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novembro 2013

Textos

Aniversário do Cereja!

Quatro anos de Cereja no Ombro! ♥

Foram quatro anos nesse espacinho que me faz um bem danado. É meu cantinho especial, onde posso jogar uns pensamentos e, por sorte, há vocês para me aguentarem.

O Cereja já andou por tudo. Já falou de filmes, tecnologia, política, maquiagem, música. Já teve títulos longos e monossilábicos. Já tentei mostrar um pouco mais de mim através de tutoriais em vídeo e pelos posts “Instagram da Cerejeira“.

Foram quatro anos buscando e formando uma identidade. E, nesta manhã, revendo os primeiros posts, vejo que hoje, voltei à essência do blog: A escrita.

E foi nos textos, que surgiram ao acaso – como todo o Blog em si – que me senti aproximar de vocês e crescer. Como presente de aniversário, a Cerejeira ganhou (graças à vocês!) uma das vagas de colaboradora do site Entre Todas as Coisas.

Um super obrigada a todos! Feliz quatro anos pra gente, cerejeiros.

Textos

De você

De você, quero o último boa noite e o primeiro bom dia.
Quero os lábios, os braços, as pernas, o corpo inteiro.
Quero os invernos, os outonos, os verões e as primaveras.
De você, quero os cafunés durante o filme.
Quero as melhores risadas e os melhores beijos.
As mais sinceras conversas. As mais difíceis.
De você, quero o cuidado completo.
Quero competições de videogame e vinho.
Quero disputas para contar primeiro como tudo começou.
De você, quero o coração, a alma e a dedicação.
Quero os comentários sarcásticos durante os seriados.
Quero os versos de Vinícius de Moraes.
De você, quero você.
Quero a entrega diária. 
Quero a orientação para quem andava perdida.
De você, eu quero o tempo e os detalhes.
Quero o abraço silencioso depois de um dia difícil.
Quero os sonhos acordados.
E, se não for pedir muito,
De você, eu quero o todo.

Textos

Incêndio

Eu nunca quis me apaixonar por você. Porque sabia que seria complicado. Porque sabia que eu iria terminar assim: desistindo. 
Deus sabe como eu tentei evitar. Te negar. Mas o “não” ficava na garganta e me rendia aos seus prazeres. Aos nossos beijos. Às minhas fraquezas.

Será que você sabe o quanto esse tipo de sentimento faz a gente viver em contradição? Eu me odiava por amar você. Mas aquilo me consumia como fogo e eu queimava meio às suas chamas. Fui morrendo aos poucos e você ardia e aumentava conforme sugava o meu oxigênio. Você é incêndio mesmo. Silencioso e destruidor. Belo e perigoso. E eu sou mais uma de suas vítimas, que inalou sua fumaça tóxica…

Foram tantas perguntas não feitas… E me faltaram tantas respostas suas, nos seus gestos, nos seus olhos. Onde estava a sua reação quando me via encolher?

Pra mim, chega. Não aguento mais essa condição de ser cada vez menor. Eu amo você, mas não posso nem quero mais te amar. Por isso, eu vou. Que Deus me dê forças, porque eu falo sério.

Poderia ter sido diferente. Eu estava aqui pra você, meu amor. Você não percebeu a minha presença e a disponibilidade do meu coração para ser só seu. Eu teria ido com você para o mundo, mas eu desisto de tentar chegar até você.

Você continua calado. Será que me vê tão insignificante que é só o seu silêncio que me sobra?

Sair dessa casa nunca foi tão difícil, mas saiba que, ao fechar aquela porta, será pra sempre.

Diz alguma coisa! Reage! Pede pra eu ficar. Grita que precisa de mim. Me segura e não me deixa ir adiante com essa ideia de te deixar pra trás. Você continua imóvel. Frio, como sempre e mais distante do que nunca.
Diz alguma coisa. Um adeus, pelo menos… Só para eu guardar o timbre da sua voz, nem que isso me rasgue o coração novamente.

