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julho 2014

Textos

Você também perdeu

Quando um relacionamento acaba, ficamos chorando as pitangas do amor que deixamos escapar. “Ele era tudo pra mim“. “Ela era a mulher da minha vida“. Coisas do tipo… Não que eu não tenha feito isso, mas depois de algumas noites em claro e de muito refletir, cheguei a conclusão que você também saiu perdendo.

Isso pode soar arrogante para muitos – para você, especialmente – mas não vejo porque seria uma ofensa admitir que eu também era seu melhor partido (tá, talvez ” o melhor” seja presunção, mas um “muito bom”, com certeza!). Tô jogando pro lado essa culpa por ter perdido você e substituindo por uma nova remessa de amor próprio. E acho que está dando certo.

Depois da cara desinchar de tanto choro, tô me achando mais bonita. Até mudei o visual e aprendi a fazer umas maquiagens mais decentes para as ocasiões especiais. E achei ânimo para começar uma atividade física. Já percebi umas diferenças no corpo e tô curtindo o resultado. (Falando em palavras francas? Eu tô gostosa!)

Não quero que pense que sou melhor ou mais forte, nem nada. Só estou me dando o valor que ficou jogado às traças durante o meu luto. Acho que você deveria fazer o mesmo. Você é um cara legal, interessante e blábláblá e eu quero que perceba isso.

Eu vou aproveitar essa nova fase. Não estou pensando em me atrelar a alguém tão cedo. Essa nova etapa está boa do jeito que está e acredito que pode melhorar, então… Eu não sei o que você vai fazer da sua vida agora, mas eu vou é ser feliz.

Textos

Brincando com tinta

Dizem que só damos valor a algo (ou alguém) quando perdemos. Não é o meu caso. Eu sempre soube o que tinha em mãos, eu só esquecia de te dizer. Sabe como eu sou quieto. Sou mais observador, mas isso me custou caro. Então, apesar de ser tarde, queria falar algumas coisas…

Por exemplo, acho que você deve parar de esconder suas sardinhas com maquiagem. Elas te dão um ar de menina sapeca que me deixava louco. Sem contar que servem como moldura para seus olhos verdes. Como se alguém tivesse brincado com tinta sobre o seu rosto e feito dele uma obra de arte.

Quando estiver em casa, por favor, ande sempre sem sutiã. O ar de liberdade que isso te dá é delicioso de ver. E quando você precisa trabalhar no home office, sua cara de concentrada e óculos te deixam mais sexy do que você imagina. Não sei se você morde a ponta do lápis sem perceber ou de propósito, para provocar mesmo, mas isso fecha a cena de forma espetacular.

Sorria mais. Você carrega tanta coisa nos ombros – metade delas sei lá por que razão – que fica preocupada a maior parte do tempo. Não esqueça de sorrir, pequena (ainda posso te chamar assim?), porque seu sorriso transforma você e quem está por perto.

Você é linda de cabelo bagunçado. Gosto quando você se desprende e se permite sair da linha. E eu prefiro quando você o deixa ser cacheado. Não sei que mania é essa que as mulheres tem de alisar as madeixas… Mas, só para deixar claro, você fica bem de qualquer jeito: ele longo ou curto, liso ou encaracolado, ruivo ou loiro. É difícil (impossível, eu diria) você ficar feia.

O fato de você conseguir manter uma conversa sobre temas variados é excitante e seu humor inteligente é uma das suas melhores qualidades (uma das, mas talvez essa seja a minha favorita. Você sabia me fazer rir nas horas mais inesperadas).

Em geral, é isso. Tem umas outras coisas importantes que você já sabe, mas que não foram verbalizadas, como: “Fui um idiota”, “Me desculpa”, “Morro de saudade”, “Cuide-se” e, claro, “Você foi a melhor coisa que me aconteceu”.

Cereja no Mundo

Cereja no Big Blog Exchange

A Hostelling International lançou a nova edição do Big Blog Exchange, projeto que busca 16 blogueiros dispostos a mudar de vida. Os selecionados trocam de cultura e país durante 10 dias e contam suas experiências para leitores do mundo inteiro. O BBE foi realizado pela primeira vez no ano passado e contou com mais de 1200 blogueiros de 100 países diferentes.

