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outubro 2015

Textos

Desapegue dos amores pesados

A gente vive procurando amor. Na gente mesmo e nos outros. Da gente mesmo e dos outros. Me sinto agraciada em dizer que já encontrei e tive alguns bons amores imperfeitos. Amores que deixaram suas marcas. Amores que moldaram e transformaram quem eu fui para o que sou.

Nessa busca incansável, às vezes, nos deparamos com uns amores pesados. Não que sejam necessariamente ruins, mas que exigem tanto da gente… Uma força nos braços para mantê-los erguidos. Amores com peso do mundo nos nossos ombros.

Eles não costumam ser pesados no começo. Mas vão acumulando desapontamentos, brigas, pedidos de desculpas engolidos, egoísmo. Vira uma bola de neve de sentimentos mal resolvidos, mas o amor ainda está lá – talvez prestes a sufocar, mas está.

Só percebemos o real peso desses amores quando eles já não são mais nossos. Quando cedemos ao cansaço e os deixamos rolar para fora do nosso alcance. E a sensação, além da dor, é de alívio. Você já sentiu aliviado ao deixar um amor partir? Então, foi porque ele já estava te sobrecarregando.

Eu achava que era artimanha do tempo deixar os amores nessa condição… Até eu encontrar o seu amor, que se multiplica ao mesmo tempo que se divide. Que cresce a cada mínimo gesto de carinho. Que corre em disparada toda vez que você me faz parar na rua para me dar um beijo.

Já carreguei amores pesados por aí, sim. Mas agora, só quero saber da sua leveza. Dessa vez, eu é que quero ser levada.

Leitor

Eu não sou obrigado a esquecer você

* Texto do leitor André Olliver, do Blog das Horas Comuns

[Escrito ao som de Dancers – Axel Flovent]

Eu não sou obrigado a esquecer você. Ainda não esqueci do meu tênis velho, que tá todo furado, todo rasgado e todo machucado. Não tenho coragem de me desfazer dele, talvez porque ele me acompanhou em tantos caminhos. E você? Por que eu sou obrigado a me desfazer de quem você foi?

Sabe aquela parte toda furada, toda rasgada e toda machucada dentro do meu peito? É você. Mas as suas cores continuam vivas na minha memória, e ainda que eu tenha revirado tudo, tenha me desfeito de cartas, ingressos de cinema e outros detalhes de nós dois.. Esquecer? Não, eu não sou obrigado a esquecer você.

Eu era o cara das profundidades, você sabe. Eu não era dos que boiavam na superfície. Eu mergulhei, eu me afundei, eu me joguei de cabeça, eu me virei todo em você, mas me afoguei no seu silêncio. Hoje, o que restou da nossa descida ao fundo dos mais profundos de mim e de você, foi uma respiração ofegante de algumas mágoas dessa dor.

Você é o outro agora, é o cara das antigas, é o cara de dois mil e poucos.E eu, por um tempo, fui o cara das páginas ainda não viradas, das escovas de dente solitárias e das mensagens não mais enviadas. Mas esquecer? Não, eu não sou obrigado a esquecer você.

Fica tranquilo, porque lembrar de você não é mais como cair pra trás, sozinho num vazio de possibilidades impossíveis. Não é como colocar o meu coração e a minha capacidade de me manter em mim contra a parede. Lembrar de você é ter a certeza de que continuo a respirar, mesmo que eu ande recolhendo cacos e construindo vitrais, só para o Sol colorir os meus cantos. As portas ficam sempre abertas agora e gosto de ver o vento levando pra longe a poeira que você deixou parada nos corredores.

Mas, esquecer? Não, eu não sou obrigado a esquecer você.

ETC

Crescer não deveria ser doloroso

*Texto publicado originalmente em Entre todas as Coisas

Hoje é Dia das Crianças e eu só consigo me perguntar por que deixamos algumas características da infância para trás. Ficamos tão ansiosos por crescer que, quando percebemos, já aconteceu. E nem tivemos tempo para nos preparar bem ou pensar duas vezes a respeito.

Ser adulto tem suas vantagens, claro. A independência talvez seja a maior de todas, mas perdemos umas essências infantis que fazem falta em meio ao estresse da vida de gente grande. Hoje, tenho vergonha de gargalhar em público e falar o que penso pode trazer conseqüências catastróficas.

Eu parei de subir em goiabeira para comer direto do pé e nunca mais fui ao bosque perto de casa com um copinho para juntar as amoras. Bicicleta, que antes era diversão diária, hoje é missão de final de semana. Não tinha problema em correr descalça na rua (chinelos atrapalhavam e os tênis deveriam ser poupados para a escola).

Não agüento mais jogar Bets por dor nas costas e tardes pulando na piscina foram substituídas por tardes torrando no sol com alguns mergulhos esporádicos – notou como a água fica gelada quando envelhecemos? Também parei de imaginar mundos extraordinários, com seres incríveis. A imaginação, hoje, precisa ser convertida em resultados no trabalho.

