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junho 2016

Textos

Um dia, você vai ficar para trás

Para ler ouvindo: I Miss you – Adele

Foi mais ou menos, né? Foi confuso. Queria poder dizer que foram os melhores dias da minha vida, mas eu não sou de mentir pra mim mesma. Foi conturbado e totalmente inesperado. Mas, ainda assim, foi grande.

Acho que você veio para ser esse gigante ponto de interrogação na minha vida. Um fardo, talvez. Você veio para fazer a diferença que ninguém vê. Aquela que mexe com a minha estrutura e conceitos. Aquela que transforma pela dor.

Você me olhava e eu já mordia o lábio. Eu te tocava o braço e, em seguida, ele já estava ao redor da minha cintura. E mesmo estando tão abertos um ao outro, nunca conseguimos entrar, de fato. Nos alojar nos corações. Você era um refúgio, sim, mas não chegou a ser lar.

Ainda não sei dizer se foi amor ou só uma paixão muita intensa na hora errada. Talvez se tivéssemos esperado um pouco mais, talvez se tivéssemos nos controlado, a história teria sido outra. Mas depender dos “talvez” para mudar a história não ajuda muita coisa.

Eu ainda lembro de você quando passo por aquele café ou por aquela rua mais afastada na cidade. Quando escuto aquela música ou quando mencionam aquele ator que você não perde um filme. E, verdade seja dita, às vezes eu lembro de você sem nenhum esforço ou fator externo.

Sei que, um dia, você vai ficar para trás. Em alguma manhã, eu vou levantar e caminhar até a janela sem pensar em você. Sem imaginar que você poderia estar aqui. Sem doer o fato de que, por um tempo, você esteve e, de uma maneira bem incomum, me fazia feliz. Um dia isso vai acontecer. Mas, hoje, ainda hoje, eu queria que você tivesse ficado.

Listas

3 lições de empoderamento feminino com as Princesas Disney

Eu devo ser a exceção, confesso. Mas apesar de amar as Princesas da Disney e ter sido criada assistindo repetidas vezes aos desenhos, eu nunca me vi como princesinha frágil e indefesa. Vi, em cada uma delas, um aprendizado diferente. As personagens, por incrível que pareça, me ensinaram sobre empoderamento feminino.

Claro que, na época, com meus 5 ou 6 anos, eu não sabia que era essa a lição que me passavam. Mas hoje é fácil ver que, apesar de venderem contos de fada, elas tem algo além para mostrar.
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Textos

Você é meu segredo

Não quero falar para todos que o sentimento está crescendo e me consumindo. Quero te guardar pra mim. Só pra mim. Gostar calada dos seus jeitos, trejeitos, cabelos e pele. Te gostar por inteiro em sussurros.

Você é meu segredo mais sagrado, porque nossa felicidade não precisa ser jogada aos quatro ventos para surgir inveja em cima dela. Te quero ao meu lado no sofá e na vida e não apenas na foto. Te quero quietinho e com a fala dos olhos.

Quero te amar baixinho, em som quase inaudível e num idioma só nosso. Quero te beijar guardada na nossa cabana de lençóis e segurar sua mão como quem segura a ideia de quem não quer morrer jamais. Quero que seja imortal.

Ah, eu gosto de ter você pra mim na surdina e na calada da noite. Nas noites silenciosas de inverno e nas manhãs frescas da primavera. Gosto de ter você no por-do-sol do verão e nas madrugadas chuvosas do outono.

Eu te guardo em segredo porque a gente não precisa de mais nada a não ser as nossas declarações-confissões. Eu sei que você me ama e você sabe que é recíproco. Sabemos que podemos contar um com o outro e, por isso, não vejo necessidade de contar para mais ninguém.

Textos

Ainda sou aquela

A gente já não repara mais. Não deixamos mais o olhar perdido um no outro. Já virou corriqueiro ouvir o seu dia e me ver abaixar o volume da TV porque você fala baixo. Não é que esteja ruim, não… Eu sei que o tempo causa isso. Inevitável lutar contra os golpes dele.

