Monthly Archives

janeiro 2016

Textos

Quando eu te encontrar

Eu sei que você está em algum lugar por aí. Talvez seja loiro. Talvez tenha traços orientais. Talvez tenha cabelo cacheado. Não sei (e não me importa, na verdade). Eu só sei que, quando eu te encontrar, meu coração vai bater alto.

Se você chegar e eu não perceber, por favor, insista. Eu sou tão desligada às vezes que posso demorar para ver que é você. E eu espero que você não sofra do mesmo mal, senão, teremos um problema sério de desencontro.

Não vou mentir e dizer que estou quieta te esperando. Não estou. Estou me divertindo e muito, principalmente com caras errados. Mas o meu sonho é compartilhar de bons momentos com a pessoa certa. E é aí que você – e só você – fará toda a diferença.

Quando eu te encontrar, não quero que você pare de caminhar. Quero ir com você, em busca de algo que a gente decida no caminho. Vamos procurar a felicidade. Um destino frio. Uma montanha. Uma piscina natural. Um casal de velhinhos com 20 netos. Não sei. A gente transforma a jornada no jogo que a gente quiser.

Ah, vem sem pressa, tá? Não quero antecipar, nem atrasar nada. Acredito que tudo tem seu tempo, inclusive a sua chegada na minha vida. Mas se vier cedo demais, posso não estar pronta. E se demorar, posso ter te confundido com outra pessoa.

Quando eu te encontrar, vou me alargar em sorrisos, me espremer em beijos e me guardar em abraços. Mas não vou ficar tentando adivinhar que horas você chega. Eu sei que vou te encontrar no tempo que for preciso. E até lá, eu sigo vivendo.

Textos

Eu quero acreditar

Eu quero acreditar que você diz a verdade. Que, ao olhar nos meus olhos e diz que será diferente, você está sendo sincero. E vai se esforçar para não cometer os mesmos erros. E eu quero acreditar que suas tentativas serão de bom grado e de coração.

Eu quero acreditar que seu arrependimento é real. Que suas palavras não são apenas da boca pra fora e que suas lágrimas não são resultado de suas aulas de teatro. Eu quero acreditar que podemos voltar a ser como éramos antes.

Você lembra? Será que isso te impulsionou a querer outra chance? Eu me recordo bem de como era bom. De como a gente se engrenava em qualquer situação antes das suas mentiras e desculpas.

Dizem que relacionamentos terminam por culpa dos dois envolvidos. Mas não serei hipócrita. Você me enganou porque quis. E, talvez, caiba a mim a responsabilidade de ter acreditado tão cegamente em você. Mas a gente confia na pessoa que amamos… Se não, qual é o sentido de estar com alguém?

E aí eu me pergunto: Vale a pena um relacionamento ser retomado apenas com meia confiança? Porque eu não tenho como estipular em quanto tempo poderei fechar os olhos por você novamente. E, nesse período, como seria estarmos juntos?

Eu quero acreditar que você vai acertar tudo. Que vai mudar, vai deixar a parte mesquinha e ardilosa e se entregar a mim e a nos com sua parte mais limpa. Eu quero acreditar, amor. Mas seus olhos não conseguem me transmitir mais a mesma sensação de segurança.

Eu quero acreditar que você não é um monstro.
O problema é que eu já sei que você é.

ETC

Não tenho mais medo

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu não tenho mais medo, amor. Agora, eu digo, grito e berro que eu te amo. E que se danem os vizinhos se acharem ruim a minha serenata. Tô nem aí. Porque eu to feliz e confiante em declarar que esse amor me faz bem.

É que nem todos fizeram isso. Amor mal direcionado vira ferida desatada. E dói lembrar as vezes que disse “eu te amo” para o alvo errado. É como se as palavras ricocheteassem e voltassem para mim em brasa.

Mas dessa vez é diferente. Eu já te amava baixinho, sem saber se você também o fazia em segredo (quer dizer, eu sabia que você me amava em retorno também, mesmo em silêncio). Resolvi guardar para mim as palavras e deixar que o corpo fizesse o trabalho dessa vez. Quem sabe assim você perceberia o quanto eu te quero bem.

Eu dizia que te amava em cada abraço de chegada e em cada beijo de despedida. Em cada dedo entrelaçado nos seus cabelos. Em cada carinho na bochecha ou nas costas. Em cada olhar demorado e em cada crise de riso. Em cada conversa de final de dia e em cada desabafo.

Não sei por que eu tinha essa fobia em verbalizar o que já estava na cara (e em todo o resto de mim). Talvez porque você poderia não ter interpretado bem aquele meu sorriso… Vai que você não é tão bom na leitura de entrelinhas?

Mas já fazia uns dias que não tava mais dando pra segurar isso na garganta. Parece loucura, mas chegava a doer de verdade. Fisicamente. E aí, eu o deixei sair. Inseguro. Trêmulo. Sussurrado. Sem saber o que esperar em retorno.

Para o fim de todos os meus temores, você sorriu e disse um “eu também”. Parece que as palavras vieram em câmera lenta. Seu tom de voz foi suave. Tenho certeza de que vou guardar esse momento para sempre. Principalmente se eu voltar a ter medo.

Textos

Só eu sei

Não adianta me apontarem direções. “Vá por aqui”; “Este é o caminho que você deve seguir”; “”. Tantas frases, conselhos não pedidos, invasivos. Mas a verdade é que só eu sei do meu trajeto. E, apesar de acharem que sim, eu não devo satisfações, explicações ou justificativas.

