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maio 2014

Cultura, Foz

#WeAreFoz – Hey, @Pharrell, we’re Happy too!

Foz do Iguaçu também entrou na lista de cidades com versão de “Happy”, do Pharrell Williams. Nós, do Clickfoz, abraçamos a ideia e começamos a produção.

Quando lançamos a proposta no Facebook, jamais imaginamos que tanta gente fosse querer participar – e com tanto gosto! Foram mais de 50 dançarinos sendo “Felizes” por Foz do Iguaçu: Cataratas, Itaipu, Zeppelin Old Bar, Parque das Aves, Templo Budista, Mesquita…

Ao todo, foram 34 locais e 96 horas de produção. E reduzir isso tudo a 4 minutos não foi tarefa fácil.

Cansativo? Sim. Valeu a pena? Com certeza! 

Ontem, 22, fizemos o lançamento oficial do vídeo, no Hotel Bella Italia. Até então, nenhum dos (ansiosos) participantes, tinha visto. E, para a nossa alegria, foi sucesso.

Curioso para conhecer quem foram os malucos que saíram dançando pela cidade? Então, dá o play e confira!

#WeAreFoz

P.S: Sim, eu dancei. 
P.P.S: Não, eu não sei dançar.


www.clickfoz.com/wearefoz


Ficha técnica:
Realização: Clickfoz
Direção: Garon Piceli
Imagens: Rafael Guimarães
Produção: Lauane de Melo e Letícia Lichacovski
Apoio e colaboração: Neve Gois, Priscila Mantovani e Romildo Marques
Edição: Vision Art

Textos

Amanhã

A saudade já insistiu em chegar… Antes da hora, apressada. Já veio pisar no meu peito e fazer doer o coração. Tô treinando aquele exercício de deixar o amanhã pra lá e me focar no agora. Então, hoje, vou tentar não sentir sua falta. Só hoje.

Ao invés disso, vou deixar que me pegue pela mão e me leve para explorar o seu mundo. Me mostra seus oásis, seus rochedos. Me embala naquele balanço na árvore e me guie pela trilha que você fazia para chegar até seu esconderijo.
Hoje, eu preciso que você me faça esquecer das horas. Que você jure, de pé junto, que os segundos vão se alongar. Que o dia vai demorar a nosso favor. Que todo o universo rege um ritmo de valsa pra gente seguir os passos lentos de uma dança só nossa, cujas únicas apreciadoras são as estrelas.
Hoje, eu quero o impossível. Desafiar a gravidade, me desprender do chão e voar. Visitar terras longínquas e cogitar a ideia de nunca mais voltar porque, aqui, o amanhã vem. Cedo ou tarde, ele chega para interromper o nosso dia, que mais parece um sonho. Acordar seria cruel…
Mas, se tenho que despertar, que seja com o seu toque suave. Que você faça a realidade chegar aos poucos à minha concepção. Que a fantasia se dissipe devagar feito neblina num dia ensolarado. Sussurra no meu ouvido que já é hora e que vai ficar tudo bem.
Hoje, eu vou conseguir, mas amanhã… Ah, amanhã eu penso nisso. 
Textos

Infinito

Dias atrás assisti o final do filme “My Girl”, estrelado por um inocente Macaulay Culkin (Thomas J. Sennett) e pela lindinha Anna Chlumsky (Vada Sultenfuss). A versão brasileira para esse título foi “Meu Primeiro Amor”. Acho que todos já assistiram o longa de 1991 em alguma Sessão da Tarde…

Mas o meu foco vai para o segundo filme, de 1994, dessa vez com Chlumsky acompanhada por Austin O’Brien ( interpretando Nick Zsigmond). O título original ficou “My Girl 2“. No Brasil, a lógica para o nome do drama foi a mesma que o americano: “Meu Primeiro Amor 2”.

Pode parecer estranho – e foi, tanto é que virou piada. “Se é o primeiro, como pode ser o dois?“. E é aí que começa, de fato, este texto.

Eu já tive um primeiro amor. E outro. E mais um depois. Acho que vivo hoje o quarto ou quinto primeiro amor. Porque nenhum é igual ao outro. Todo amor será o primeiro e único de sua linhagem. É como um por do sol, como bem exemplifica Elisa Lucinda no poema “Euteamo e suas estreias“:


“O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom:  Que dia lindo!
E é!  Porque só aquele dia lindo 
é lindo como aquele”

Todos os amores são inéditos. Ainda bem… Quem aguentaria a repetição? O amor-regrado, amor-tutorial? Esse sentimento se refaz em nós e nos outros. E a junção de suas metades será sempre novidade. O que uma ora faltava, agora, foi suprido. E o que hoje sobra, eventualmente, será na medida certa. Nunca será perfeito, mas vai ser bom suficiente para não notar os desencaixes. 

