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agosto 2014

Textos

Volta logo

Sinto sua falta quando vejo cenas de beijos na rua, nos filmes, nos bares e quando alguém menciona o seu nome. Basta perguntar de você que a saudade esmaga com força cada centímetro do meu corpo, sem dó nem piedade.

Volta logo… Eu tô aqui te esperando, conforme combinamos.

Sinto sua falta quando assisto Mad Man, porque sei que é um dos seus seriados favoritos. Sinto sua falta quando a mensagem do celular não é sua e mais ainda quando é. Sinto sua falta quando vejo aqueles programas de culinária gringos.

Sinto sua falta quando vou àquela livraria e me pego procurando livros para você ao invés de querer algo para mim. Sinto sua falta quando tomo chai, porque lembro bem do seu tom indignado: “Você nunca provou? Vou pedir um pra você“.

Sinto sua falta quando sento no sofá e não tenho sua mão para segurar. Ou nas tardes mais preguiçosas, quando minhas pernas não servem de travesseiro para sua cabeça. Sinto sua falta quando meu dia foi péssimo e quando tive o melhor dia de todos.

Sinto sua falta porque você está em todos os lugares, menos aqui, onde eu queria que estivesse. Então… Não demora, tá? Que eu tô morrendo de vontade de parar de sentir sua ausência e sentir, finalmente, só você.

Leitor

Quando partir?

*Texto do leitor Marcelo Santos, do blog O Garoto do Coração de Porcelana

Desde o dia que percebi que não daríamos certo, eu quis me afastar. Eu quis partir. Por vários momentos nós falamos “adeus” um para o outro sem sussurrar nenhuma palavra, e meia hora depois, um dos dois puxava a corda que nos unia de um jeito inexplicável. Na maioria das vezes, você (que dizia não querer nada além de uma boa amizade, aquela colorida, com amassos e sem compromissos) quem sempre voltava atrás.

Nos aventuramos em algo sem explicação. Numa montanha prestes a desabar e, mesmo assim, continuamos nesse lance. E eu querendo partir toda vez que você me recusava nos momentos que queria sentir seu calor, nos momentos que queria lhe dar amor.

Um passo para frente, dois passos trás. Assim era você. Enquanto eu estava pronto para me jogar, você estava para desistir. Mas eu via que, por trás dessa fachada, havia um “Não me deixe ir”. Estava segurando seu mundo mesmo sem saber o que éramos, e quem seguraria o meu mundo se você decidisse ir.

Eu queria ir. Te deixar para trás e seguir em frente, sabendo que o sol ainda poderia brilhar no futuro. Mas era difícil não parar e pensar em nós… “Será que você apenas não estava inseguro de tentar?”. Ou “Será que vale a pena partir, tendo certeza que os momentos com você valeram por qualquer lágrima que eu já tenha derramado nessa paixão complexa?”.

Nessa confusão toda, me diz: Quando partir? Porque eu nunca sei.

Textos

Eu continuo

Quando se trata de nós dois, a voz na minha cabeça sempre grita: “Saia daí agora!“. Mas meu corpo e meu coração imploram por mais de você. E, contra a minha razão, eu fico (com um peso nos ombros por saber que, mais tarde, vou me arrepender. E muito, porque você é um mistério do pior tipo: aquele que entretém e dá vontade de ir até o final, mesmo com medo).

Eu queria muito ter o poder de desvendar os seus pensamentos. O que passa pela sua mente quando eu durmo em seus braços ou quando eu o procuro para contar que dia de merda eu tive. Que pensamento está por trás desse seu sorriso, afinal? Meu coração está nas suas mãos, e você prefere seguir fazendo malabarismos como se estivesse num espetáculo de circo ao invés de cuidá-lo.

E me dá pena vê-lo brincar desse jeito. Pena de mim, que fico esperando que, logo, você vai parar com os truques e, enfim, tomá-lo para si. Pena de você, que fica evitando algo bom tão perto de você. Pena que nós, que poderíamos ter algo invejável.

Eu tô cansada de perder tempo… De ver meu coração ir ao alto com você e, em seguida, tão próximo ao chão. Já não aguento mais essas emoções de montanha-russa e de ficar tão impotente, já que é você quem dita o ritmo da graça. E não dá mais pra ficar assim…

Então, me devolve, vai… Devolve tudo que é meu. Vamos fechar as cortinas do show (que só você sabe para quem é) e vou embora, seguindo o conselho da consciência. “Continue andando, não olhe pra trás“, ela me diz. E eu continuo, meu bem… Até os meus pés cansarem.

ETC

Sem querer

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Vou dizer bem a verdade: eu já tinha aposentado a ideia de me apaixonar novamente. Até mesmo porque sempre parecia ser cedo demais. Não importa quanto tempo já havia passado desde a última vez. A dor causada fazia parecer tão recente… Por isso, eu abri mão dessa história de paixões e amores. Pelo menos por um (bom) tempo, não queria nada disso pra mim.

Meu coração estava “de férias”. Sem querer nada com nada. Sem preocupações. Sem hora. Sem compromissos. Sem dono. Aproveitando aquele período de liberdade e libertinagem. Vadio, solto e inconsequente. E, enquanto perambulava por aí, esbarrou no seu, igualmente perdido.

Não se viram, realmente, de primeira. Não se reconheceram como semelhantes. Não notaram que tinham cicatrizes causadas por motivos parecidos. E eu, que achava que tinha tudo sob controle, não vi mal algum nesse encontro. “Tá tudo bem. Não vai acontecer nada. Ainda é cedo para isso”. Ingênua, eu.