É perigoso deixarmos outros definirem nossa vida e gostos. Somos nós quem damos nossos passos. Podem até saber dos fatos, mas nunca sabem da nossa verdade – aquela que guardamos para nós mesmos ou contamos ao travesseiro antes de dormir. E, se soubessem, muito provavelmente não entenderiam.

Não vai faltar gente querendo ditar a lista de “faça isso, não faça aquilo” na nossa vida. É diferente de aconselhar, ajudar, trazer uma luz para quando estamos confusos. Tem gente que vai surgir com o propósito de fazer o seu sonho parecer patético. E, para essas pessoas, você vira as costas, tapa os ouvidos e sai cantando conforme o planejado.

O difícil é distinguir quem são essas pessoas. Críticas vão surgir sempre. Basta você peneirar as que são construtivas e as que foram ditas apenas para depreciar. Porque, nem sempre, apoiar significa falar apenas o que a pessoa quer ouvir, mas o que ela precisa ouvir. E isso vai doer. Mas não deixe se desanimar.

Só eu sei o que eu quero pra minha vida. O que eu busco. O meu objetivo. O que eu conto ou deixo aparecer é apenas uma parcial. O meu foco real fica entre mim e meu pés, que me levam na direção que eu quero ir.

Textos

Eu sonhava…

Toda vez que fecho os olhos ao lembrar de você, nunca sei qual sentimento vai me atingir. Se vou me alegrar, se sentirei saudades, se vou ficar com raiva ou se vou querer chorar de novo. Quando se trata de lembranças de nós dois, é sempre uma roleta russa.

Queria que as boas memórias tivessem a mesma força das ruins. Tão bom lembrar aquela vez que, de longe, ao me olhar da piscina, você me piscou em segredo. O rubor nas minhas bochechas foi instantâneo e tive que baixar o rosto para esconder o riso frouxo que surgiu. Nem sei se isso significou algo para você. Mas, para mim, foi de tamanha importância que virou lembrança. Uma das minhas favoritas.

Antes de me fazer mal, você me fez bem. E é para essa parte que eu tento dar importância e valor. Nesse trecho da nossa história, você ainda não era tão real para os meus sonhos. Ainda se encaixava nos meus floreios.

Mas quando os enfeites do meu vislumbre foram saindo, você foi aparecendo mais. O seu verdadeiro. Não que fosse ruim, mas estava longe de ser quem eu pensei. Falha minha. Minhas expectativas, meu erro.

Acho que é por isso que nunca sei o que sentir. É um misto de decepção com curiosidade. Mistura alegria, paixão e dor. Como se tivessem batido os sentimentos num liquidificador e eu não sei o que dizer.

Isso me faz entender Cazuza. Aí eu saio a cantarolar (para mim mesma) por aí: “Você sonhava acordada, um jeito de não sentir dor, prendia o choro e aguava o bom do amor”. É, eu sonhava. Alto. Sem medo. Mas você… Você só era. E isso me fez acordar.

Textos

Quero um “eu” feliz

É Ano Novo. É um novo ano.

E, como aconteceu em todos os outros antes desse, nossas expectativas se renovam. Será que esse ano vai ser melhor? Será que esse ano as coisas mudam? Será que dessa vez vai ser diferente?

Será?

Mas de que adianta ser um novo ano se ainda somos os bons e velhos nós mesmos de sempre? Será que ajudamos as nossas esperanças continuando do jeito que terminamos o ano anterior?

Não podemos exigir mudanças se elas não começarem por nós. Pequenas, médias, grandes, gigantes. Não importa a proporção: tem que começar por mim e por você.

Claro que não é fácil. Mudar, sair da zona de conforto é um risco com 50% de chances de dar certo. E esse medo da metade negativa nos prende no nosso “velho eu”, porque “ah… deixa. Tem dado certo assim”.

Mudanças levam tempo de adaptação. Até as menores e, talvez, insignificantes para os outros. Por exemplo: Decidi que vou cortar o cabelo! Mas cortar mesmo. Curtinho. E eu sei que vou levar uns três dias me olhando no espelho para entender que aquela sou eu.

Eu quero mais. Ser mais. Sorrir mais. Tentar mais. Arriscar mais. Lamentar menos. E acho que você deveria fazer o mesmo.

Arrisque. Não deixe que as expectativas se diluam nas noites e nas tristezas do cotidiano. A gente não sabe o que está por vir. E nem precisa. Mas devemos estar preparados para as transformações sem aviso prévio. Aquelas que chegam como ventania de temporal.

A roupagem do ano anterior não te serve mais. Nem a minha em mim. Eu não sou mais quem eu fui ontem e, com certeza, não serei a mesma amanhã. E não quero ser.

Quero um eu novo. Quero um eu feliz.

Textos

É hora de acordar

Está na hora de acordar – para a vida.

Sabe, colocar meus pés no chão e decidir, de maneira real, o que eu vou fazer da minha vida. Continuar sonhando, claro, mas não deixar me levar demais pelas fantasias.

Nem eu nem você estamos ficando mais jovens com o passar do tempo e eu sinto que, até agora, minhas realizações não chegam nem perto do que eu realmente posso conquistar. Você já sentiu isso?

Talvez seja pensamento de ano recém virado. Talvez seja vontade antiga emergindo. Talvez seja um chacoalhão, uma luz, uma direção. Não sei. Mas tem uma voz me dizendo isto: “Acorda!”.

E não dá mais para pedir por cinco minutos extras. Não quero mais atrasar minha própria vida. É autossabotagem e só eu posso impedir isso. Desapegar do conforto e encarar novas oportunidades. Arriscar novos desafios. Me jogar em novas aventuras.

É hora de acordar.
E só para que o mundo saiba: eu acordo de bom humor!

Close