Até amar fica mais difícil, porque as decepções também começam com o decorrer dos anos – provavelmente na adolescência e aprendemos algo que, na infância, relevávamos: a sermos rancorosos. Claro que criança sofre uma vez ou outra. Quando o amiguinho resolve que tem outro amigo mais legal ou quando o menininho bonito da sala gosta da loirinha e não de você. Mas não ficam remoendo aquela dor. Criança tem muita facilidade em sair da fossa. Talvez seja agilidade de músculos ainda não sedentários.

Então, nesse Dia das Crianças, eu desejo que você recupere o que você tinha de melhor quando era pequeno. Talvez, a solução seja acreditar que somos super heróis e que, no fim, o bem vence o mal. Vamos vestir nossas capas outra vez e sair por aí salvando o mundo. E, não esqueça que, para dar mais veracidade, devemos sorrir sempre.

Textos

E se você voltar?

Não posso deixar minha cabeça muito solta, porque ela sempre acaba indo até você. Perambula pelas possibilidades, quiçá impossíveis, de um novo encontro nosso. De uma tentativa de reaproximação sua. E como eu reagiria caso você decidisse voltar.

Imagino você chegando perto de mim numa oportunidade em que ficássemos sozinhos e isso me faz tremer e arrepiar, um pouco por excitação, um pouco por medo da recaída. Você me provoca como fazia antes. Fala ao meu ouvido, tentando me convencer de que nós ainda podemos ser uma boa ideia.

Essa projeção me faz lembrar vividamente de como eu me esqueço de mim quando estou com você. Como estar ali, nos seus braços, vira a coisa mais importante do mundo. Com o seu rosto tão perto do meu, lembro bem do seu gosto, das suas mãos na minha cintura. Ao mesmo tempo em que recordo como tudo isso foi venenoso para mim.

Mas, em meu devaneio, você chega e consegue me beijar. É a partir desse momento que as coisas começam a ficar confusas aqui dentro, porque parte de mim quer se entregar de novo e corresponder aos seus beijos com paixão – porque eu também lembro como você me enlouquecia. Essa é uma das piores partes de e para esquecer.

Em contrapartida, a outra parte de mim quer te empurrar para longe e chorar de ódio por sua audácia. Depois de tudo, você tem coragem de tentar fazer parte da minha vida de novo, sendo que só eu sei o esforço que tive para reconstruí-la sem você? Não, meu querido. Dessa vez, não. Essa segunda opção me faz sentir mais forte.

Talvez eu precise disso para dar um ponto final a esse capítulo. Mas, se ainda me pego pensando em você, o quanto (de fato) ainda falta para o fim? Qual será a real parcela de mim que você ainda possui? Ah, droga… E se você voltar? Rezo para que não volte. Não ainda. Não até eu decidir qual será o desfecho dessa minha história que, ao que parece, segue com páginas em branco.

Textos

Aquele dia

Aquele dia, você chegou mais fundo na minha alma. Cravou a bandeira de conquista absoluta de território e eu assenti sorridente. Aquele dia, não sabia se era minha mente ou se eram os meus pés que estavam nas nuvens. Não sabia distinguir se meu coração batia dentro ou fora do peito. E eu sentia cada veia pulsando, ora sangue gelado, ora sangue fervido por você.

Aquele dia, eu poderia passar horas a fio olhando nos seus olhos, decorando onde há pontos mais escuros no seu castanho. Poderia perder as contas de quanto tempo passaria beijando sua boca, sua testa, suas bochechas e o corpo inteiro. Poderia lhe fazer carinho incansavelmente e te ver sorrir.

Aquele dia, seus toques ultrapassaram meus sentidos na pele. Fizeram carinho até naquela parte feia do meu ser, que não merece sequer um lançar de olhos. Mas, naquele dia, você chegou até lá e amansou essa porção sombria que eu carrego escondida. E, naquele dia, eu entendi o que é a real entrega a alguém.

Aquele dia, eu entendi o que as pessoas querem dizer quando falam que são as únicas no mundo. Porque, naquele dia, éramos só eu e você. Se tinha espectadores, figurantes e outros personagens em cena, eu ignorei o fato completamente. Porque, naquele dia, no meu mundo, só havia você.

Naquele dia, eu consegui te amar ainda mais e sentir isso em cada poro. Agradeci de olhos fechados, a Deus, ao destino, ao universo e a todos os outros seres mitológicos por ter você em minha vida. Naquele dia, eu vi que você me queria do mesmo tanto e jeito que eu te quero e, desde então, eu vivo aquele dia.

Postagem coletiva

Eu não sou sua vítima

Postagem coletiva do grupo Escritores na Era do Compartilhamento, com o tema: “Recomeço”.

Eu ainda estou no chão empoeirado em que você me largou. Meus olhos viram seus últimos passos, mas meu coração não aceita. “Esperança é a última que morre”, mesmo quando a gente tenta, com todas as forças, sufocá-la. Ela é persistente.

E na imundice das suas mentiras e jogadas, eu espero ela fraquejar e desistir de mim. Desistir de você. Ir embora do meu corpo, levando consigo o que, uma vez, foi o amor que tive. Ele era lindo, por sinal (pelo menos, para mim).

