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dezembro 2015

ETC

Ela é de Áries

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

[Você pode ler este texto ao som de Confident]

Ela se apega aos começos, porque ela é primeira. Vai guardar bilhetes de cinema, shows, nome do restaurante, o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira briga. Se ela se apaixonar por você, vai cultivar esse sentimento com o maior zelo.

Seja a aventura dela. Deixa ela te descobrir e mapear. Rondar as suas margens e se afundar nos seus segredos. Não precisa ter medo, não. Ela vai guardá-los como se fossem dela própria, abaixo de todas as camadas sociais.

Você não precisa esperar os lábios se encontrarem para sentir o beijo dela, rapaz. Ela começa no jeito de te olhar. Cria uma atmosfera que parece pertencer a um universo paralelo, onde ela é o sol.

Quando o beijo, enfim, chega, ela irradia. Ela vem de corpo e alma ao encontro da sua boca. Te faz arder em desejo (em suas mãos, porque ela vai te dominar, mesmo quando você pensar que não). Ela lidera o ritmo, o contato, a pressão, os movimentos.

Não espere que ela baixe a cabeça para as tuas vontades – as dela vem em primeiro lugar. Ela sabe melhor do que você o que quer para a vida e como chegar lá. Ela é forte, rapaz, mas não nega um cuidado. E, se você o der verdadeiramente, ela será sua pra sempre.

Textos

E você nem imagina

Não sei se você sabe, mas somos companheiros de viagem diária. Geralmente, eu já estou acomodado nos assentos mais ao fundo quando você embarca. E é sempre um prazer vê-la subir a bordo. Eu te acho linda, moça. E sequer sei o seu nome e o que faz da vida.

Por favor, não me ache um louco por imaginar inúmeras situações em que me apresento e você sorri em retorno. Mas você já me encantou e você nem imagina que eu existo. Queria muito saber quais lugares você frequenta para esbarrar com você e puxar assunto.

Ah, moça… Será que seu coração já tem habitante? Será que você pensa em alguém quando ouve suas músicas de olhos fechados? Maldita timidez que me faz ficar sentado aqui, só te olhando à distância.

Mas também… Se eu me aproximasse durante o trajeto, você poderia pensar mal de mim, já que tem tanto maluco por aí. Eu não sou como esses caras. Se eu tivesse a oportunidade real de chegar perto de você, seria para tentar ficar sempre ao seu lado.

Essa é a minha parada, moça. É a hora que, mentalmente, me despeço de você e te dou um beijo na bochecha – juro que é só isso! – como a despedida carinhosa de dois amigos. Ao me levantar, para a minha surpresa, você também começou a vir em direção a porta de saída. Perdi o fôlego e te dei a preferência para desembarcar.

Quando desci, você ainda estava ali, parada. Quase não acreditei que você ficara ali para falar comigo.

– Você foi muito gentil. Obrigada! – e me deu um sorriso mais lindo do que todas as versões que eu já imaginei.
– Não foi nada!
– Ei… A gente sempre pega esse ônibus, né? Acho que já te vi outros dias.
– Sim, esse é o meu diário.
– Ah, bom saber que um cavalheiro me acompanha. Obrigada de novo e tenha um bom dia,…

Era a deixa pra eu me apresentar.

– Felipe.
– Prazer, Felipe. Meu nome é Bianca. – E, como eu sempre quis que fosse, você sorriu ao ouvir meu nome.
– O prazer é meu. Um bom dia pra você também. Até amanhã, então, né?
– Sim! Até.

Eu te vi ir para uma direção e eu peguei o meu caminho de sempre, na direção oposta. Mas hoje, moça, eu caminhei em nuvens e saí a assoviar melodias de um coração alegre.

Textos

Minha saudade tem metragem definida

Para ler ouvindo: Jealous – Labrinth

Hoje é mais um dia sem você aqui. Mais um dia em que tenho que tentar transmitir tudo o que eu sinto por um telefonema. Fingir que conversas por mensagem substituem a mesa do bar ou o sofá da sala. Mais um dia que preciso aceitar que você está aí e eu não.

Minha saudade tem metragem definida, com preço de passagem certo, com horas nos ponteiros marcadas. E tem dias, como hoje, que eu tenho que tentar amansá-la como se fosse uma criança e dizer que nos veremos logo.

Eu queria que isso fosse verdade. Não que eu precise te ver todo santo dia, passar horas com você. Isso seria cansativo e prejudicial para o relacionamento. Mas eu queria, pelo menos, ter a opção de escolha.

Queria poder ir te buscar no trabalho para almoçarmos. Queria poder marcar aquele encontro com o casal de amigos. Queria poder dormir abraçada numa tarde preguiçosa. Queria poder contar o meu dia enquanto te faço cafuné.

São essas coisas do amor que eu não entendo. Que eu acho que o Cupido é um ser que vive a fazer pequenas maldades com os corações. Amor é burro e, quando é assim, é dolorido. Amor é teimoso. Amor é esperançoso. Mas nem sempre eu tenho certeza de que vou acompanhar esse ritmo quase inconseqüente.

