Me faz um favor? É o último que peço… Me mate.

Esse remanescente de amor por mim não vai te fazer bem, então, atira ele pela janela ou na frente de um carro em alta velocidade. Empurra ele da escada ou dá um tiro à queima roupa. Mas não deixa ele continuar vivo em você.

Parece um pedido maluco e egoísta, mas eu tô pensando em você. Não quero mais ver os seus olhos me procurando e nunca me achar. Não quero mais ver seu coração vagando perdido, na esperança de encontrar o resto do amor que deixei. É para o seu próprio bem.

Quebra aquele porta retrato que ainda exibe uma foto nossa. Desmonta o presente que levei dias para montar para você. Rasga a camiseta que te dei no último Natal e quebra o CD das nossas músicas que eu gravei. E, por fim, me mate, porque eu não quero e nem posso continuar viva em você.

Vai doer. Eu sei disso porque já te matei. Aliás, venho fazendo isso aos poucos… Não tenho estômago para fazer de uma vez só. Um corte certeiro na jugular seria mais prático, mas não consigo fazer minha faca penetrar fundo o suficiente. Desculpe fazer isso tão vagarosamente… Mas eu chego lá. Um dia, e creio que será logo, hei de dar o último golpe. E ele vai nos libertar. Não é justo manter um morto-vivo num lugar que pode ser habitado novamente.

Se você não conseguir, se não tiver a força necessária, me avise e eu me mato em você. Aliás, acho que deveríamos ter feito isso desde o começou.

Considere como um ato de misericórdia. Seremos mártires. Assassinos e assassinados pelas mãos um do outro. Como um duelo nos tempos antigos: De costas um para o outro, contamos os passos nas direções opostas, viramos, olhamos nos olhos pela última vez e atiramos. E, quando chegar essa hora, meu bem, por favor… Mire no meu coração e puxe o gatilho.

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