Textos

Pontos Gramaticais

Não quero vírgulas. 
Vírgulas são pausas.
Esperas.
Elas dão esperança à continuidade.
A um “mas” ou a um “porém”.
Às entrelinhas.
Vírgulas dão margem a explicações que não quero ouvir.
Às desculpas esfarrapadas.
Vírgulas marcam elipses de verbos.
E já cansei de suas omissões.
Vírgula é um luxo gramatical que não nos cabe.
Que eu dispenso.
O que eu realmente quero
anseio
e determino
é um ponto final.

Textos

Eu que não amo você

Faz frio aqui. O vento gelado entra pela porta que você nunca fechou. Ela continua escancarada, iluminada pela luz da varanda, para o caso de você voltar. Mas conheço o seu orgulho – e você o meu. Eu não saio. Você não entra.

Não admito desfazer algo que você deveria consertar. E você jamais assumiria que esqueceu, sem querer, a porta assim. Vai dizer que foi de propósito, para me ver soltar ar gélido pelas narinas.

É a luta dos egos feridos. A batalha épica do indivíduo por sobrevivência. O conflito final das vanglórias estraçalhadas.

Me pergunto como é que fomos acabar juntos…

De cada faísca, fazíamos uma explosão. De cada gota, uma
tempestade. E nunca o braço a torcer. Nunca. Isso seria demonstrar
fraqueza ao outro e isso, meu bem, você não poderia ver em mim. Éramos
grandes demais e um queria ser sempre maior que o outro. Tudo virava
competição. Se eu fumava um cigarro, você tragava dois e eu já dava um
jeito de acender o meu terceiro.

Não éramos parceiros. Éramos concorrentes um do outro. Dois titãs na briga por… Pelo que, afinal? Ninguém recebeu troféu ou coroas de louros. Não tem nenhuma estátua em minha homenagem pela cidade. E eu sequer vi rua com seu nome. Ambos perdemos uma guerra fictícia na disputa de coisa alguma.

Éramos intensos, explosivos e geniosos. Parecidos demais nas características negativas para que déssemos certo. E não vamos mudar, eu sei.

Também sei que você está aí fora, à espreita, esperando que eu saia. Mas não vou. Não posso. Não consigo, por mais que eu quisesse. Você me machucou demais ao me confrontar inúmeras vezes.

Se você voltasse, seria aos berros, com a mão fechada em soco, só para gritar: “Eu não te amo mais!“. Em resposta, diria: “Eu que não amo você!“. E viraríamos as costas um para o outro, desejando, em silêncio, que fosse diferente e sabendo que nenhum de nós dizia a verdade.

Textos

Outro

Sou de outro. 
Pertenço à um alguém diferente. 
Beijo novos lábios.
Encaixo em outro abraço.
Seguro outras mãos.
Repouso em outro colo.
Choro em outros ombros.
Me alegro com outros risos.
Suo com outro corpo.
Suspiro por outra imagem.
Bagunço outros cabelos.
Canto para outros ouvidos.
Assisto meu filme favorito em nova companhia.
Sou dele.
E ele é meu.
Acordei.
Olhei para o lado e te vi na cama.
Suspirei aliviada
Porque ainda era você.

Textos

Pra você me entender…

Aos poucos vou te entregando as minhas verdades. O meu lado não tão bonito. A minha face oculta. Aquela parte que lutamos com todas as forças para esconder e deixar cair no esquecimento – se é que isso é possível. Vou te confessando os meus pecados como se você fosse o responsável por me dar o perdão de que preciso.

Pode não ser confortável ouvir todos os meus erros – alguns irreparáveis – mas acredito ser o mais justo. Você tem que me entender. Saber dos meus traumas. Conhecer a origem dos meus demônios para, então, decidir se quer mesmo ficar.

Não vai ser fácil, já aviso. Mas quando é? Quem não tem assombração que atire a primeira pedra. Quem não tem medo de cometer os mesmos erros, que me ensine como faz. Me passe a fórmula, porque eu sempre fico apavorada.