Porque é difícil. Tem dias que fico zangada com a sua ausência não sei nem com quem estou brava. Se é com você ou se é comigo. Se eu quero brigar com você ou se quero chorar nos seus braços.

Tem dias que a imaginação vai além do que deveria e te imagina com outras pessoas. Amigos, amantes. Não sei. Quando a insegurança bate, eu não me responsabilizo pelos meus pensamentos. E te peço desculpas. Não é desconfiança. É saudade atrelada aos dias sombrios.

Eu amo você e sei que você sente o mesmo, porque eu também ouço sua voz trêmula quando diz que sente minha falta. O que eu odeio é a distância que me impede de ser sua por completo. Não só de alma, mas também de corpo.

Listas, Textos

Os melhores de 2015

Ano acabando, é hora da tradicional retrospectiva do Cereja no Ombro. Rever quais foram os melhores textos do ano. Então, vamos lá: Quais foram os destaques do blog em 2015..

Antes que eu te ame
Não era esse o combinado, mas o coração me pregou uma peça de mau gosto. A última coisa que eu queria era isso, porque eu sei que você não está na mesma página que eu – nem pretende estar.

Te baguncei
Eu queria te bagunçar, sim. Mas a bagunça que eu buscava envolvia só cabelos desgrenhados, roupas amassadas, lençóis pelo chão. Queria, talvez, uma bagunça no seu escritório, tipo aquelas cenas de filme, em que a mulher chega de surpresa, tira as coisas de cima da mesa para ela poder deitar. Era essa bagunça que eu queria e não a que eu causei.

Eu preciso dizer que te amo
Hoje eu acordei com coragem para dizer “eu te amo” e enfrentar o possível silêncio de retribuição. Hoje, resolvi aceitar que você não precisa falar o mesmo. Ninguém é obrigado a amar o outro. O que eu não posso mais é deixar isso engasgado e desbaratinar com assuntos aleatórios para ver se o caroço some da garganta.

Eu prefiro sorrir
Você que me dizia para eu sempre dizer o que penso. Para não esconder meus sentimentos, porque isso, um dia, iria me deixar louca. Então, seguindo o seu conselho, vou te dizer: Quando fiquei sabendo que não deu certo pra você, eu sorri.

Não era pra você ser tão grande
Eu achei a sua frequência. Já aprendi a te sintonizar e deixar nossas lembranças tocando sem intervalos comerciais ou ruídos. É você, em claro e bom som. Somos nós e nossas risadas. É a nossa música. São os nossos suspiros e gemidos. São meus tesouros.

Eu te amo porque…
Eu te amo porque sua risada me faz bem. Adoro te ouvir rir gostoso até perder o fôlego. Te ouvir gargalhar me faz sorrir.

Eu, bomba relógio
Eu não sou sua inimiga, moça. Não me odeie só pelo título que carrego – mas isso também não é um convite para me conhecer melhor. Só me deixe estar, assim como eu a deixo. Acredite, eu quero o mesmo que você: que ele seja feliz. E eu abri mão de estar ao lado dele visando esse objetivo.

Te descobri
Eu te descobri num olhar. Já tinha visto você várias vezes e passado horas na mesa do bar falando besteiras pela madrugada, mas eu ainda não havia realmente olhado você. E bastou um único olhar para eu realmente achar você em mim.

E se você voltar?
Não posso deixar minha cabeça muito solta, porque ela sempre acaba indo até você. Perambula pelas possibilidades, quiçá impossíveis, de um novo encontro nosso. De uma tentativa de reaproximação sua. E como eu reagiria caso você decidisse voltar.

Nada melhor do que não fazer nada com você
Tudo que eu faço tem mais graça quando você está. Dá mais cor e mais gosto. Acentua a experiência de viver. E isso também acontece quando fazemos nada juntos. Quando apenas deixamos os corpos sobre o sofá ou sobre a cama, sem distrações, a não ser as nossas conversas imaginando o futuro.

O seu favorito está na lista?

Postagem coletiva

Me dá um cigarro

Postagem coletiva do grupo Escritores da Era do Compartilhamento, com o tema: “Me dá um cigarro“.

Lembro como se fosse ontem.

Eu estava com os caras no bar já fazia horas e saímos para fumar. A casa estava cheia e eu já estava meio virado, confesso. Acho que a gente percebe que está ficando velho quando começa a sentir mais rapidamente os efeitos do álcool.

Eles quiseram ir para o canto, conversar com umas meninas que viram um pouco antes – nenhuma delas havia chamado muito a minha atenção, mas eu estava lá e não ia negar fogo. Foi aí que você me tirou do rumo.

A dona dos olhos mais intensos que eu já vi parou na minha frente e pediu:

– Oi, me dá um cigarro?

Eu não sei quanto tempo eu fiquei parado olhando para você. Eu paralisei. Eu quis te beijar ali mesmo. Quis te conhecer, saber seu nome, sua vida, o nome dos seus pais e do seu primeiro cachorro. Ali, naquele nosso primeiro segundo, eu já te quis.

