Eu nem tinha acordado direito e já estava com a caneca de café na mão. O cabelo ainda não tinha sido penteado. O rosto ainda estava com a marca dos travesseiros. Isso tudo poderia ficar para depois. Eu precisava, antes de mais nada, de uma boa xícara de café.

Mas tive que parar o movimento antes de tomar o primeiro gole. Vi os marshmallows semi-derretidos flutuando na bebida quente… Uma mania sua que ficou em mim sem eu me dar conta. Há quanto tempo eu continuava fazendo isso? Há quantas semanas eu venho no modo automático?

Olhei ao redor e o resto do apartamento ainda mostrava você, mesmo na sua ausência. O sofá, que você tanto insistiu para ficar de frente para a janela, continuava lá. A cama vestia o jogo de lençóis que você escolheu. E minhas roupas continuavam ocupando só o lado esquerdo e as duas gavetas de baixo.

Céus… Por que ainda te mantenho aqui? Por que me aprisiono nos seus vestígios? Por que não sinto a vontade de bagunçar tudo que você arrumou tão milimetricamente? Hoje cheguei a conclusão de que é hora de retomar a minha própria vida. Hoje eu despertei de um coma induzido.

Sabe o que é engraçado? Sempre achei os marshmallows no café uma coisa bizarra e nojenta. Até comentei isso com você, mas você falou que eu deveria experimentar e deixar para decidir depois. Ok, não era tão ruim… Mas isso representa resquícios seus no meu dia-a-dia. E já passou da hora de eu me ver livre disso.

Joguei o café pela pia e peguei um novo. Preto. Sem açúcar. Sem você. E desceu pela garganta como se fosse água.

 

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