*Texto da leitora Tayná Freire

Todos os dias eu travo uma guerra contra mim mesma ao abrir os olhos e tentar negar você mais uma vez. Todos os dias eu tento mentir pra mim – em vão – de que não vou pensar em algo pra poder puxar assunto com você. Que eu não tô sentindo saudade – e necessidade – das nossas conversas durante a madrugada sobre o assunto que bem quisermos. Todos os dias eu tento negar que não é você. E que o que eu sinto, não vai além da carne – quanta ilusão!

Todos os dias, quando abro os olhos finjo que não te encontrei nos meus sonhos. Finjo que não quis acordar ao teu lado. Finjo que não desejei teus olhos e teu sorriso. Teus beijos. Tuas mãos. Tuas mordidas e tuas provocações. Finjo que não desejei que fosse você.

Todos os dias eu tento negar que não é você que eu vejo ao fechar meus olhos. Que não é você que procuro ao conhecer um outro alguém. Que não é a tua boca que eu procuro quando beijo um alguém – em mais uma tentativa de te deixar pra lá. Tento não tremer quando meu celular vibra e eu penso ser você – e que o mundo parece querer desabar quando eu vejo que não é. Que nunca é.

Aos finais de semana, bebo pra fingir que não tô querendo você. Bebo na tentativa de te deixar no fundo do copo. Na tentativa de te jogar fora junto com a cerveja que esquenta. Bebo na tentativa de esquecer você. Mas não esqueço nem das coisas que eu faço. Quem dirá esquecer você! Não tenho o dom da amnésia que vem com o etílico.

Cada segundo de negação é um desgaste diferente. Eu me canso. Eu fico exausta. Negar você é algo que exige esforço demais. Negar que não vai ser você, doloroso demais! Mas aceitar viver sem você – mesmo que seja com presenças faltosas e migalhas que transbordam – é o fim do mundo!

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