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junho 2015

Cereja no Mundo

Turista em Casa 2015 (Dia 1)

Nesse final de semana, passamos por uma experiência fantástica em Foz do Iguaçu. A Loumar Turismo promoveu, nos dias 26 a 28 de junho, o #TuristaEmCasa2015, uma ação que reúne moradores locais para terem uns dias de turista na própria cidade.

Os convidados (e staff, onde me incluo, já que trabalho na Loumar há dois anos) puderam aproveitar hospedagens e passeios na Terra das Cataratas. Dessa forma, além de bons momentos com um grupo de 17 pessoas, nós pudemos vivenciar a cidade numa nova perspectiva.

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Dia 1

Recebemos o grupo no Hotel Bogari, onde pernoitamos. O hotel ainda não foi inaugurado (está em fase de conclusão), portanto, fomos os primeiros hóspedes de lá. Mas essa primeira parada foi só para deixar as malas, porque a programação nos esperava. Fomos ao Hotel Bella Italia morrer de comer amores no Café Colonial, servido todas às sextas-feiras, das 16 às 22 horas, com mais de 100 itens no buffet.

#TuristaEmCasa2015

Uma foto publicada por Leca Lichacovski (@leca_dpaula) em


Devidamente alimentados, fizemos um passeio da Loumar chamado Circuito Iguazú, que nos levou para Puerto Iguazú, cidade vizinha. Ao chegar em Puerto Iguazú, fomos a vinoteca Don Jorge, onde rolou degustação de vinho, champagne e tábua de frios. Em seguida, para mais degustação, fomos ao Capriccio, experimentar alfajores, molhos e temperos deliciosos.

Foz do Iguaçu é uma região de tríplice fronteira (a mais movimentada no Brasil). O município faz divisa com Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina).

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Para fechar a noite, nossa última parada foi o Icebar Iguazú, o famoso bar de gelo da região. É, gelo. Copos e decoração são feitos de gelo, já que o bar fica a uma temperatura de -10°C. Por causa disso, só é permitido ficar meia hora lá dentro (e aproveitar o open bar). Dica importante: Use sapatos fechados e com meia. O Icebar só disponibiliza casacos e luvas.

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Para saber mais de como foi o primeiro dia do Turista em Casa, dá o play no vídeo abaixo:

O segundo dia teve: City Tour no novo ônibus sightseeing de Foz do Iguaçu (com paradas no Marco das Três Fronteiras, Mesquita islâmica e Templo Budista), por do sol no Kattamaram (Lago de Itaipu) e Noite Italiana. Mas eu só vou contar amanhã como foi.

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Textos

Da janela

Esses dias entrei naquele café que costumávamos frequentar e te vi sentado no mesmo local, perto da janela, vendo o cardápio. Tive que piscar algumas vezes até a visão desaparecer e notar que foi só imaginação misturada com lembrança.

Sua presença ainda está lá, tomando suco, olhando os carros passarem e analisando o Brasileirão. “O Palmeiras vai cair se continuar desse jeito“. Lembro bem, apesar de não acompanhar muito bem a conversa por não viver futebol tão bem quanto você.

Eu estava nervosa. Eu queria segurar sua mão, fazer um carinho no seu braço, te beijar a bochecha até chegar à boca. Me aninhar em você e olhar o mundo lá fora pelo vidro, sem me importar com quem nos visse de volta.

Ver sua lembrança na janela faz com que as outras também venham à tona. Uma delas me levou de volta àquele bar, com você me pedindo para não ir embora. Nossa, como eu me vi nas suas mãos… Aquilo me excitou e eu pensei que não fosse conseguir me controlar. Você não faz ideia da força que eu precisei fazer para não te beijar (e muito) naquela hora.

Sua mão na minha nuca, dedos entrelaçando meus cabelos e seus lábios encostando no meu ouvido. “Fica por mim“, você dizia, mas eu não podia atender o seu pedido. Hoje me pergunto o que teria acontecido se eu não o tivesse resistido.  E às vezes eu gosto de imaginar a continuação da cena que não aconteceu.

Lembranças fazem isso com a gente: Atiçam uma curiosidade que jamais poderá ser morta. Ou será arrependimento? Fácil confundir um com o outro. Só sei que você me observa daquela mesa perto da janela, mais vívido do que nunca, jogando uma lembrança atrás da outra aos meus pés até elas chegarem ao meu pescoço.