– Claro, tenho, sim.

Enquanto apalpava os bolsos para encontrar a carteira, você soltou:

– Curti sua camiseta…

Olhei, porque não lembrava o que estava vestindo e me achei um idiota: Era uma camiseta que ganhei de aniversário, de sacanagem mesmo, e os caras duvidaram de mim. “Aposto que não usa!”, disseram. E eu resolvi ganhar essa aposta hoje… Te conheci vestindo uma camiseta com estampa do Bob Esponja.

– Ah, isso aqui é uma brincadeira com meus amigos. Juro que tenho bom gosto!

E, pela primeira vez, te fiz rir. Menina, você arrombou meu coração nessa hora. Se eu já estava viciado nos seus olhos, o seu sorriso foi a cartada final para eu sair dali já sonhando com você.

– Qual é seu nome?
– Marina. E o seu?
– Robson.

E passamos o resto da noite ali, jogando conversa fora. Descobri sua banda favorita, que veio de Minas quando era ainda pequena, que é a irmã do meio, que trabalha com design de interiores. E você descobriu que me ganhara. Eu não fiz questão nenhuma de esconder que eu já era louco por você.

O que eu quero dizer, menina (minha menina) é que, ao me pedir um cigarro, você me ganhou por inteiro.


Postagem coletiva – Leia também os textos “Me dá um cigarro” de:

Tatiane Argenta
Pâmela Marques
Mario Feitosa
Joany Talon
Jeessy Batista
Mariah Alcantara

Textos

Essa é a última vez que te deixo

Essa é a última vez que eu te deixo. Dessa vez, insistir será inútil. Você conseguiu estragar tudo definitivamente agora. Não tem mais conserto. Eu to indo e é sério: Eu não volto mais, porque eu cansei e esgotei de segundas chances.

Não me olhe assim. Não adianta mais. Agora é tarde dizer que está arrependido e que isso nunca mais vai se repetir. Minhas malas estão prontas e minha mãe já está me esperando. Daqui uns dois dias eu volto para terminar de buscar minhas coisas.

Me solta. Eu não quero mais saber do seu abraço cafajeste. Nem vem inventar conversinhas no meu ouvido, dizendo que eu sou a mulher da sua vida. Tivesse pensado nisso antes. Não põe a mão na minha cintura…

Para com isso. Você diz que me ama, mas só sabe me machucar com seus erros idiotas e repetidos. Levanta do chão que essa ceninha ensaiada não vai resolver. Não vou mudar de ideia.

Sai da frente da porta. Por favor… Me deixa sair. Eu preciso, porque isso aqui já não faz mais sentido. O que? Pra você, faz? Você está chorando? “Implora para que eu não vá”? Você só me confunde. Ah, meu Deus… Por que você deixa mais difícil?

Não chega assim tão perto. Não põe a sua boca na minha. Não me abraça… Promete que não vai mais fazer besteiras? Eu gosto quando você segura a minha mão assim. É, você tem razão. Melhor eu levar a mala pro quarto de volta.

Amor, não me machuque mais. Se acontecer outra vez, será a última vez que eu te deixo. De novo.

ETC

Eu também pensei que fosse mais forte

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Me desculpa.

Eu sou uma covarde. Não estou me vitimizando, não. Eu fugi por medo. Mas o pior não foi isso… A parte mais difícil foi não ter encontrado a coragem pra te dizer isso na forma mais clara e direta: “Eu estou com medo!”. Preferi escolher palavras bonitas para amenizar as coisas e o resultado foi catastrófico e cheio de perguntas sem respostas.

Me desculpa.

Eu sou uma mentirosa, mas eu não queria te machucar com a verdade, por mais injusto que isso pareça. Algumas verdades não precisam ser ditas. Caso contrário, só vão causar mais estragos. Optei pela destruição interna e a deixei guardada. Ela ainda me alfineta de vez em quando, mas acho que já me acostumei com a sensação.

Me desculpa.

Eu pensei que estava pronta também. Mas a ideia começou a tomar proporções reais demais e eu ainda não estava preparada para a realidade. A fantasia estava mais confortável. Por isso, quando você chegou, eu saí. Com vergonha e milhares de desculpas, mas sem justificativa ou rumo.

Me desculpa.

Eu também pensei que fosse mais forte. Eu não queria ter sido a que desiste, mas você me amava demais para tomar a decisão. E isso é outra coisa que me aperta o coração: desde o início, você me amou demais. E por mais que eu tenha te amado com tudo o que eu sou, ainda era diferente. Você me pôs numa espécie de altar e eu nunca fui digna de tal adoração.

Me desculpa.

Eu errei. Não por tê-lo deixado ir, mas por ter calado por tanto tempo e deixado você imaginar que tudo estava bem. Me desculpa… Essa frase me persegue desde aquele dia. E, se um dia a gente se encontrar, eu sei que eu vou apenas disfarçar o desconforto de ter que engoli-la mais uma vez, porque eu sou covarde. Mentirosa. Despreparada.

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