do que realmente é esse festival.

Não tivemos nenhum tipo de problema. Nem para ir até a Cidade do Rock (contratamos transfer pela empresa Rio 40 Graus) nem no local, com entrada ou segurança. Tudo muito bem montado e estruturado. Mas, vamos aos shows e a minha singela opinião e relato.



Phillip Phillips

Acompanhei o Phillip no American Idol. Até postei aqui quando ele ganhou, então, minha empolgação com ele foi grande. Era algo do tipo: “Eu vi esse menino surgir como músico”, sei lá. Uma espécie de orgulho bobo.

O Phillip é bom. Muito bom. E a banda quebra tudo. Gostei de ver o público cantando junto, meninas com cartazes. Mas, o menino não tem dois anos de carreira e isso faz um pouco de falta, porque ele interagiu pouco com a plateia (que não era pequena). Tudo bem, ele sempre foi quietão e mantendo o foco no item ‘fazer música’ (o qual ele faz muitíssimo bem e evoluiu consideravelmente desde o Idol).

Acho que não deu uma hora de show. Mas, manteve a galera com o ânimo lá em cima. O auge foi quando tocou seus dois sucessos Gone, Gone, Gone e, Home, no encerramento. Adorei!

John Mayer

Ah, John, John… Preciso dizer que, mesmo que o show tenha sido bom, eu esperava mais. Comparado a outras apresentações dele, achei essa meio “morna”, sei lá. Repito: Estava bom, mas acredito que ele tem potencial para oferecer mais. 
Em todo caso, Daughters, Wildfire e Stop This Train foram as minhas favoritas. Achei engraçado como a mulherada chorou desesperadamente nesse show.

Bruce Springsteen

The Boss! 


Bruce mostrou que merece e reforça o título. Mostrou que a experiência faz a diferença. Mostrou que manja dos paranauê  o que é domínio de palco! Mostrou que é gente da galera (ele foi cantar no público umas sei-lá-quantas vezes!)! Mostrou que 63 anos não são nada. Bruce Springsteen foi inesquecível por vários motivos!
Um deles: Eu estava na grade! Quando vimos, estávamos lá e ali ficamos. Tá, não era no centro, mas ainda assim, grade é grade. E como ele andava pra lá e pra cá, foi sensacional. E eu consegui essa foto:
Depois disso, o celular morreu e perdi de tirar uma foto dele ainda mais perto, porque ele passou na nossa frente e eu quase (quaaaaaase) consegui encostar nele. Mas não tinha mais que um metro de distância. Não sei se apareci na TV, mas se apareci, foi como uma das loucas desesperadas e suadas gritando para tentar fazer o cantor olhar pra mim. E com orgulho, tá?!
O show que valeu a noite já na primeira música (Sociedade Alternativa, do Raul Seixas). Outra coisa que achei legal foi que ele falou em português. Não dá pra explicar mais… Não tem como! Vejam o vídeo… (Ah! Nessa música, quando ele vai lá para o canto esquerdo do palco, é que eu tirei a foto).

Rock in Rio 2015, te espero!
Cereja no Mundo, Entretenimento

Cerejeira no Rock in Rio

Dia de avisar que estou de partida, minha gente. Tô indo viajar e só segunda-feira para falar com vocês de novo.

A Cerejeira vai para o Rock in Rio. Meu primeiro festival de música… Tô na pilha! Vou tentar tirar o máximo de fotos possíveis (com o celular, já que não poderei usar minha câmera… Só se tivesse credencial) e venho contar como foi ver Skank + Phillip Phillips + John Mayer + Bruce Springsteen.

Até a volta!

Textos

Solista

Você não nasceu para ser sozinha, menina. Mas os seus medos te atrapalham demais… E isso não lhe é segredo. Você bem que tentou seguir carreira solo, eu sei. Eu vi. Presenciei suas tentativas frustradas de ser você só. E, em seguida, te via chorar por não ter obtido êxito. Por ter sofrido o efeito contrário…

Mas, tenta ficar em paz. Eu conheço bem suas aflições e o que posso lhe dizer é: Tenta se desapegar dessa necessidade de saber. Algumas respostas irão faltar sempre. Não há formas de prever o futuro. Mas é possível construí-lo.

Ah, menina, vai lá! Deixa as suas fobias nas coxias do palco da sua vida e dança sem elas. É a sua música que está tocando. Vai perder? Vai deixar passar? Tem gente esperando para te ver. Umas, para aplaudir. Outras, para te ver falhar. Mas não lhes dê o frasco da sua covardia. Tenta. E, se não conseguir concluir aquele passo tão difícil, os aplausos virão por você ter feito o seu melhor.

Ei, me escuta com atenção: Você não precisa dos seus medos como companhia. Por mais cômodo que seja tê-los por perto, eles te atrasam. Há sentimentos melhores para te acompanhar.

Você não nasceu para ser assim, triste. Pega o seu sorriso de volta e vai ganhar o mundo. Você pode. Você deve. Vive na companhia da sua alegria de novo. E assim, sorrindo, chegará quem vai ver nos seus lábios uma razão para ficar. Sorri apesar de tudo, menina. Sorri mesmo na solidão, que logo há de ir embora.

Textos

Venha, Por Favor

*Texto de Fabrício Carpinejar

Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse.
Espero alguém que não me torture com promessas de envelhecer comigo, que realmente envelheça comigo.
Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos meus amigos e mais irmão dos meus irmãos.

Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença.
Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim.
Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer.
Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana.
Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar.

Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos.
Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens.
Espero alguém disposto a conferir se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso.
Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros.

Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade.
Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine.
Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume.
Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto.
Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia.

Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito.
Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi.
Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail.
Espero alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e adolescência fora de mim.
Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar.

Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente.
Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçado.
Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse.
Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e crie conspiração dos amigos para me ajudar.
Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito.

Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza.
Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.
Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas vem me ensinando a me destruir.
Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide.
Espero encontrar uma mulher que me torne novamente necessário.

Textos

Você & Eu

Você diz que nossas páginas são novela mexicana.
Eu digo que são semelhantes aos livros do Nicholas Sparks.

Eu te chamo de “Carlos Daniel”
Você, de Lex Luthor.

Você fala que nosso começo é louco.
Eu digo que é “não convencional”.

Eu queria deixar no 3mm.
Você disse para passar no zero.

Você pediu para não tocar música triste.
Eu sugeri AC/DC.

É, estamos fora do padrão.
Você e eu somos os personagens principais,
os protagonistas desse roteiro incomum.
Mas, por mais maluca que seja essa história,
ela é nossa.

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