Morria de medo de ficar sem você. A ideia me apavorava e fazia o coração disparar em desespero. Era inimaginável. Assustador… Era. Foi. Tempo passado. O presente agora é outro e, para o espanto total de alguns, só comigo.

Tô aprendendo a viver sem você. É algo que eu preciso fazer… É hora de encarar que eu tô sozinha e que tem um mundão lá fora, sem fazer nenhuma questão de esperar eu ficar bem novamente. Acelerei minha cura ao concluir que posso muito bem tocar a vida assim mesmo.

Não tá sendo a coisa mais fácil que eu já fiz na vida, mas as descobertas tem sido boas. A maior de todas é que eu consigo, sim, viver sem você – apesar da sua total descrença quando imaginávamos nossas vidas se desvinculando.

Tô aproveitando esse período de desgraça emocional para novas lições. Sabe, aquelas coisas que sempre nos dizem quando estamos mal, como “aproveite sua própria companhia”. E eu achava que isso era a pior coisa que podia acontecer quando estamos nesse estado deplorável de auto-piedade.

Para a minha surpresa, estava errada. E preciso preencher o tempo que assistíamos TV juntos com outra coisa. Preciso aprender a cozinhar outros pratos, além dos seus favoritos – Ah, acredite: Eu fiz um risoto funghi e ficou excelente.

A minha vida está se adaptando a sua ausência. Ainda não estou bem, mas vou ficar. E logo. Porque, por aqui, ela se mostrou nova e eu a abracei. Estou montando uma nova ponte em volta do buraco que você ocupava.

Ele não será preenchido. Está no seu formato e ninguém o preencherá. Mas, aos poucos, vai deixar de ser um incômodo e apenas fazer parte da paisagem.  Um sinal da passagem do tempo… Sinal da erosão da qual nosso amor foi vítima. Sinal de que você veio e ficou, mas não para sempre.

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