Já aprendemos quando um está bravo e o que fazer para melhorar o dia. Já sabemos achar, de olhos fechados, os pontos de nossas cócegas. E também já sabemos quais assuntos devem ser evitados e quando evitados.

Mas, quebrando um pouco essa nossa rotina, eu só queria te dizer que eu ainda sou aquela garota atrapalhada que você conquistou. Aqui, embaixo de todo o cansaço, eu ainda sou aquela que adora o timbre da sua voz e o jeito que suas bochechas ficam vermelhas quando fica envergonhado.

Ainda sou aquela que te espera ansiosa e de te surpreender. Sou aquela que ainda te olha encantada, apesar de não estar mais tão evidente. Ainda sou aquela que te acha o cara mais lindo do mundo, mesmo que os anos já tenham te adicionado algumas marcas no rosto e um tom mais cinza aos cabelos.

Sabe, amor, eu ainda sou aquela moça apaixonada pelo cara que sabe pintar tão bem e que conhece as melhores receitas espanholas. Ainda sou aquela que gosta de ser seu colo na hora de dormir a tarde e de causar gargalhadas com comentários bobos. Ainda sou aquela que se alarga em sorriso quando te ouve planejar os nossos anos.

Por mais que a vida tenha se estabelecido e tirado aquela paixão inicial do relacionamento, eu ainda sou aquela que te quer para sempre e que se sente guardada nos seus abraços. Eu ainda sou aquela que te ama mais que tudo. Eu ainda sou eu, meu bem. E só se isso mudar é que eu vou deixar de amar você.

Textos

Aquela dos (quase) 30

Quando eu era pequena, lá pelos meus nove anos, eu via o pessoal da 8ª série no colégio e me sentia em terra de gigantes. Eles me davam medo – sei lá o porquê. Até que o tempo passou e eu cheguei à idade dos “grandes”. Não me sentia assustadora. Eu era uma adolescente normal, irritadiça e irritante, fazendo as merdas normais da idade.

Quando eu era mais nova, sonhava em casar aos 23, como fizeram meus pais e irmã. Aos 25, eu estava (recém) solteira. E, hoje, olhando para a Letícia de 2014, não a acho preparada para o cargo de esposa de alguém. Agora me sinto mais segura – e caminhando para isso – mas, conforme meu roteiro original, aos 27, eu já deveria estar pensando em filhos.

Não sofri pressão de família. Todos respeitaram muito minhas decisões e apoiaram eu focar, antes, na carreira e independência. E agora, diferente do que eu pensava quando era jovem, aos 27, não sei dizer se estou fazendo algo que quero fazer até o resto da vida. Pode ser fase. Pode ser o signo. Pode ser crise. Mas também pode não ser, não é?

A impressão que eu tenho sobre mim é que, não importa o que aconteça, eu nunca serei aquilo que eu achava ser quando atingisse certa idade. Não me acho madura para quase 30 anos. Ainda brinco como criança e me divirto com isso. Minha essência é uma criançona de maria-xuxinha, ingênua, espontânea e encantada como se tudo fosse novidade.

Como diz a Sandy: “Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem”. Ou seja: é muito esquisito. Eu cheguei à fase que é um limbo. Mas, ó: tudo bem. Já fiz muitas descobertas sobre mim até aqui. Consegui seguir algumas coisas do meu planejamento feito aos sete anos de idade e também consegui incorporar os planos de última hora. Também tive que abrir mão de alguns ideais nesse meio tempo. Uns foram contra a minha vontade. Outros, eu cedi. Alguns doeram; outros, me trouxeram alívio.

Eu estou feliz do jeito que estou, só me assusta esse tempo correndo desenfreado. Ele está bem mais rápido que eu. Continuo achando desenho da Disney mais legal que Jornal Nacional. Continuo achando cama-elástica mais legal que esteiras na academia e a necessidade interna de ser como a moça da TV. Se é pra brincar de ser alguém, que eu volte às brincadeiras em que éramos heróis de um mundo criado por nossa imaginação – onde eu podia sair cantando também, porque meu mundo era musical.

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