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julho 2016

Textos

Eu te amo, mas eu tô desistindo de você

Eu te amei. Eu te amo. E sei que é recíproco. Mas quando dizem que amor é tudo, estão mentindo. É uma lástima quando duas pessoas se amam de verdade e, ainda assim, não dá certo. Essa é a nossa tragédia.

Nem sempre o amor é suficiente. Nem sempre ele salva a gente de um relacionamento fadado ao fracasso. Nem sempre ele nos resgata das forças do mal. E, por mal, entenda “realidade”. Ela é que transforma toda a magia em fantasia de criança.

Eu queria que amor me fizesse entender alguns de seus comportamentos. Algumas de suas escolhas. Mas a lógica fala mais alto nessas horas e, apesar de ainda te amar, eu não queria te ver mais na minha frente. Nem sempre eu gosto de você, apesar de te amar constantemente.

O amor precisa de outros incentivos. Ele, por si só, perde a força com o tempo. É fogo (que arde sem se ver, lembra?). Falta lenha na nossa fogueira e a chama está apagando, virando cinzas.

Eu te amo, mas tô desistindo de você, porque eu não quero virar matéria morta. Não é falta de amor, é não tê-lo na lista de prioridades. É estarmos em velocidades diferentes e, por vezes, em sentidos contrários. E eu quero andar sempre em frente, acompanhada, andar de mãos dadas, em direção ao que nos fará felizes.

Textos

Não posso mais te querer

Eu não vi em que momento você se instalou no meu desejo. Se foi na calada da noite, durante o banho, enquanto eu assistia seriado ou depois daquela terceira taça de vinho. Mas, quando dei por mim, você estava aqui, absoluto.

A questão é que esse lugar é de outra pessoa e você tem que ceder. Eu não posso mais te querer, mas você insiste em se fazer presente. Quão egoísta você é? Porque você vê de camarote a minha angústia e segue sem se mover.

O que eu faço? O que eu preciso fazer para tirar você daí? Ordem de despejo? Tomar remédio ou umas doses de Whisky? Não é mais uma questão de apenas querer que você vá. Eu preciso arrancar você daí.

Sabe o que é pior? É que eu não sei por quanto tempo mais vou resistir às suas artimanhas. Às suas mensagens. Aos seus convites e insinuações. E eu tenho certeza de que, se eu ceder, vou gostar. E isso vai me destruir.

Me irrita o seu egoísmo e sua insistência. Me enerva o fato de você me fazer marionete, dançando conforme a sua música e vontade. E me dá raiva ao ver o quanto você se diverte comigo em suas mãos.

Eu não posso mais te querer porque meu coração não sabe lidar com o desejo e ter que viver com a ausência. É horrível a sensação de que tenho que me acostumar a um rosto já familiar ao meu lado quando acordo, porque estava sonhando com o seu.

Sai de mim como quem deixa a festa por último, com a bagunça toda no chão para outro alguém limpar. Sai de mim depois de ter me feito parque de diversões do seu sadismo. Sai de mim e devolve minha paz, que você segura como um balão – e se diverte em vê-lo voar.

ETC

Chega

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Não dá mais.

A dor consumiu tudo o que eu tinha em mim. Se havia algo bom, foi engolido há muito tempo e, agora, só tem escuridão aqui dentro. E eu não aguento mais.Ao mesmo tempo que sei que não dá pra apontar um culpado, eu tenho vontade de gritar que foram todos vocês.

Aos que pensarem “mas eu nem fiz nada”, digo que é justamente esse fato que assina a sua sentença: Não fazer nada. Não escutar. Não ver – ou pior, fingir que não viu. Não dar um ombro amigo. Não oferecer um abraço. Foi achar que o tempo resolveria. Não resolveu. Não passou. Nada passou, a não ser a vontade de seguir tentando.

Tentar para quê? Por quem? Essa vida é sozinha e essa realidade fica cada vez mais forte. É muita porrada que a gente leva sem ter quem nos ampare. E, quando achamos que a próxima mão vem nos dar carinho, é mais um soco. Eu já to no chão e continuam chutando. E não vai parar nem quando eu for.