Mas, na verdade, na verdade mesmo, quem liga para números? O importante é que o amor está ali, aqui, em nós… Eu gosto é das reticências, do tempo incerto e incontável. Não me importa qual primeiro amor seja, desde que “seja infinito enquanto dure”. 
Textos

As Voltas do Mundo

Encontrei uma amiga sua esses dias e paramos para conversar. Confesso que, no meio da prosa, deu vontade de perguntar por você. Mas eu juro que não havia nenhum tipo de intenção de reatamento na minha curiosidade a não ser, realmente, saber como você está.

Não entendo essa mania que gente tem de, quando algo bom acaba, terminar todo o resto. É injusto. Não é porque não estamos mais juntos que eu deixei de me preocupar com você. Podemos não ter dado certo como casal, mas éramos bons em ser amigos, lembra?

Sabe o que eu queria? Topar com você em um corredor de supermercado e arrastar o bate-papo para uma mesa bar. Dar risadas, tomar cerveja, saber as novidades, como está o novo emprego e até seus novos amores. Ia dizer: “Cara, quando você entrega flores uma vez é legal, mas duas vezes na semana é demais“. Ou ainda: “Ah, prepare aquele salmão ao molho de maracujá. É muito bom! Ela vai gostar“.

E se, por alguma conspiração do universo, tocar a nossa música, vamos, sim, lembrar que foi ela que embalou tantos beijos e abraços. Mas sem a saudade sofrida. “Foi legal, né?“. E como foi. Ela virou só mais uma canção especial. Assim como nós dois na vida um do outro.

Deu certo, tá? No tempo em que durou. Não era pra ser o amor eterno, mas foi amor. E acho uma verdadeira pena que agora sejamos estranhos um para o outro. Para mim, é uma lástima ter que te cumprimentar correndo, sem saber se abraço ou não. Sem saber se devo cumprimentar com um beijo cordial ou não.

Vamos fazer o seguinte: Na próxima vez que nos cruzarmos, vou pagar a primeira rodada sem querer nada em troca a não ser conversar, como nos velhos tempos, antes do amor entrar no caminho. Antes de eu ser sua dor e você a minha. Ou então, a gente bebe até esquecer isso. E saímos do bar abraçados, andando sem rumo e traçando os pés pela rua, rindo da gente mesmo e brindando as voltas do mundo.

ETC

Lá vamos nós

*Texto publicado originalmente no Entre Todas as Coisas

Tá vendo a minha mão aqui, aberta? É um convite para você segurá-la e me levar junto com você. Para onde e para o que for. Já treinei minhas emoções e elas estão mais fortes agora. Se eu precisar, serei sua rocha. Se você quiser, serei seu abrigo e seu conforto. E nem precisa pedir. Me transformo no que for porque já conheço os seus olhos.

Respira fundo agora. Sente o coração desacelerar conforme sua inspiração e repara que a dose de adrenalina começa a amansar nas veias. O frio tá na minha barriga também, mas é só mais um salto pra gente chegar do outro lado e deixar isso tudo pra trás. A gente consegue, eu sei.

Falta pouco, amor. Pouquinho. E eu sei que é sempre no final que vem a pior parte. Aprendi isso nos videogames muito antes de passar por essas fases na vida real. Mas, sabe o que eu aprendi? Quando a gente ganha, dizemos: Não foi tão difícil quanto eu imaginei.

Segura firme a minha mão, amor, e não solta. Por mim e por você. Lá vamos nós. Pode ficar com medo, eu também fico… mas vamos em frente mesmo assim. Combinado? Eu vou se você for. Não tenho super poderes. Mas, somando os meus aos seus, fica melhor do que muita gente tem por aí. E a gente se engrandece perante os demônios espalhados nesse mundo querendo botar a gente pra correr.

Vamos virar esse jogo. Olhar pra trás e brindar com aquele seu Malbec favorito. Fazer “Tim tim” e beber ao ver as sombras de ontem dando espaço a uma nova luz, que pareceu levar uma eternidade para chegar.

Textos

Meus dias mais bonitos

A verdade é que eu esqueci que você tinha que ir… Deixei a cabeça e o coração irem além do tempo e agora ficou mais difícil de aceitar que chegou a hora de você partir. Me acostumei com você e o desapego é doloroso.