Por que estou contando isso para vocês? 
Porque o Cereja no Ombro está inscrito! 

Votem no Blog e ajudem a mandar a Cerejeira para longe por uns dias. Prometo trazer dicas super bacanas, vídeos e até presentinhos para sortear. (Sim, essa sou eu comprando o seu voto na cara dura, sem um pingo de vergonha).

Lembram como foi quando eu fui à Espanha? Basta acompanhar a tag Cereja no Mundo.

Cronograma

23 de julho: Começam as votações
3 de setembro: Encerram as votações
16 de setembro: Anúncio dos 16 vencedores
31 de outubro: Começa o intercâmbio

É isso. Conto com a ajuda de vocês! Desde já, obrigada! ❤

Textos

Não esqueça

Amor, tô indo.

Vê se não esquece de trancar a porta, tá? Senão ela fica batendo com o vento que entra pela garagem. E como eu sei que você é distraído, vai levar o maior susto quando ela fechar com força.

Ah, viu… Não deixe de ir àquela consulta no oftalmologista na terça-feira. Deixei o horário num post it na geladeira, então, sem desculpas, ok? Se perder a hora, acho que só no próximo mês pra conseguir um encaixe (by the way: o telefone da clínica está anotado naquela agendinha roxa).

Você viu que eu troquei os sabonetes de gaveta, né? Passei para a de cima, junto com as pastas de dente. A segunda ficou com cotonetes, algodão, band aids e outras tralhas pequenas que acho que você não vai usar.

E, por favor, tenta não esquecer de regar as plantas? Eu sei que elas são bobas para você mas, para mim, elas mudam o ambiente. Sem contar que amenizam o mau cheiro que vem da vizinha… Será que só a gente sente aquilo?

O fogão começou a dar piripaque. Para acender a boca do canto esquerdo, tem que ficar segurando o botão por um tempo e se colocar em fogo baixo, a chama apaga. Na verdade, acho que já está na hora de comprar um novo.
Se chover muito forte, tem uma goteira bem no meio do corredor… Tire o tapete e coloque um balde ali, tá?
Não tem mais queijo nem iogurte e as bananas tem que comer logo, senão estragam.
Amor, tô indo…

Vê se não esquece de mim, tá?

Textos

Desconhecida

*Texto da leitora Lahis Nascimento, para ler ouvindo Turn me On, da Norah Jones

Se alguém me perguntar o seu nome completo, seu endereço ou onde você trabalha, eu não saberei responder, mas sei os tons dos seus batons, casacos, sapatos…e afins.

Você pega o metrô todo dia no mesmo horário que eu,  por benção de Deus, também o estou esperando. Aprendi a observar cada detalhe seu com discrição e me pego cada dia mais admirado.

Na segunda, você sempre aparece de batom vermelho, o seu tom mais forte, porém me priva de ver seus olhos verdes com um belo óculos escuros, que é um encaixe perfeito ao seu formato fino de rosto.

Na terça, sempre com um cappuccino, você ainda permanece de cabelos soltos e na maioria das vezes ousa com um decote mais saliente, que me faz pensar como os seus colegas de trabalho vão fazer pra disfarçar o olhar…O problema é deles. Esperto que sou, a terça é o meu dia de óculos escuros.

Então, a quarta chega, meio simples. Você parece não ficar muito satisfeita com os casais abraçados nas poltronas ao lado e eu me pergunto se teria ou não um namorado. Me pergunto por que raios toda quarta-feira você carrega aquele punhado de revista de moda. Mal sei no que trabalha… Seria uma consultora de moda ou seria para escolher o seu vestido de noiva?

Quinta-feira monótona, de novo óculos escuros, chá verde e dessa vez nada de batom vermelho, acho que é o que as mulheres chamam de “nude”, é um desperdício não deixar em enfase aquela boca bem desenhada. Pouco me importa a cor…Sendo “nude” ou vermelho, eu já sei mil e uma maneiras de tirar a cor dos seus lábios, os encaixando nos meus.

