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abril 2016

Textos

Bloco do eu sozinho

Eu já atravessei um oceano sem ninguém ao meu lado, a não ser a cara e a coragem. Fui a um país com idioma, cultura e costumes totalmente diferentes. Aprendi a ler mapas, a me virar para entender o que diziam e até a pedir socorro quando a situação mudou um pouco.

Deu medo. O frio na barriga começou quando paguei a primeira parcela da passagem aérea, para apenas uma pessoa, mas eu estava disposta a tentar. Não teria nenhum rosto familiar me esperando, só uma pessoa da imigração não muito simpática.

Eu viajei sozinha e não voltei a mesma pessoa. Experiências com a gente mesmo como companhia nos faz entrar em contato com um lado nosso que, até então, não conhecíamos – porque nunca houve a necessidade para tal apresentação.

E quer saber? É algo que eu indico para todo mundo. Homem ou mulher, não importa. Viajar sozinho é uma escola de autoconhecimento. Eu precisava disso, porque eu era daquelas que acreditava fervorosamente de que “é impossível ser feliz sozinho”.

Não é.

Comecei grande para apreciar as pequenas coisas sem ninguém por perto. Ir ao cinema. Tomar um café, uma cerveja ou um vinho. Cozinhar algo bem bacana só para mim. Ir a um restaurante que eu gosto muito. Fazer compras.

Isso tudo só com a minha própria opinião, palpites e roteiros. Criar meus horários, temperos e até começar pela sobremesa se eu bem entender. É um dos prazeres mais singelos que se pode der: gostar da própria companhia e nem ligar se houver olhares ao redor com um quê de “pena”. Eu é que tenho pena de vocês que não sabem o que é curtir esses momentos sozinhos – mas não solitários.

O que você tem vontade de fazer? Por que não o fez ainda? Te desafio a abandonar a necessidade da dependência de alguém. Vá e faça. Jogue-se na aventura do “bloco do eu sozinho” e faça desse um carnaval melhor que todos os outros.

Textos

Eu já sabia que você iria

Não me pergunte como, mas eu já sabia que você iria. Eu sentia na alma, talvez. Nem eu sei explicar, mas não foi surpresa quando você expôs sua decisão. Foi nesse momento em que a realidade desabou sobre a minha cabeça. O ponto chave em que a suspeita se concretizou em verdade.

Mesmo não sendo surpresa, doeu como adaga cravada no peito. Suas palavras saíam em câmera lenta dos lábios. Era como se eu estivesse em outra dimensão, assistindo a cena como espectadora. Não sei se não consigo ou se não quero te olhar nos olhos…

Você não vê a minha batalha interna para não ficar brava e gritar com você. Se eu abrir a boca para dizer qualquer coisa agora, não responderei por mim. Tô tentando me controlar, me conter, ser racional. Ouvir os seus argumentos, mas nenhum parece fazer sentido. Mas a lógica tem vez nessas horas?

Eu parei de ouvir. Você continua na minha frente, gesticulando, chorando, mas eu só consigo prestar atenção no nosso filme que insistiu em ser projetado agora. Talvez seja uma tentativa de encontrar os sinais que perdi… Erros, falhas, negligências. Está em algum lugar aqui, eu sei. Será que algum é reparável?

Voltei à realidade em tempo de te ouvir chamar meu nome carinhosamente pela última vez. A partir deste momento, eu seria apenas uma menção qualquer para você. Fui colocada no mesmo patamar de uma professora da 1ª série. De um vizinho na época da faculdade. Eu virei só um nome e você, cicatriz.

Textos

A culpa não é sua

Diferente do que você ouviu, a culpa não é sua. E lá no fundo, você sabe disso. Você sabe que vermelho é só mais uma cor de batom – que cai super bem no seu tom de pele, inclusive. E você pode, sim, usar a hora que bem entender.

Ao contrário do que dizem, você não foi irresponsável a colocar essa pessoa sob o mesmo teto. Ela já aprendeu a esconder muito bem a parte podre do caráter e a violência já cravada na podridão da alma.

