A gente já não repara mais. Não deixamos mais o olhar perdido um no outro. Já virou corriqueiro ouvir o seu dia e me ver abaixar o volume da TV porque você fala baixo. Não é que esteja ruim, não… Eu sei que o tempo causa isso. Inevitável lutar contra os golpes dele.

Já aprendemos quando um está bravo e o que fazer para melhorar o dia. Já sabemos achar, de olhos fechados, os pontos de nossas cócegas. E também já sabemos quais assuntos devem ser evitados e quando evitados.

Mas, quebrando um pouco essa nossa rotina, eu só queria te dizer que eu ainda sou aquela garota atrapalhada que você conquistou. Aqui, embaixo de todo o cansaço, eu ainda sou aquela que adora o timbre da sua voz e o jeito que suas bochechas ficam vermelhas quando fica envergonhado.

Ainda sou aquela que te espera ansiosa e de te surpreender. Sou aquela que ainda te olha encantada, apesar de não estar mais tão evidente. Ainda sou aquela que te acha o cara mais lindo do mundo, mesmo que os anos já tenham te adicionado algumas marcas no rosto e um tom mais cinza aos cabelos.

Sabe, amor, eu ainda sou aquela moça apaixonada pelo cara que sabe pintar tão bem e que conhece as melhores receitas espanholas. Ainda sou aquela que gosta de ser seu colo na hora de dormir a tarde e de causar gargalhadas com comentários bobos. Ainda sou aquela que se alarga em sorriso quando te ouve planejar os nossos anos.

Por mais que a vida tenha se estabelecido e tirado aquela paixão inicial do relacionamento, eu ainda sou aquela que te quer para sempre e que se sente guardada nos seus abraços. Eu ainda sou aquela que te ama mais que tudo. Eu ainda sou eu, meu bem. E só se isso mudar é que eu vou deixar de amar você.

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