Quando eu era pequena, lá pelos meus nove anos, eu via o pessoal da 8ª série no colégio e me sentia em terra de gigantes. Eles me davam medo – sei lá o porquê. Até que o tempo passou e eu cheguei à idade dos “grandes”. Não me sentia assustadora. Eu era uma adolescente normal, irritadiça e irritante, fazendo as merdas normais da idade.

Quando eu era mais nova, sonhava em casar aos 23, como fizeram meus pais e irmã. Aos 25, eu estava (recém) solteira. E, hoje, olhando para a Letícia de 2014, não a acho preparada para o cargo de esposa de alguém. Agora me sinto mais segura – e caminhando para isso – mas, conforme meu roteiro original, aos 27, eu já deveria estar pensando em filhos.

Não sofri pressão de família. Todos respeitaram muito minhas decisões e apoiaram eu focar, antes, na carreira e independência. E agora, diferente do que eu pensava quando era jovem, aos 27, não sei dizer se estou fazendo algo que quero fazer até o resto da vida. Pode ser fase. Pode ser o signo. Pode ser crise. Mas também pode não ser, não é?

A impressão que eu tenho sobre mim é que, não importa o que aconteça, eu nunca serei aquilo que eu achava ser quando atingisse certa idade. Não me acho madura para quase 30 anos. Ainda brinco como criança e me divirto com isso. Minha essência é uma criançona de maria-xuxinha, ingênua, espontânea e encantada como se tudo fosse novidade.

Como diz a Sandy: “Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem”. Ou seja: é muito esquisito. Eu cheguei à fase que é um limbo. Mas, ó: tudo bem. Já fiz muitas descobertas sobre mim até aqui. Consegui seguir algumas coisas do meu planejamento feito aos sete anos de idade e também consegui incorporar os planos de última hora. Também tive que abrir mão de alguns ideais nesse meio tempo. Uns foram contra a minha vontade. Outros, eu cedi. Alguns doeram; outros, me trouxeram alívio.

Eu estou feliz do jeito que estou, só me assusta esse tempo correndo desenfreado. Ele está bem mais rápido que eu. Continuo achando desenho da Disney mais legal que Jornal Nacional. Continuo achando cama-elástica mais legal que esteiras na academia e a necessidade interna de ser como a moça da TV. Se é pra brincar de ser alguém, que eu volte às brincadeiras em que éramos heróis de um mundo criado por nossa imaginação – onde eu podia sair cantando também, porque meu mundo era musical.

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