Mas você foi e me arrancou a beleza dos dias. Abruptamente, meu mundo ficou cinza e as cores que enfeitavam minha rua, ficaram frias. A paleta desbotou e a tinta que pintava o meu sorriso escorreu.

Só que eu não estou aqui para te falar que sou vítima. Posso ter sido… Até a história, como todos os roteiros, ter uma revira-volta. Eu poderia ter ficado deitada e sem forças, sim. Mas quando a esperança da sua volta, enfim, morreu, veio uma força para substituí-la. E eu me levantei.

Fiquei alta, como você jamais me deixaria ser. Cheguei ao recomeço depois de lançar você no esquecimento. Foi como me soltar de uma âncora. E, agora, voltei a navegar pelos mares como se nada pudesse me parar.

Não quero vingança, não se preocupe. Sou maior do que isso. Eu prefiro simplesmente não saber mais de você. Se está bem ou não. Se está com alguém ou não. Não me interessa. Faça o que bem entender. Não te desejo nem bem, nem mal. Mas, para mim, ah… Para mim, eu desejo toda a felicidade do mundo. E é atrás disso que eu sigo recomeçando.


Postagem coletiva – Leia também
(links serão adicionados aqui conforme forem publicados):

Tudo novo, de novo, por Nathalia Moraes
Quando a gente recomeça, por Sâmela Faria
Outros dias virão, sempre, por Juliane Rodrigues

Receitas

Cheesecake de Limão

Final de semana é sinônimo de sair da dieta e ser feliz. Eu resolvi tentar, pela terceira vez, fazer um cheesecake. Era uma questão de honra, já que as outras duas vezes (veja aqui e aqui) foram um fiasco. Na verdade, eu tinha até desistido de fazer essa sobremesa… Estava resolvida a fazer o mousse de iogurte para não passar carão na frente das visitas.

Mas uma das piores coisas que você pode fazer no Facebook é seguir o Tastemade Brasil, porque você está lá de boa e bem felizinha pensando no mousse que você vai fazer, quando surgem vídeos como este:

Aí, você sente a necessidade de comer e fazer essa maravilha. Vamos, então, aos ingredientes!

200g de bolacha maizena
100g de manteiga sem sal (derretida)
Raspas de 1 limão e suco de 3 limões (aproximadamente 125ml)
1 pacote de gelatina sem sabor
400g de cream cheese(em temperatura ambiente)
1 caixa de leite condensado
1 caixa de creme de leite (frio)

Modo de preparo

1. Antes de começar, retire o cream cheese da geladeira e deixe-o chegar em temperatura ambiente. Bem mole.

2. Para a massa do cheesecake, triture a bolacha maizena bem fina e numa tigela misture bem com a manteiga derretida até formar uma massa que molde – Ver detalhes no vídeo.

3. Cubra todo o fundo e lateral de uma forma de aro removível untada com manteiga (essa quantia deu certo para a minha forma de 24cm). Vá moldando a base e lateral da forma com a mistura de bolacha e manteiga, pressione bem com a ajuda de um copo, ou colher até que tudo fique bem lisinho. Leve para assar em forno pré-aquecido a 180°C por 10 min. Retire e deixe esfriar completamente

4. Para o recheio reserve as raspas de 1 limão e retire o suco de aproximadamente 3 limões – precisaremos de 125ml de suco. Adicione num recipiente, o suco do limão e a gelatina sem sabor. Mexa bem e reserve até a gelatina hidratar. – 10 min, aprox.

5. Na batedeira (ou na mão mesmo, com um fuê) bata um pouco o cream cheese, somente para “desmontar” e começar a ficar cremoso. Adicione o leite condensado e bata até ficar bem cremoso (vai parecer chocolate branco derretido).

6. Reserve a mistura numa tigela e prepare a gelatina. Neste ponto a gelatina deve ter engrossado o suco de limão, está hidratada, agora é só levar ao microondas de 10 em 10 segundos até ficar líquida. No nosso microondas usamos 20 segundos no total, mexendo entre cada vez. A gelatina não pode passar de 50 graus, então é importante ir esquentando aos poucos pra não correr o risco de passar.

7. Junte a gelatina e as raspas do limão no creme e misture tudo muito bem. Na batedeira novamente bata o creme de leite fresco até o ponto de chantilly e encorpore na mistura aos poucos, com cuidado para não perder muito o ar do chantilly e a cremosidade. – Ver detalhes no vídeo.

8. O chessecake está pronto, é só arrumar na forma, com a massa fria, e cobrir para levar para geladeira por no mínimo 4 horas (eu deixei de um dia para outro)Para desenformar é só liberar a lateral do chessecake na forma com uma faca, e abrir a forma. Deve sair facilmente.

É um pouquinho trabalhoso, mas não é nenhum bicho de sete cabeças. A textura fica leve e a massa, crocante. Na verdade, eu poderia ter colocado menos bolacha e/ou mais manteiga, porque ela ficou um pouco farelenta, mas é detalhe. O desafio para mim, era acertar o recheio. E dessa vez, É TETRA!

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