Não dá mais.

Sou fraco. Cada vez mais fraco. Nem pra chorar eu sirvo mais…

Faz tempo que penso em como parar essa dor ardente e não vejo outra opção. Tem que ser assim. Talvez seja uma surpresa para alguns… E, para esses, eu digo: desculpem por decepcioná-los.  

Essa vai ser a última vez, eu prometo.  

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Textos

Se você não colaborar, eu não vou te esperar

A gente poderia ser muita coisa. Dupla parceira de garrafas de vinho. Dueto mestre em cantar alto nos shows. Par perfeito em dividir a coberta igualmente. Duo das risadas mais contagiantes. Enfim, o que a gente quisesse ser. Mas você não vem… E, amor, eu é que não vou ficar à sua mercê, esperando a sua boa vontade para sermos.

Eu estava aqui esse tempo todo esperando pelo seu ‘sim’, mas você sempre vinha com suas indecisões e o medo de perder as vantagens da solteirice. Mas, ao fazer isso, você ignora os benefícios de estarmos juntos. Tudo bem. Sua escolha é sua. E a minha é de não esperar mais por você. A vida ta passando lá fora, meu bem. E eu quero seguir esse carro alegórico.

Me chame de antiquada, mas eu gosto daquele amor meio à moda antiga. Jantar, casa, cafuné num dia; vídeo game, cerveja, pizza no outro. Estou em busca do amor-companheiro de aventuras. Do amor-parceiro de todas as horas. Amor-mochileiro para conhecer o mundo (ou só planejar).

Poderia ser a gente. Mas, se você não colabora, eu vou é continuar vivendo em busca de quem queira. Vou tomar a liberdade de te fazer abrir mão da vaga. Eu tomo a decisão por você e, principalmente, por mim. Eu não vou mais cometer o erro de esperar a minha felicidade chegar em sua personificação. Minha felicidade sou eu e eu vou regá-la com a chuva do amor que mereço.

Entretenimento, Textos

Esse lugar vai destruir você

Atenção! Contém spoilers da última temporada de Orange is the New Black

Essa semana consegui, finalmente, terminar a quarta temporada de OITNB e, olha… Não fiquei bem. Não lembro quando foi a última vez que chorei assistindo a um seriado – se é que isso já aconteceu.

Depois de duas temporadas mornas, os roteiristas conseguiram recuperar a mão e acertar em cheio cada um de nós com histórias intensas, dramas pesados e concisos. Pudemos ver nos 13 episódios que o que Caputo disse ao guarda Bayley é verdade: “Esse lugar vai destruir você”.

Pudemos ver a ascensão e queda de personagens importantes. Por sinal, as atrizes, merecem um outro destaque. Sempre fizeram bem os papéis mas, agora, os levaram ao extremo e conseguiram nos fazer sofrer suas dores mais do que nunca: A revolta de Burset. A recaída de Nicky (uma das cenas que mais me impressionou foi quando ela começou com a abstinência e ficava com os olhos mal e mal abertos). Dogget vagando como morta-viva pelos corredores após ter sido estuprada. A aflição de Lolly por não saber o que é real e a sensação de fracasso de Healey. A dor física da Piper ao ser queimada pela Ruiz. A quebra de valores de Vause ao matar alguém pela primeira vez.

Foram muitos momentos que mexeram comigo, especialmente nos últimos episódios. Mas o auge, para mim, foi com a Taystee. Não apenas quando viu que Poussey não se mexia mais – foi nessa parte que eu chorei muito – mas a sua revolta quando Caputo defendeu o guarda em rede nacional.

Na hora em que Taystee saiu gritando, eu senti minhas veias pulsarem com ela. Eu também fiquei revoltada que P não foi sequer citada. Eu também quis bater nas portas e convocar quem estivesse ouvindo a fazer alguma coisa.

A quarta temporada de Orange is the New Black deixou para trás as mulheres que só esperavam a hora de sair da prisão. Elas se tornaram mulheres cansadas de sofrer abusos físicos e psicológicos. Elas foram para a guerra. E eu quero muito ver o que vai acontecer daí por diante.

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