Eu sei que você precisa, mas eu queria que você desejasse não ir. Não quero dizer as palavras de despedida. Não quero um “até breve“, mas um “oi, abre a porta. Já tô aqui na frente“. Não quero dormir sozinha nas tardes de domingo, mas com o seu pé gelado encostando na minha perna e sua mão na minha cintura.

Mas, já que sua partida é certa, diz que vai levar uma blusa minha com meu perfume, pra não esquecer o meu cheiro. Fala que pegou uma foto minha e vai deixar bem à vista, pra eu não virar um rosto estranho. Manda uma mensagem dizendo que o seu peito já tá explodindo de saudade de mim, do meu riso, das besteiras que eu falo o tempo todo, do meu jeito estabanado.

Ei, você já vai? Então, me dá mais um abraço inesquecível, um afago na bochecha e um beijo na testa. Faz as malas e brinca que eu não coube nela. Diz que você volta… Que vai ser mais rápido do que a gente imagina. Diz que volta e volta logo, porque meus dias mais bonitos estão indo com você.

Textos

Vai passar

Se fosse possível criar uma máquina do tempo, eu queria entregar uma carta – esta que escreverei abaixo. Sim, uma carta de amor. Para alguém de dez anos atrás… Não, não é o menino bonito que estudava na sala ao lado ou para algum namoradinho da época. A carta é para mim.

Então…

Oi, Eu de 2004. Como estão as coisas?

Pergunto por educação, porque eu sei como estão.

E vim te falar uma coisa importante: Vai passar. Tudo isso que você considera ser trágico, não é. Corações saram. O seu não é diferente. Você consegue viver sem algumas pessoas. Pode não ser fácil no começo, mas é questão de tempo até dar certo. Portanto, não se preocupe com esses sentimentos que você acredita ser amor. Eles são apenas um ensaio do real sentimento (que, lamento informar, vai levar mais uns três anos para chegar).

Você vai mudar. Não adianta ler esse aviso e dizer que não, que vai evitar. Não vai. E é melhor que não o faça, porque você se torna uma pessoa melhor. Os abraços que você recusava? Vai passar a doá-los, a oferecer sem ninguém pedir. E vai abraçar forte. O punk rock vai diminuir nos seus dias e dar espaço ao rock clássico, à MPB, ao rock nacional, ao pop. Sim, pop. O seu medo de agulhas diminuiu… Já até consegue doar sangue.

Você continua não gostando da cor rosa e ainda não sabe paquerar muito bem. Freddie Mercury continua sendo o melhor cantor que já existiu (na nossa opinião). Você aprendeu a tomar cerveja e vinho, sabe tocar violão, fala quatro idiomas (eu sei que você mal começou o último livro do curso de inglês, mas é isso mesmo), aprendeu a ser paciente, a conversar melhor com o pai e a mãe, a dirigir (mas sentiu medo no começo), a gostar e a fazer maquiagem. Aprendeu, enfim, a ser um pouco mais feminina sem ser dondoca.

Você aprendeu a se achar bonita em alguns dias (ainda estou trabalhando nisso). E estamos aprendendo a ser mais confiantes… Ah, você aprendeu a não ser tão perfeccionista com você mesma. Aprendeu a ouvir melhor as críticas (mas elas não deixam de doer ou incomodar). Você aprendeu a ser paciente. Aliás, essa é a lição de agora (2014): Paciência. Você aprendeu a cuidar de um jeito que você jamais pensou precisar aprender.

Sabe, Eu de 2004, eu poderia te contar, detalhadamente, o que está por vir. Das perdas e ganhos. Das mudanças físicas (por exemplo: se bem me lembro, há dez anos, o nosso cabelo era um ondulado vermelho, não? Pois agora está curto e ruivo, mas mais para o laranja), emocionais e de valores e conceitos. Sim, até eles mudam… Mesmo os mais antigos, aqueles de berço.

É, eu poderia te falar de muitas coisas, mas você ia perder todas as descobertas. E, sem elas, eu não sei quem eu seria hoje. Talvez essa carta nem fosse existir.

Se tem algo que posso reforçar, Eu, é: vai passar. Respire fundo. Eu sou a prova de que nós conseguimos superar tudo o que, até agora, enfrentamos. Eu tô aqui, te esperando, dez anos depois… E prometo ficar aqui. Em mim (ou seja, em você), dá pra confiar.

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