A culpa não é sua por não ter percebido isso. Não dá para adivinhar quando é lobo em pele de cordeiro. E nada justifica a aparição do monstro outrora oculto. Você só foi tomar um chope com as amigas e não há maldade nenhuma nisso. Você não precisa nem deve ficar só em casa.

Não acredite quando apontam e dizem que você pediu por qualquer retaliação. Sua roupa não te fez merecer quaisquer atrocidades. E você só estava sendo simpática com o vizinho. Você não é puta nem vagabunda.

A culpa não é sua se a mão que te fez carinho ontem virou em soco hoje. A culpa não é sua se essa pessoa te vê como um objeto de posse. Você é sua e de mais ninguém. A doença está no outro. O mal está no outro.

Moça, quero te pedir que arranje forças e coragem para sair daí. A culpa não foi, é ou será sua por cair fora. Diferente do que ouve, você será amada se for embora, porque você é bonita com todas as suas imperfeições, mas muito mais linda por ser guerreira.

Textos

Você não precisa ser igual

*Texto publicado originalmente no Medium

Há uns dias, no Snapchat (LecaLichacovski), vieram me pedir dica de estilo. Me surpreendi, fiquei feliz, lisonjeada. Mas a conversa tomou outro rumo, para algo que, eu sei, que realmente veio de mim: encontrar-se. Estilo e moda estão erroneamente ligados.

Estilo é o jeito que eu me sinto e quero transmitir.

E isso é bem mais difícil que usar a última tendência.

Quando a gente não sabe quem é, seguimos o padrão, por ser mais acessível… Mas nem sempre (aliás, raramente) a gente se encaixa. Loira, cabelo longo com ondas, alta, magra, perna fina e olhos claros. Eu não sou isso. Nem tenho como ser, por ter um biótipo extremamente diferente.

Mas é tanta imposição de padrão que, eventualmente, a gente fica mal. Eu tentava mostrar que estava bem por não ser igual através de uma fase adolescente rebelde, com bandana, muita roupa preta, pulseiras de spikes e correntes. Abracei o punk como fachada. Mas por dentro, na minha cabeça, a coisa era bem diferente.

Foi surgir o primeiro problema para toda essa falsa fortaleza desmoronar. Minha primeira paixonite de colégio me deu pé na bunda e, obviamente, a culpa era minha por ser feia, desengonçada. Fora do padrão. E isso me marcou.

Foram mais de dez anos para eu começar a me sentir bem de novo. Para o sentimento de “você é toda errada” começar a dispersar. E foi sem querer. Um belo dia, após o término de um noivado, decidi que iria cortar o cabelo. Curtinho. Não queria mais saber daquela coisa desgrenhada que vivia presa num coque vagabundo.

Quando me vi no espelho sem os cachos, eu me vi pela primeira vez em anos. Aquela era eu. Era como eu me sentia. Leve. Minha personalidade, enfim, estava conseguindo espaço na minha aparência. Eu já não me sentia mais a mesma e isso foi libertador. Um corte de cabelo foi o meu gatilho para a autodescoberta. Eu tinha 23 anos.

Passei a curtir as novas madeixas. Aprendi a me maquiar e o estilo de maquiagem de que gosto (batom escuro e rímel leve). Comecei a entender quais roupas me faziam sentir bem. Qual o corte de blusa e tipo de calça que não me faziam sentir vergonha das pernas mais grossas. Voltei a cuidar do corpo (atividade física e alimentação mais balanceada).

Ainda não é todo dia nem a todo momento, mas já consigo olhar no espelho e me achar bonita — no meu jeito. Sem querer ser igual ao que dizem por aí. Aliás… “impõem por aí”. E justamente por ser tanta imposição que essa tarefa é um desafio diário. Sentir-se confortável por não ser o que mandam por aí requer coragem. Mas deixa eu falar:

Não há preço que pague o que é se sentir bonita e poderosa ao sair a rua do jeito que você aprendeu e aceitou ser.

Talvez eu ainda não seja minha melhor amiga. Talvez eu ainda não consiga dizer que me ame, mas falar sobre isso abertamente já me faz tirar um peso das costas. Você não precisa ser igual. Não há nada de errado nisso. Mas é algo que só você pode decidir e mudar. Encontrar-se é sua missão para ser feliz. Esse, sim, é o amor que você precisa.