Todos amam a sexta-feira. Eu também…Você me provoca com vestidos justos e muito profissionais. Fico me perguntando como consegue ser tão sexy e tão comportada. Aonde será que vai depois do expediente? Por Deus, você me enlouquece com a combinação de batom rosa e cabelo preso, quase sempre rabo de cavalo, mas, às vezes, coque. Me deixa louco aquela nuca ali, tão inofensiva, exalando o melhor dos perfumes. Viajo em você, e acho que nas sextas quase te deixo perceber a minha total alucinação.

Você levanta e eu imagino como seria se eu pudesse abrir o zíper do seu vestido, conhecer o seu corpo e suas curvas, conhecer seus sentimentos, sua alma, seus medos e, talvez, até chegar ao coração. Acho que lá eu poderia ficar – juro que quietinho, calado –  para apenas te arrancar, em qualquer dia, em qualquer hora, um sorriso, dois, três… Muito mais.

Textos

Ela está

Feche os olhos por um segundo, rapaz. E assim, sem nada à vista, te pergunto esperando a tua resposta mais sincera: Quando você se permite imaginar num outro lugar, num outro tempo, num desses “outros” que existem por aí… Quando você faz uma projeção qualquer, rapaz… Ela está?

Te questiono porque eu sei que ela quer estar. Ela quer ser contigo no real, no imaginário, na dúvida e na certeza. Puxa ela pra você, rapaz. Deixa ela entrar e ficar aí. Fazer parte de ti e da tua vida e planos. Insere a imagem dela nas tuas visões.

Ela está a espera… Segurando as mãos, ansiosa, mordendo os lábios de preocupação. Será que a porta vai abrir, enfim? Será que o convite será feito? Dê a passagem e ela trará cor às tuas paredes brancas e música ao silêncio que te cerca. Deixa ela abrir as janelas e arejar o teu lar.

Se você sente a presença dela, permita-se senti-la por completo: O toque, a respiração dela no teu pescoço, os lábios e o corpo inteiro. Consegue fazer isso? Consegue experimentar esse acompanhamento?

Se conseguir, é porque ela está aí. E, se está, é para ficar.

Textos

Um olhar sobre as coisas

Eu estaria mentindo se dissesse que gosto de você.

Eu gosto de estalar os dedos, de fazer piadinhas no Twitter e de esmaltes escuros. Gosto de estampa poá, de um fone de ouvido que não machuque e da boa e velha caneta Bic azul.

Eu gosto de sentar em cima de uma das pernas, da franja para o lado esquerdo e de Star Wars. Gosto de editoriais de moda, do cheiro de livros e de filmes musicais.

Eu gosto do conjunto All Star, calça jeans, camiseta e jaqueta de couro. Gosto do tempero que minha avó usa no molho do frango, de assistir TV com dois travesseiros e de delineador estilo gatinho.

Eu gosto de chiclete sabor menta e que seja bom para fazer bolhas, ainda que a etiqueta não seja a favor disso. Gosto de falar palavrão, de praticidade e de desafios.

Eu gosto de imaginar diálogos de pessoas na rua ou, então, de tentar achar um nome que encaixe com o rosto delas. Gosto do meu violão, da disposição de móveis no meu quarto e do meu colar com pingente delicado.

Eu gosto da bandeira do Brasil, de dormir sempre coberta e de fotos em preto e branco. Gosto de perfume mais cítrico, do meu chapéu azul e de deitar com meus cachorros.

Gosto disso tudo e mais. Mas, de você?
Você, eu amo.

Textos

Piscar de olhos

Tudo bem que minha memória não é das melhores, mas desta vez eu falo sério: Não sei dizer mesmo quando foi. Em que dia da semana nem do mês… Sei lá se chovia ou se era um dia ensolarado. Aliás, nem sei se era dia ou noite!… A verdade é que não faço nem ideia de qual momento, qual decisivo momento, fez eu me apaixonar por você.

Talvez tenha sido aquele dia em que você disse não dormir durante o filme se aquele fosse o meu favorito. Ou aquele milésimo de segundo que nossos olhares se encontraram durante risadas aleatórias. Quiçá tenha sido aquela vez que você deitou no meu colo enquanto eu lia. Ou quando você fez cara de bobo quando te dei um “beijo-de-borboleta”.

