Enquanto vocês estão aí, em blocos, comemorando o carnaval, eu aproveito para fazer a minha maratona Oscar (que é neste domingo, dia 22). O filme do final de semana foi “A Teoria de Tudo“, cinebiografia do físico Stephen Hawking.

Eu não vou entrar em análises de fotografia, direção ou atuação. Isso eu deixo para quem entende. O que, ou melhor, quem me chamou a atenção foi a esposa de Stephen, Jane. (Não quero dar spoilers, mas como se trata de uma biografia, eu imagino que vocês já saibam a história.)

O filme começa com os dois se conhecendo numa festa. Logo em seguida, quando já está rolando um romancezinho lindo entre eles, Hawking é diagnosticado com a doença de Lou Gehrig (também conhecida como Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA).

E aí começou uma identificação muito forte minha com Jane: começo de um relacionamento atrelado a um início de batalha atroz. No meu caso, foi a leucemia, tratável e curável (como já foi, graças a Deus).

Mas a questão não é essa. Não estou comparando os níveis de gravidade ou medindo qual doença merece a maior nota na tabela “Quão ruim é”. Estou falando como isso pesa nos ombros. Como o baque é grande e como a gente se pergunta, antes de qualquer outra pessoa, se a gente realmente está pronta para enfrentar aquilo, porque, com certeza, é mais difícil do que a gente imagina.

No filme, o pai de Stephen diz a real para Jane: “A derrota é certa. Vai ficar pior. Você não precisa passar por isso“. E a resposta dela foi perfeita: “Eu sei que eu não pareço forte, mas eu o amo. E ele me ama“.

É isso.

Eu queria ter dito essas palavras. Porque não tem explicação melhor. A gente faz um monte de questionamentos nessa hora – e outras pessoas também. “Você está com ele por pena?” ou “Você realmente gosta dele ou está fazendo isso porque se sente na obrigação?“.

Não são perguntas cruéis. Não quero que ninguém se sinta mal por ter me feito esses questionamentos (como eu disse, eu mesma os fiz). São indagações naturais e cabíveis na ocasião. Mas a resposta, a gente descobre na convivência da doença: Ninguém conseguiria passar por tudo se não fosse por amor. “Pena” e “obrigação” não são tão fortes. Não aguentam as situações críticas.

Jane e Stephen não ficam juntos, depois de uns 35 anos juntos. Na hora, eu quase fiquei indignada. “Poxa, depois de tudo que ela fez por ele?“, mas lembrei que eu não iria querer que alguém fizesse a mesma acusação caso o meu relacionamento não dê certo. (Aliás, acabe. Certo, dá, só não é eterno). A gratidão deve existir sempre, mas nunca como moeda de troca. Me nego a aceita-la como barganha. Amor se devolve com amor. Não com culpa. Não por gratidão. Muito menos por obrigação.

Eu gostei do filme, não só por ser um filme realmente lindo e de chorar, mas porque eu vi que quando o sentimento é genuíno, suporta muita coisa e faz a gente crescer com uma raiz firme. “A Teoria de Tudo” não é um filme só sobre Stephen Hawking, física, Lou Gehrig. É um filme, acima de tudo, que ensina sobre amor.

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