Textos

Eu não tenho mais medo

Boa parte desse caminho não é novidade para mim. Já o fiz numa outra época, mais nova e menos experiente. Mais insegura e cheia de dúvidas. Cheia de medo. E eu nem estava sozinha para me sentir tão frágil e amedrontada…

Me senti uma derrotada quando o temor foi mais forte que eu. Saí da estrada, abandonei a trilha e peguei um atalho que parecia ser mais fácil e com menos monstros aterrorizantes. Mal sabia eu que as noites lá eram ainda piores. E, para dificultar: aí, sim, eu estava só.

Quando você me achou, eu estava tentando voltar para o caminho já fazia um tempo. Por arrependimento. Por ver que o trajeto que parece ser menos penoso era pura ilusão. Eu estava cansada, desnorteada. Mas nos pegamos pelas mãos.

Confesso que quando vi a estrada novamente, a espinha gelou. Será que eu estava pronta dessa vez? Será que, uma vez mais, eu me acovardaria? Eu não contava, porém, com as armadilhas que encontraríamos no caminho. Com isso, não tinha tempo para sentir medo.

Fomos derrubando cada muro que se erguia em nossa frente até eles ficarem pequenos o suficiente para passarmos por cima sem tropeçar. E caminhar ali finalmente se tornou natural para mim.  Mas tem que ser com você.

Eu não tenho mais medo. E é graças a sua presença. Os monstros ainda estão por aí, vigiando, tentando acertar alguns golpes e pregar peças. Só que, dessa vez, eu não quero fugir. Eu quero é encarar cada um, olhar nos olhos e comprar a briga. Dessa vez, eu tenho você e escapar não é mais uma opção.

Textos

Eu vou deixar você ir

Se um dia, depois de uma briga qualquer, você resolver ir embora, deixarei. Não vou pedir para que mude de ideia, nem implorar para que fique. De mim, você não ouvirá nenhuma objeção. Não abrirei a porta, mas também não me colocarei em frente a ela.

Você está mentindo”, uns vão dizer. “Duvido”, dirão outros. “Vai segurá-lo pelo braço e chorar. Suplicar para que não vá a lugar algum. Você não vai lutar pelo seu amor?”, hão de complementar. E eu ainda digo que não farei nada disso e a explicação é simples.

Manter um amor vivo é difícil. O dia-a-dia apaga os primeiros encantos e escreve um cansaço pesado por cima. Por isso, a minha luta – nossa, espero – foi durante todos os dias em estivemos juntos e não somente na hora em que é hora de aceitar que acabou.

Eu lutei por você todos os dias em que chegava do trabalho morta, mas ainda arranjava energia para ir ao cinema porque você prefere a última sessão. Lutei por você quando pedi desculpas, mesmo sabendo que não era eu a errada na história. Lutei por você em cada mínimo sacrifício diário.

Por isso, se um dia você resolver ir, não vou me opor. E descansarei com a cabeça tranquila sabendo que dei o melhor de mim para criar um lugar do qual você não quisesse sair. Mas é uma escolha sua.

Claro que vai doer e vou sentir sua falta. Muita. Vou chorar, sim, à noite antes de dormir – como faço depois de um filme triste. Mas você foi porque não se sentiu mais a vontade para ficar. Eu queria que você ficasse e fiz de tudo para que fosse esse o seu desejo também.

Mas prefiro a dor de te ver partir do que aquele sentimento de que você está aqui por obrigação. Amor não é refém para ficar sob a mira de ameaças. Nossos amores são livres e é só por isso que eu te deixo ir.

Vídeo

A grande TAG musical

Esses dias, passeando pelo canal do Caos Bravo, vi o vídeo com “a grande TAG musical” e resolvi brincar também!

Seguem as perguntas:

1. Gênero favorito?
Rock.

2. Banda ou cantor(a) mais ouvido(a) no momento?
Tiago Iorc (álbum “Troco Likes”) e Clarice Falcão (álbum “Problema Meu”).