Quem sabe tenha sido aquele abraço quieto depois daquela discussão besta ou naquele dia em que você me mostrou seus artistas favoritos. Ou será que foi durante aquela carona em que você começou a cantar feito um doido a música que eu adoro e me fez chorar de tanto rir?

Não, não… Pensando bem, deve ter sido quando te observei dormindo no sofá abraçado ao meu braço. Ou talvez quando você disse que esse meu jeito moleca é o que mais te encanta. Mas também não posso ignorar aquele dia que você tocou no violão a música do Bon Iver, nem o seu olhar quando me viu no vestido azul-marinho.

É, não dá pra dizer quando aconteceu. Foi em algum piscar de olhos. Mas, ah… Parando pra pensar: Quem precisa saber?

Leitor

O poder da chuva

*Texto do leitor Alexandre Martins, publicado originalmente no blog Aros Redondos


Está chovendo lá fora. Não, não é qualquer tipo de chuva, é esta chuva que cai fininha do céu, bem lentamente, como quem se estende até o próximo fim de semana. A sensação é maravilhosa, faz lembrar da infância, nos acrescenta sono, e como presente, o cheiro de poeira molhada no ar. Imagine você o trabalho que cada minúsculo gotinha tem antes de cair centenas de metros a uma velocidade extraordinária para… morrer!

Quanta sensibilidade numa garoa. Quanta imponência num dilúvio. É interessante que, quando chove, algumas pessoas ficam enfurecidas e raivosas, outras perdidas e presas, mas eu, eu me solto. Gosto de sentar em frente à Tv e ver algum filme que faça rir ou chorar, comer pipoca e ter uma boa companhia. A melhor parte é a companhia, como foi há alguns dias com outro alguém.

Sozinhos ou acompanhados, somos parte da natureza como tudo o que dela nos cerca. Por isso sentimos quando as coisas vão bem ou não, com as pessoas ao nosso redor estão; já ouviu falar em “o clima pesa”? Conectados, criadora (a Mãe-Terra) e criatura compactuam das mesmas identidades que as conectam, como a chuva.

Algumas chuvas nos lavam a alma, arrancam-nos as impurezas de um amor não correspondido, de um sonho não alcançado ou de uma mentira desmentida. Outras, aproveitam do espaço vazio para preparar um novo solo-coração, que receberá com a chegada do arco-íris novas sementes capazes de transformar o que antes era negro e frio em algo quente, colorido e fértil.

ETC

Te carrego

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Você ainda não sabe, mas… Bom, vou falar sem rodeio: Eu ainda te carrego na mochila. É, é, eu sei que deveria ter te devolvido por inteiro, mas não deu. Desculpa! Eu simplesmente não consegui abrir mão desses seus pequenos fragmentos.

Não uso sempre, só em casos de emergência. Diferente do que fiz quando o tinha por completo, não desperdiço essas pequenas porções. São tudo o que me resta de você: Um pouco do seu jeito de falar, aquela gíria que você usava sempre, a sua mania de morder o dedo quando o sinal está fechado e um gosto inexplicável por aquela banda alemã.

Te carrego seguro. Não quero perder essas doses, até porque não sei quanto tempo elas irão durar. Dias atrás, ainda tinha uma porção de “ordem correta para lavar a louça”. Quando percebi, não comecei pelos talheres – o que era totalmente contra a sua regra. Aquele montante acabou.

Ah, e já que estou aqui confessando, tem mais uma coisa…

Aquele nosso sonho também ficou comigo. Está no fundo, para eu não correr o risco de usá-lo na primeira oportunidade, num desespero momentâneo. Ele é único e, portanto, devo ter cautela. Pensar bem antes de tirá-lo do fundo da mochila e trazê-lo à tona.

Desculpa se fiquei com coisas demais e devolvi de menos. Mas, você também ficou com partes de mim. E, na real? Pode ficar, não as quero de volta. Mas também peço que não me desperdice. Não me use mal. Não me use sempre, porque até o pra sempre termina. O nosso acabou… E só nos sobraram pedaços do que, um dia, foi eterno.

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