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novembro 2015

Textos

Te amo pra sempre

Sem me lembrar de qual dia amanheceria, eu sonhei com seu apartamento. Estava um pouco diferente do que eu me recordo, mas eu sabia que era ele. Vi o armário do seu quarto com o grande espelho e seus perfumes. E, para me certificar, abri o que estava mais vazio (aquele seu do dia-a-dia) e foi como cheirar sua pele novamente.

Passeei pelos cômodos e fazia uma lista do que precisava ser arrumado. A minha dúvida era: Quem aproveitaria das melhorias? Seria para você? Será que, em meu sonho, você ainda estava aqui? Acordei com uma saudade sem medidas antes de descobrir a resposta.

Até tentei dormir outra vez e retomar o sonho, na ânsia de rever seu rosto chegando com aquele sorriso que fazia seus olhos ficarem pequenos dentro dos óculos, mas gigantes do meu coração.

Quando abri o Facebook, para meu espanto, a primeira coisa que aparece para mim é uma foto sua. E aí a enchente de saudade veio com força total porque lembrei que foi hoje. Sinto sua falta todos os dias, claro, mas os 23 de novembro sempre doem um pouco mais que o normal.

Hoje é o dia que o choro fica sempre amargando a garganta e preso dos olhos. O dia em que tenho que manter o foco para não cair em prantos querendo te abraçar outra vez. Hoje é o dia da despedida que não sei se tive tempo de dar. Hoje é o dia que eu queria não ter vivido.

Textos

A necessidade dos rótulos

Acho muito estranho essa necessidade humana em dar nome a tudo e a todos. E pior: ficar preso ao rótulo, como se fosse aquela a única definição para o outro ser humano. “É hétero”. “É homo”. “É trans”. “É negro”. “É crente”. “É gorda”.

E são esses termos que levam em consideração para avaliar se a pessoa é boa ou não. Se é bonita ou não. Se está certa ou não. É o tal julgar o livro pela capa e tomar aquilo como verdade única e absoluta.

Cada rótulo traz uma parcela diferente de cobranças, já notou? Se é namorado, logo precisa ser noivo, em breve ser marido, para, então, ser pai. E tem que ser bom. O melhor. Em todas as funções, de preferência.

E parece que ser humano não sabe ficar sem nomes. Dias atrás descobri que homens que seguem o estilo “lenhador” são chamados de “lumbersexuais”. Pronto! Barbudos com camisa xadrez também não ficaram livres.

O ruim dos rótulos é a esteriotipagem. Esperamos atitude “X” porque pessoa “é Y”. Por vezes, isso nos faz chegar já com cinco pedras nas mãos, na defensiva. E aí, como vai dar certo se já somos invadidos pelo espírito de inimizade e desconfiança?

Minha dica é: Esqueça essas marcas. Somos humanos. Somos diferentes. Aprenda com quem não é igual a você a abra seu leque para a diversidade do mundo. Tente não dar nome a tudo. Surpreenda-se. E vamos tentar viver num mundo sem etiquetas.

ETC

Hoje, eu não amo mais você

*Texto publicado originalmente no Entre Todas as Coisas

Eu não posso mais ficar aqui. Não consigo mais… E você pode achar que é terrível ouvir essas palavras, mas dizê-las me dilacera a garganta. Estou tão braba e nem sei com quem, assim como também não sei a quem responsabilizo essa tristeza de não querer mais estar com você.

Quando me deitei ao seu lado essa noite, eu soube que isso não ia passar. Quando você me abraçou, meu corpo sufocou. Quando você me beijou, eu não quis fechar os olhos e a raiva comigo mesma me dominou.

Minha voz começou a gritar na minha cabeça: “Que ser grotesco eu me tornei? Porra, é ele! É o cara que eu escolhi pra mim. Eu deveria estar entregue , mas… Mas eu to querendo fugir e nem sei por quê!”. Eu quis chorar e deixar as lágrimas de um misto de sentimentos expurgarem a minha culpa e vergonha por não achar mais em mim a vontade de te amar.

Eu queria poder explicar o passo a passo da minha constatação. Queria poder localizar o momento exato em que o amor esvaiu de mim. E eu torci para que fosse só uma fase, talvez um dos reflexos chatos da TPM, mas essa certeza se crava cada vez mais fundo em todas as partes quebradas do meu coração: eu não te amo mais.

Seu rosto já não desperta furor – por mais que eu tente senti-lo. Eu sei que, quando eu resolver te contar que preciso ir, você vai sofrer. Mas você não faz ideia do que é ser silenciosamente destruída dia após dia, vendo um amor que tive, ora tão bonito, se apagar.

Eu queria te amar para sempre, conforme jurei e te disse incontáveis vezes. Mas a gente esquece que o amanhã não nos pertence. E, hoje, eu já não te amo mais.

Textos

Nada melhor do que não fazer nada com você

Para ler ouvindo: Mania de você – Rita Lee 

Tudo que eu faço tem mais graça quando você está. Dá mais cor e mais gosto. Acentua a experiência de viver. E isso também acontece quando fazemos nada juntos. Quando apenas deixamos os corpos sobre o sofá ou sobre a cama, sem distrações, a não ser as nossas conversas imaginando o futuro.

Prendemos as horas entre abraços, carícias, risadas e conversas longas. E, num silêncio breve, decoro o seu rosto com as pontas dos meus dedos. Passeio pela testa, olhos, barba e lábios. Encerro o tour com um beijo e voltamos a nos olhar e sorrir, sem pressa de sair dos olhos um do outro.

E só eu sei a preciosidade desses momentos de nada. Só eu sei o quanto pulsa meus “eu te amo” e como cada parte do meu corpo os sente percorrendo as veias. Talvez seja por isso que a gente nem precise de muitas palavras. Vai direto do meu coração para o seu e vice-versa.

Fazer nada com você reforça o quanto eu te quero e como você faz todo o caos lá de fora (e daqui de dentro) aquietar. E me divirto quando vejo o teto branco virar tela das cores dos nossos sonhos. E assim, vendo a obra de arte, percebo que o nosso nada se torna o meu tudo.

 

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