3. Música preferida no momento?
Dancing on my own – Calum Scott (cover da Robyn)

4. Três artistas favoritos?
Queen, Paramore e Legião Urbana (também poderia dizer Beatles e Pink Floyd)

5. Aquela banda para qual você sempre volta?
Linkin Park – para os álbuns Hybrid Theory e Meteora, os dois melhores, na minha opinião.

6. Trilha Sonora de filme favorita?
O Rei Leão

7. Música preferida de todos os tempos?
Who wants to live forever – Queen

8. Último show que foi?
O último show grande foi o Rock in Rio 2013 (Skank, Philip Phillips, John Mayer e Bruce Springsteen). Bandas locais, fui a alguns. O último mesmo foi show da minha banda, a Gonzales, em dezembro.

9. Música mais vergonhosa no computador, celular, itunes?
Tenho algumas versões do Glee.

10. As três músicas mais tocadas de acordo seu player?
Alexandria – Tiago Iorc
Como é que eu vou dizer que acabou – Clarice Falcão
Four Five Seconds – Rihanna

11. Que música sempre te faz sorrir?
Smile – Charles Chaplin

12. Que música você ouve quando está triste?
Qualquer uma da Adele.

13. Que música te faz dançar?
Don’t stop me now – Queen

14. Bandas e cantores desconhecidos que você indica?
Zaz, cantora francesa, e, por favor, escutem mais Emeli Sandé – comecem com esta música.

15. Letra ou citação preferida?
O mundo é um moinho – Cartola
Simple Man – Lynyrd Skynyrd

16. Que banda, cantor(a) ou música te lembra de alguma situação específica?
Djavan me lembra viagens em família.

Mas, ei: eu quero saber de vocês também. Deixem suas respostas aqui nos comentários ou na fanpage.

Textos

Um Senhor Estagiário e as lições de Jules Ostin

Esses dias, sem muita pretensão, assisti ao filme “Um Senhor Estagiário“, com Robert DeNiro e Anne Hathaway. Comédia leve, gostosa, bonitinha…

Mas, no meio das piadinhas, percebi algo: finalmente um filme mostra uma mulher contemporânea no cinema. Tá, não é um super filme blockbuster, mas creio que já seja um começo. Do que estou falando afinal? Ora, pensemos:

Nos filmes, a mulher está sempre naquele papel de esposa dedicada e, se é empresária, a vida pessoal está virada do avesso, porque, aparentemente, mulheres bem sucedidas no trabalho não tem tempo para ter uma família feliz – afinal, não estão em casa para cuidar e se certificar disso.

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É aí que a personagem de Hathaway, Jules Ostin, segue a contramão. Empreendedora, ela criou um site de vendas online que estourou rapidamente. Claro que a vida dela é uma loucura. Telefonemas o tempo todo, reuniões, e-mails, celular praticamente grudado na mão para (tentar) dar conta de tudo.

Quando conhecemos a família dela, porém, a agradável surpresa: com o sucesso de Jules, o marido, Matt, abriu mão do emprego para cuidar da filha, Maggie. E, adivinham: nenhum dos dois odeia a protagonista por trabalhar fora. São felizes. Tomam café juntos. Ela consegue levar a filha para a escola, enfim: uma família que não está desmoronando porque a mulher trabalha fora e vai muito bem, obrigada.

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Um outro tapa na cara que levamos durante o filme é que outras mães (da escola de Maggie) julgam constantemente Jules por não ser dona de casa. “Você sabe fazer guacamole? Ah, se não souber, pode mandar alguém fazer pra você”, diz em tom de provocação (quiçá com uma inveja camuflada) uma delas ao convidar a personagem para um almoço.

Mais uma coisa interessante: a equipe de Jules também se dá bem com ela. Não é porque ela é bem sucedida que é arrogante e menospreza seus colaboradores. Jules é gente como a gente, que acertou a mão na hora de apostar em seu sonho.

Eu adorei ver isso. Não vou detalhar muito mais para não soltar nenhum spoiler, mas me agradou muito ver que, finalmente, outros tipos de mulheres estão ganhando espaço nas telonas.

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