Nos quatro anos em que estivemos juntos, não foi só amor que eu sentia. Eu era apaixonada por você. Amor foi o que me fez ficar ao lado. E a paixão foi responsável por fazer o coração disparar cada vez que eu te tocava, como se fosse sempre a primeira vez.

Acontece que, diferente do amor, a paixão precisa do corpo do outro para se manter viva… Então, para a minha surpresa (ou, talvez, nem tão surpresa assim), hoje eu percebi ela se foi. Paixão era quem te desejava. Amor é quem deseja que você ainda estivesse aqui – e isso já bastaria.

Ao mesmo tempo que isso me causa uma estranha sensação de vazio, comemoro ao ver que é mais um passo pra frente nessa minha jornada. É um peso a menos para eu carregar… E, veja bem: “peso”, nesse processo de luto, vem com a máscara da culpa.

Isso não quer dizer que eu deixei de te amar. O amor ficará intacto. Eu quero deixar bem claro que são duas coisas diferentes e independentes. A paixão pode ter ido, mas o amor, que é mais denso e profundo, já está enraizado.

Também não é fácil para mim entender essa distinção. Olha que coisa mais bizarra: preciso de ajuda da terapia para aprender a ser solteira outra vez. Porque, sendo bem sincera, esse negócio de luto é uma merda.

Luto é a gente perder totalmente o controle das nossas emoções, especialmente daquelas que deveriam ficar em pequenas jaulas – raiva e tristeza, por exemplo. Esses sentimentos, quando tudo está bem, são “domesticados”. A gente solta de vez em quando para eles darem uma volta. Mas basta um comando para que eles voltem aos seus devidos lugares. Luto é quando a gente deixa de ter forças para fazê-los voltar para dentro.

Estou usando todas as ferramentas possíveis para não cair no segundo caso. Família, amigos, Deus, terapia… Cada peça é importante e trata de aspectos diferentes. Coração, espírito e mente. E a recuperação de cada um acontece em tempos diferentes.

Não sei dizer quem está na frente… Espírito, talvez. Mas se disser que, às vezes, a fé não titubeia, estarei mentindo. Sempre há tropeços, em todas as áreas que seguem em tratamento (sem previsão de alta). A gente leva tempo até ficar bem.

Na última sexta, 23, o mundo sobreviveu a mais um “fim” previsto por não sei quem. Engraçado foi acompanhar as postagens do pessoal “torcendo” (na brincadeira, eu acho) para que o dia apocalíptico fosse real. Mas, para variar, o mundo não acabou… E eu sigo aprendendo a reconstruir o meu.

Extra: me peguei cantando essa música esses dias e, obviamente, eu lembrei de você.

“And I wanna thank you for giving me the best days of my life”

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