Encontrei uma amiga sua esses dias e paramos para conversar. Confesso que, no meio da prosa, deu vontade de perguntar por você. Mas eu juro que não havia nenhum tipo de intenção de reatamento na minha curiosidade a não ser, realmente, saber como você está.

Não entendo essa mania que gente tem de, quando algo bom acaba, terminar todo o resto. É injusto. Não é porque não estamos mais juntos que eu deixei de me preocupar com você. Podemos não ter dado certo como casal, mas éramos bons em ser amigos, lembra?

Sabe o que eu queria? Topar com você em um corredor de supermercado e arrastar o bate-papo para uma mesa bar. Dar risadas, tomar cerveja, saber as novidades, como está o novo emprego e até seus novos amores. Ia dizer: “Cara, quando você entrega flores uma vez é legal, mas duas vezes na semana é demais“. Ou ainda: “Ah, prepare aquele salmão ao molho de maracujá. É muito bom! Ela vai gostar“.

E se, por alguma conspiração do universo, tocar a nossa música, vamos, sim, lembrar que foi ela que embalou tantos beijos e abraços. Mas sem a saudade sofrida. “Foi legal, né?“. E como foi. Ela virou só mais uma canção especial. Assim como nós dois na vida um do outro.

Deu certo, tá? No tempo em que durou. Não era pra ser o amor eterno, mas foi amor. E acho uma verdadeira pena que agora sejamos estranhos um para o outro. Para mim, é uma lástima ter que te cumprimentar correndo, sem saber se abraço ou não. Sem saber se devo cumprimentar com um beijo cordial ou não.

Vamos fazer o seguinte: Na próxima vez que nos cruzarmos, vou pagar a primeira rodada sem querer nada em troca a não ser conversar, como nos velhos tempos, antes do amor entrar no caminho. Antes de eu ser sua dor e você a minha. Ou então, a gente bebe até esquecer isso. E saímos do bar abraçados, andando sem rumo e traçando os pés pela rua, rindo da gente mesmo e brindando as voltas do mundo.

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