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agosto 2016

Textos

Não se preocupe: você ama bem

Esquece o que você já ouviu sobre o seu jeito de amar. De que não deve ligar, porque ele pode se sentir sufocado. De que não deve mandar flores, porque você pode parecer desesperado. De que não pode mandar a mensagem primeiro. Isso tudo é jogo. E você quer amor.

Deixa tudo isso pra lá e não se preocupe: você ama bem. Porque eu ainda não consigo entender essa história de que perde quem cede primeiro. Amor é ceder mesmo, fazer sacrifícios – e nem sempre com cara feia.

A quantidade de carinho que você cede é algo que precisa ser acertado entre quem o recebe. A quantidade de tempo que você cede é algo que precisa ser conversado com quem o recebe. Sempre será só entre você e o destinatário. Os demais, que se explodam de tantos comentários e palpites não requisitados.

Sabe o que eu acho de verdade? As pessoas se escondem atrás desses jogos por medo de se relacionarem. De se machucarem outra vez. Querem, mas só querem se for com certeza. E isso me admira em você, que se joga nas oportunidades de ser feliz, sem enrolações. Sabe o que quer e faz acontecer. Isso te torna mais valente que muita gente.

Então, vai com os ouvidos tapados para o que dizem e lembre-se só disso: não tem nada de errado em gostar, demonstrar, mandar beijos e dizer que sente saudade. Nesse mundo corriqueiro, esquecemos que precisamos disso para seguir os dias difíceis. E você, com esse seu jeito, ainda mantém o dom de fazer alguém sorrir.

Textos

O amor que ainda não estava pronto

Ela estava lá.
Ele também.
Divertiam-se, separadamente.
Esbarraram na bandeja do garçom,
deixaram seus copos,
e voltaram a dançar.
O amor ainda não estava pronto.
Se guardou, tímido,
com medo de sair precocemente da toca.

Engraçado como o mundo dá voltas
e tornaram a se encontrar anos depois.
Conversavam todo dia.
Riam das mesmas piadas.
Mas o amor, ah, esse ainda não estava pronto.
Fingiu estar ausente.
E deixou manifestar apenas
a afinidade pelo gosto musical.
Ele já se embalava nas baladas inglesas,
Mas amor, amor mesmo,
não saiu para dançar.

Até que veio o primeiro beijo
E o amor, que ainda não estava pronto,
Já não tinha mais tanta certeza de que queria esperar.
Passeou pelos toques,
Pelos arrepios,
Pelos lábios,
Para saber se já era hora.
E, quando decidiu,
Já haviam se separado.

Foi aí que ele começou a agir.
Mexeu nos sonhos,
Invadiu composições,
Textos e poemas.
Veio em forma de saudade
e desejo.

No outro encontro,
já não teve dúvidas: “É aqui que vou ficar”,
e saltou no ar até abraçar os dois corpos.
Segurou firme, juntos os dedos para
que não se desatasse.
Fechou os olhos em esforço.
E, quando percebeu,
já não precisava mais de tanta força.
Eles permaneceram juntos,
sem dificuldades ou luta.
E o amor, que se julgava não estar pronto,
viu que queria aquilo já fazia muito tempo.

ETC

Não é amor

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

É amor. Quer dizer… Tem que ser, não é? Caso contrário não mexeria tanto comigo. Não ia me deixar assim, como se fosse numa abstinência de você. Amor deve ter dessas coisas. Não sei… Mas eu leio e ouço que amor é meio louco. Mas é meio razão também. Deve ser por isso que sempre te perdoo. E por isso que você sempre volta. Não é? Só pode ser.

Não vejo outro motivo para nossas idas e vindas. É, você me machucou muito. E, tudo bem: eu também sei ser cruel quando quero. Mas quando tudo passa, a gente se dá tão bem. E, quando é assim, é porque está certo. Certo?

Não é assim que deveria ser? Essa coisa intensa – às vezes até demais, tanto no bom quando no ruim? Eu não sei porque o seu é tudo que eu conheço a respeito de amor. E, quando eu vejo um filme ou ouço relatos de outras pessoas, eu chego a conclusão de que não é nada parecido com o que temos. E olha… O deles parece ser melhor.

Sabe, talvez eu precise de algo mais tranqüilo agora. De menos erros. De menos traições e brigas. Talvez eu não deva mais te perdoar tanto. Porque eu ainda sinto as dores. Não é porque se tornou cotidiano que parou de doer. Não é porque você diz que me ama que eu realmente sinta o seu amor. Não é mais aquela coisa certa e palpitante que me faz querer ficar para sempre. Não é mais bom suficiente, é? Não é amor, né?

Não.
Não é.

 

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