E é aí que me vejo afogando em saudade, enquanto você toma mais uma xícara de café, brindando o fato não verbalizado de que eu ainda sou sua.

ETC

Eu pedi pra você me salvar

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

[Você pode ler este texto ao som de Ribs]

Eu perdi o chão quando ela se foi. Eu tentei não cair tão feio, mas ia além da minha vontade e esforço. E eu fazia o que dava para tentar preencher o vazio. Bebia doses para esquecer que eu sentia a falta dela. Beijava bocas e corpos para anestesiar a dor. Mas, de manhã, quando não havia nada disso, tudo voltava com força e me jogava no chão. Eu tava além da fossa. Eu tava na merda.

Até que você veio. Sorrindo. Brincando. Provocando. Quando você surgiu, eu vi a tal luz no fim do túnel. Você silenciou a voz dela que remanesceu. Você substituiu a companhia do whisky. Você devolveu minha sanidade. Depois de um tempo, eu nem lembrava mais por que eu estava a beira do precipício antes de você chegar. Você me enlouquecia cada dia mais.

– Vamos viajar! – convidei.
– Vamos. Para onde?
– Para onde você quiser. E digo mais: A gente nem precisa voltar!
– Ah, bom se fosse, né?
– Por que não?
– Ué, ta maluco? Não dá.
– Claro que dá! Eu to cansado daqui. Tenho muitos fantasmas nesse lugar. Eu quero tudo novo. E quero com você… Eu te amo.

E você calou. Só sorriu e me deu um beijo. Desbaratinou e começou a falar de uma blusa que vira no shopping. Isso me gelou a espinha. Me fez querer pegar as palavras de volta e engolir com as já aposentadas doses de whisky. Quis me dar murros na cara. Mas o que eu queria mesmo era ouvir você dizer que me amava de volta. Entretanto, nada.

Não repeti aquelas palavras. Resolvi esperar por você, mas já era tarde. Depois daquele dia, você foi sumindo. Não sorria mais tanto. Não provocava mais tanto. Não queria mais estar ali. E eu fui afundando de novo. Você era meu salva-vidas no mar feroz. Mas você não queria essa função. Ou, talvez, não podia sê-la. Não tive tempo de descobrir.

Então, eu estou aqui de novo. No fundo, junto com tantos sonhos que tive para nós dois. Erro meu, confesso. Sempre fui apressado e, agora, pago o preço. Eu não queria voltar aqui. E não precisava estar, porque eu vi nos seus olhos, que você também já sentia algo a mais por mim. A gente poderia estar feliz, sabe? Eu poderia estar bem de novo.

Eu pedi para você me salvar.
E você disse “não”.

ETC

Eu te amo porque…

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu te amo porque sua risada me faz bem. Adoro te ouvir rir gostoso até perder o fôlego. Te ouvir gargalhar me faz sorrir.

Eu te amo porque você aceita e acompanha meu humor sarcástico – e ele fica ainda melhor com seus comentários complementares.

Eu te amo porque você, além de sonhar comigo, divide o chão. Porque não adianta nada viver só no fantasioso.

Eu te amo porque você parece me conhecer melhor que eu mesma e já sabe quais palavras devem ser evitadas durante a TPM.

Eu te amo porque você mantém a calma quando eu quero jogar tudo pelo ar. Você é a voz da minha razão e me põe juízo de volta.

Eu te amo porque você sabe que, por mais que eu ache bonitinho dormir de conchinha, prefiro o meu espaço sagrado na cama – mas me acorda com um abraço bem encaixado.

Eu te amo porque você me convida para ir a Buenos Aires, Berlim, Madrid, Santiago, Cancun, Fernando de Noronha e tantos outros lugares.

Eu te amo porque você me deixa participar da sua vida em várias formas. Desde a escolha da cor do edredom até a questão se deve ou não mudar de emprego.

Eu te amo porque eu fico melhor com a sua presença. Conheço e exponho a melhor parte de mim. Obrigada por me fazer descobrir esse lado meu.

Eu poderia listar uma infinidade de itens de razões para te amar. Poderia falar do seu cafuné matinal. Do jeito que você brinca comigo enquanto estou em frente ao espelho fazendo maquiagem. Poderia falar de como morro de rir com você quando jogamos videogame.

Para facilitar, melhor resumir: Eu te amo porque é você.