Achei que meu coração tivesse aprendido a lição junto comigo, mas o danado deve ter memória curta e se pôs a correr na minha frente. Foi se afundando na sua novidade. Nas descobertas de você e suas histórias. Foi sendo envolvido e, contra a minha vontade, se entregou.

É, eu não queria. Eu poderia estar por aí, curtindo os bares, as noites, os galanteios regados à cerveja. Eu poderia continuar na minha, assistir a um filme na minha própria companhia no domingo. Mas você apareceu para mudar os meus planos. Inverter a minha rota. Você apareceu sem eu querer, sem eu esperar. Sem eu sequer saber que você vinha, caso contrário teria me preparado. Chegou de mansinho para me levar com você por um caminho que eu nem imaginava.

Acho que algumas coisas devem ser assim: contra a nossa razão e vividas no mais bonito dos impulsos. Eu poderia dar meia volta. Mas, agora, eu vejo que eu fico bem melhor ao seu lado e aprendi que assim, juntinho, fico mais forte. Talvez eu lhe deva algum crédito, afinal. Foi sem querer, mas foi certo. E meu coração, que eu considerava não ter noção de nada, até que sabe o que faz.

Textos

Dos sonhos

Essa noite, tive a cama só pra mim. Me esparramei pelo colchão, tomando conta do espaço feito para duas pessoas. Estiquei braços e pernas sobre a vaga ao meu lado. Tive a coberta toda pra mim, sem precisar disputá-la. Ah, e coloquei o sobre lençol.

Essa noite, não me preocupei se eu estava muito no centro do leito: Sabia que sim e aproveitava cada pedaço dele… Dormi com mais de um travesseiro e sem ar condicionado. Não me preocupei se meu joelho iria machucar alguém. Estava livre.

E incompleta.

A verdade é que nada disso compensa a sua ausência. A sua mão na minha cintura. Alguns beijos na nuca e abraços durante a noite. E acordei algumas vezes tateando a cama para ver se te encontrava ao meu lado (e nada. Em nenhuma das vezes). Só a sua falta era palpável.

Lembrei daquela vez em que, deitados e recém acordados, eu te cantei aquela canção que fala sobre sonhos. Imaginei o que você sonha agora… Se é com a viagem para a Austrália ou em montar um café artístico-sustentável em São Paulo… Se ainda é com a gente morando para aquele bairro em que você cresceu.

Não sei mais dos seus sonhos. E me dei conta de que não lembro dos meus quando abro os olhos. Tudo cai em alguma espécie de esquecimento indiferente. Menos você. Menos a nossa vida a dois. Menos a vívida lembrança da sua presença.

Talvez seja até melhor eu não me recordar dos sonhos porque, do jeito que as coisas estão, eles com certeza ainda são sobre você.

Leitor

Entre galáxias

*Texto da leitora Joyce Souza da Silva, do blog Entre Galáxias

Nem sonhos, nem chocolate, nem donuts resolvem mais (se é que um dia funcionaram). Talvez só em filmes mesmo. E acredito que bebedeira só irá fazer sua voz ecoar mais ainda na minha cabeça. Aquela voz despreocupada, que me faz dar risada de madrugada, porque eu me lembro de tudo. Tudinho que passamos. E fico imaginando o que virá, quando, na verdade, eu queria que você estivesse aqui.

E quando você decidir vir, me toca. Me toca inteirinha. Cumpre as mordidas e suspiros que prometeu, que eu cumpro o cafuné. Me deixa sem saber o que falar de novo. Mas assim, olhando no olho.

Me deixa te convencer de que caixa é bem melhor que prateleira e me guarda lá dentro. Não me tira mais, pra quando a saudade bater, você abre. Me lembra. Me lambuza. E contorna meu quadril com sua boca, num mar de beijos.

Deita aqui. Me deixa te observar dormir. Deixa seu cheiro em mim inteira. Prometo não puxar seu cabelo. E se quiser, eu te faço companhia quando sua insônia decidir te perturbar. Faço chá. Assistimos um filme sem filme. Porque o que eu quero mesmo é me enroscar todinha em você. Emaranhar-te nos meus cabelos. Te fazer entrar numa galáxia. Galáxia essa, que não tem paz. Só bagunça. E tudo o mais, fantasia, porque o mundo real é muito duro.

Eu posso te levar lá: Pro meu espaço. Pra minha bagunça. Se quiser, é claro. Posso bagunçar seu mundo? Porque você já bagunçou o meu todinho.

Bagunçou quando me fez deitar na cama e me fez rir. Quando me pediu arranhões e pra tirar a roupa só pra você. Quando me pediu selinhos e beijos, e me chamou de chata quando não retribui. E bagunçou ainda mais quando perguntou se isso era paixão. Era. É.

Quando você sonhou comigo que a gente conversava sem fim, e eu passava a mão no teu cabelo, e você acordava. Deixa eu  te bagunçar? Te virar do avesso. Tomar banho na chuva, e te levar pra cama ainda molhado. E confundir seu suor com a água. Só não prometo que não irei embora porque eu sou das estrelas. E as estrelas cadentes são como os aviões noturnos: Podem voltar ou não. Depende de você me pedir pra ficar e me beijar, ou confessar que já paixão.

Nem precisa ser amor. Confessa, vai? Nem precisa me chamar de linda. Confessa que é paixão. Porque, pra mim, já é faz um tempão.

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