Não é novidade por aqui, mas aos recém chegados, deixa eu contar uma coisa: Sou vocalista de banda aqui em Foz do Iguaçu. Sou a menina da Banda Gonzales. Tocamos rock nacional e internacional, dos anos 80, 90 e um pouco do que tá rolando agora.

Desde minha adolescência eu queria fazer parte de uma banda. Não que eu tivesse coragem de cantar em público, mas queria ter essa experiência no “currículo”. Música sempre foi um componente fundamental da minha vida e eu precisava fazê-la. Mas nunca dava certo… Me contentava em ser backing vocal na igreja. Era legal – função que mantenho até hoje, numa versão mais madura e segura, misturada com alguns solos.

Mas eu queria fazer rock. Tocar guitarra. Ser trilha sonora de rodas punks.

Quando eu estava na 8ª série (13 anos?), a turma do colégio descobriu que eu cantava. Um professor de história queria que a gente escolhesse uma música que representasse um pensamento nosso. Eu e minha melhor amiga escolhemos uma faixa bônus da Avril Lavigne que, na época, era nossa musa (vamos lembrar que eu tinha uns 14 anos). Quando terminamos, fui correndo sentar no meu canto, querendo que a terra me engolisse viva. Mal me acomodei e o grupo seguinte me chamou para ir ajudá-las na apresentação, porque nenhuma sabia cantar. Não soube o que sentir, mas fui. E, pela segunda vez naquele dia, cantei (olhando para o chão).

Naquele mesmo ano, minha mãe descobriu que eu cantava, em uma apresentação da escola de violão para o Dia das Mães. Eu tremia, porque seria minha primeira vez tocando violão e cantando (dessa vez com microfone). Novamente, fechei os olhos e deixei a música “Greatest Story Ever Told” sair conforme os ensaios – OK, na verdade, saiu bem mais trêmula.

Na faculdade, fui abençoada em encontrar um grupo de meninas que curtiam, tanto quanto eu (ou mais), cantar. Nos reuníamos nas casas umas das outras, gravávamos algumas versões que ficavam bonitinhas. Até que, em uma mostra de Comunicação, criei coragem e me apresentei. Microfone em mãos, olhos abertos, mas sem olhar muito para a plateia – composta por todas as turmas de Comunicação Social da faculdade. Tímida. Voz presa, mas acho que esse foi o pontapé inicial.

Fiquei um tempo sem cantar depois que as aulas terminaram e cada uma seguiu seu rumo. Nem na igreja eu cantava mais… Eu sentia falta. E ainda não tinha vivenciado ter uma banda… Até os 24 anos, quando os meninos da Gonzales me chamaram para um teste (já conhecia o Júlio e o Erick. Frequentávamos o mesmo grupo de amigos e volta-e-meia rolava rodinha de violão em churrascos).  Fui aceita! Duas semanas depois, já tinha show.

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No dia 04 de agosto de 2013, foi minha estreia na Gonza. Finalmente, eu tinha a minha banda de rock! E é uma delícia ter isso na minha vida. Claro que, no começo, era meio atrapalhada. Precisava da minha pasta de letras, microfone no pedestal, encarar algum dos meninos para saber o tempo certo de entrar. Hoje, já aprendi a curtir o momento. Cantar, fazer dancinhas, conversar com a galera.

Essa semana teve show. No Snapchat (LecaLichacovski), contei um pouco do que rola nos bastidores. Ensaios. Passagem de som. Frio na barriga. Zica (sempre acontece algo comigo. S E M P R E. Dor de gargante, gripe… Dessa vez, foi dor de estômago). Mas é só pisar no palco e tudo passa. É só cantar.

Foto: Marcos Labanca

Foto: Marcos Labanca

E sabe qual é a maior felicidade nisso tudo? É poder realizar um sonho com pessoas incríveis. Os meninos são, hoje, meus irmãos. E não tem como descrever a alegria em ver, na plateia, minha família. Pai, mãe, irmã, cunhado, namorado, sobrinha… É, até ela, com apenas um ano de idade (claro, dessa vez deu pra ela ir porque a apresentação foi em uma feira aberta e não em casa de show). Vê-los cantando e se divertindo comigo é mais do que eu podia pedir.

É, eu sou a menina da banda. E estou feliz.

 

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