Esse é o meu íntimo. O verdadeiro. Bruto e cru. Sem moralismos, sem as máscaras da boa convivência. Despido do pudor e da repressão da sociedade. Esta sou eu, vulnerável, com as costas abertas às suas chicotadas.

Não deveria ser assim. Me abri por completo para sofrer represálias? Fui justa com você, mas onde está a retribuição? No silêncio que precede a sentença? No olhar de pena que me fita? Não preciso da sua misericórdia, apenas do seu total entendimento de mim.

Enquanto estou na defensiva, sua reação: Para a minha surpresa, não foi comentário, discurso, castigo ou negação. Você me acolheu dentro de um abraço que me serviu de abrigo. Virou meu escudo. Tornou-se meu mundo.

Textos

O Outro Lado

Ele

Quando você saiu por aquela porta, levou meu mundo com você. Fiquei esperando você mudar de ideia e voltar com aquela sua cara de arrependida, mas isso não aconteceu. Fiquei olhando, em vão, para aquela maçaneta. Ela não mexia, nem eu. Estava estarrecido, sem chão, sem rumo, sem foco. Não consegui chorar ou ter alguma reação. Só parei. No tempo, no espaço, no quarto. Não consegui me mexer para sair correndo atrás de você, te trazer de volta para o meu lado, onde é o seu lugar. Fiquei imaginando você atravessar a rua, chorando – eu sempre te achei tão linda quando chora. Parece que seus olhos ficam mais verdes. Eu sei que você odeia quando eu falo isso, mas faz alguma diferença agora? Você não está mais aqui. E será que um dia volta? Volta. Diz que sim. Porque eu não sei nem por onde começar uma vida sem você. Ainda tem o seu cheiro de castanhas pós-banho. Volta antes que ele se dissipe. Antes que eu esqueça dele, porque eu não quero que isso aconteça. Volta… Antes que eu siga adiante.

Ela

Quando eu saí por aquela porta, deixei meu mundo com você. Pensei em mudar de ideia e retornar correndo e ser recebido com seu sorriso bobo, mas decidi esperar para ver se você vinha. Fiquei alguns segundos no corredor esperando a maçaneta se mexer, mas foi em vão. Chorei de dor e já de saudade. Saí sem rumo. Quando cheguei no ponto de ônibus, um estranho disse que meus olhos estavam vermelhos. Lembrei que, nessas situações, você me dizia que eles ficavam mais verdes. Eu adorava quando você falava isso porque me arrancava um riso, ainda que relutante, e a gente já se abraçava em seguida. Olhei para trás, para dar mais uma conferida e ver se você vinha, mas nem sinal de você. Vem. Diz que vem. Porque eu não sei por onde começar uma vida sem você. Ainda tenho o seu perfume Ralph Lauren no meu casaco. Vem antes que ele desgarre de mim. Antes que eu esqueça dele. Vem… Antes que eu siga adiante.

Textos

Inspira. Expira.

Respira.
Fecha os olhos e respira.
Joga a cabeça pra trás e deixa os problemas caírem.
Descarrega os seus ombros.
Tira o excesso de peso.
Inspira.

Relaxa.
Deixa o ar percorrer os pulmões.
Sente o oxigênio inflar o corpo e invadir as células.
Diminui a tensão que leva consigo.
Foge um pouco de tudo.
Expira.

Nem tudo está ao alcance das mãos.
Aliás, a minoria das coisas está.
Faz o que pode.
Vai até onde pode chegar.
O que ultrapassa os seus limites há de se resolver sozinho.

Mas não desista.
Antes, tenta.
Se esforce.
Se não der, peça ajuda.
Divida.
Grita.
Chora.
Reage.
Inspira.
Expira.

Joga a cabeça pra trás.
Escora em algum ombro
e desafoga.
Vai dar tudo certo.
Acredita.
Continua.
E respira.

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