Textos

Arquivos

Às vezes, eu queria entrar na sua mente. Imagino um lugar branco, cheio de arquivos e pastas cheias. Queria dar uma olhada rápida nos seus registros de infância. Achar neles qual era sua brincadeira favorita, a sua matéria predileta na escola, aquela lembrança já meio apagada de uma viagem a praia com seus avós.

Passar pelos documentos da adolescência e juventude. Até encontrar a pasta com meu nome. Descobrir em que categoria fui catalogada. Ver o que você considerou importante suficiente para manter no fichário. Ver suas anotações sobre os sentimentos que, um dia, causei. Rever nossos momentos mais marcantes (para você).

Será que você guarda nosso primeiro beijo ou o dia em que conheci seus pais? Será que você ainda mantém nos arquivos a letra da nossa música ou minhas manias que você gostava? Talvez eu encontre aquela discussão filosófica após um jantar regado a vinho. Datas, eu sei que não vou achar (aniversário de namoro, dia do nosso primeiro encontro, etc), mas sei que você guardaria a minha preferência por orquídeas.

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Quem sabe eu pudesse achar o perrengue na nossa viagem a São Paulo ou aquele dia de chuva em que ficamos vendo fotos antigas da sua excursão pela Bolívia. Será que a quantidade de risadas dessa noite também estaria contabilizada? E será que nas últimas páginas estaria o distanciamento que parece ter surgido do nada entre a gente?

Essas são as coisas que eu gostaria de ver, mas não sei se são as que eu realmente veria caso invadisse seus arquivos. Mas não vou passar por essa porta… Na verdade, eu prefiro que seja o contrário.

Às vezes, eu queria que você entrasse no meu coração. Veria o seu tamanho ali dentro. O tanto de carinho que ainda tinha em estoque nas prateleiras. Uma sala onde nosso filme rodava e sempre fazia o público se emocionar, chorar, aplaudir, pedir bis. Eu fico só na sala de exibição, vendo de longe, uma história sem felizes para sempre.

 

Textos

Eu, você e Francis

Você sabe que quando faço essa cara de boba é porque quero te dizer algo bonito. É idiota, eu sei, mas não consigo evitar o sorriso e o tom de voz mais sussurrado. E você também fica com uma expressão igualmente tonga quando eu digo algo assim.

Queria te dizer que tenho tido o mesmo sonho há algum tempo. E nem preciso dormir para ver as imagens… Nossas imagens. Eu fecho os olhos e já me vem a entrada de uma casa cor de areia e janelas de madeira.

Tem um pequeno jardim. Nada demais, porque nenhum de nós tem muito jeito para a coisa. Duas árvores grandes mais no canto, que jogam sombra na varanda e deixa a área fresquinha. Quem gosta disso é o cachorro que corre para nos receber, feliz e abanando o rabo. Ele pula em você, depois em mim, mesmo que você tente segurá-lo. Nós rimos.

Você é um excelente recepcionista, hein? – você brinca. Faz um carinho dele e entramos em casa, pela porta que dá acesso a sala.

Não é uma casa grande, mas é aconchegante. Gostosa. Dá pra sentir que é um lar. Vejo a decoração e percebo que dá pra ver, facilmente, quem escolheu o que. O quadro do Chaplin é peça minha, com certeza. Já a mesa no canto, não tenho dúvidas de que o pequeno quadro do Jaspion foi seu toque especial.
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Não conheço o resto da casa ainda. Quero explorar cada detalhe daqui antes de seguir para o próximo cômodo. Já sei que o sol da manhã bate na mesa de centro. E embaixo do aparador, tem uma cama para o cachorro quando o dia está mais frio.

Há fotos penduradas acima do sofá, em tamanhos diferente e em preto e branco para dar contraste com a cor azul-turquesa da parede. A mesa lateral é retro (mas não sei dizer se foi escolha minha ou sua, porque eu sei que você adora móveis de madeira).

Eu gosto de vir para cá. Gosto de ver nossa casa e imaginar: Será que um dia…? Não precisa ser bem desse jeito, não. Nada disso é importante. O que eu quero mesmo é poder chegar de mãos dadas com você e dizer: “Lar doce lar”, jogar a bolsa no sofá e ficar com você sem fazer nada, no nosso sofá, vendo algum filme na nossa TV, sendo observados pelo nosso cachorro brincalhão.

Ah, o nome dele é Francis.

 

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