Antes de voltar a amar, precisei ter certeza de que o chão estava novamente sob os meus pés. Mas, mais do que isso, precisei acreditar que eu também estava pronta para levantar, cambalear e cair até reaprender a caminhar.

Tive que estar segura para me decepcionar de novo – Porque querer acertar de primeira seria utópico demais. E, ainda que acertasse, ninguém é perfeito e, por mais que haja amor, esse alguém pode (e provavelmente vai) me fazer chorar ao menos uma vez.

Antes de voltar a amar alguém, precisei reaprender a amar eu mesma. De que eu estava pronta para aceitar que, se não acontecesse, não seria eu o problema. Não seria o meu cabelo. O meu quadril. Meus seios pequenos. Não seria meu corpo.

Esse, talvez, tenha sido o passo mais difícil. Passei, por muito tempo, me perguntando em frente ao espelho o que me faltava para você me amar. Hoje eu vejo que nada falta. Eu sou completa. Você só não soube abraçar isso…

E, finalmente, antes de voltar a amar, precisei vasculhar cada canto em mim a procura de um vestígio seu. Alguma saudade na estante. Algum sorriso na prateleira. Alguma dor escondida embaixo do tapete.

O que achei, joguei pela janela. Mesmo as boas… Porque esses resquícios são excessos de você na minha vida. E não tenho espaço mais para isso. O que eu precisei, já guardei em mim. Aderi. Fundiu. E nem que eu quisesse, saberia separarar novamente.

Antes de voltar a amar, precisei criar coragem, porque amar exige isso. Mas eu não tô pronta para desistir ainda. A experiência de amar a pessoa errada serve para eu acertar na próxima. Ou na outra. Ou na seguinte. O importante é seguir amando.

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