Você consegue me sentir saindo dos seus braços? Consegue me sentir fugindo das suas mãos e escorrendo por entre os seus dedos? Estou indo para outro lado. Aqui não dá mais pra ficar.

Não venha dizer que eu não tentei. Você não sabe o quanto meu coração sofreu, dia após dia, com seus pequenos pecados. Agora ele cansou.

Desistir quando não vale a pena não é um ato covarde, é sabedoria. É pegar o que ainda resta de amor próprio e seguir a vida.

Em silêncio, te dediquei sonhos, canções, pensamentos. Foram lindos – só para você saber – mas os guardarei para mim, no cantinho dos outros amores gastos.

Talvez um dia, quando a caixa com as memórias de você estiver
empoeirada, eu consiga revê-las sem sentir o frio na barriga. Sem as
pernas tremerem. Sem o coração ficar pequeno.

Quem sabe uma
noite, acompanhada de um bom vinho e de um outro alguém, a necessidade
de ter você nem seja lembrada.

É só questão de tempo…

E, então,
meu bem, vou pegar a sua caixa e ver as memórias voarem pela janela do
apartamento até chegarem ao chão e se espalharem pela quadra.

Com muito esforço, não estarei na rua, minutos depois, tentando reuni-las novamente.

É, eu também quase acreditei que era forte.

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