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E quando a gente não se acostuma com o vazio?

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu sempre achei que me adaptava fácil às novas rotinas. Se precisar acordar cedo, acordo. Se precisar fazer o turno da noite, eu me viro para botar o sono em ordem. Se eu cortar radicalmente o cabelo, duas olhadas no espelho bastam para eu reconhecer aquela pessoa. Por isso foi tão fácil acreditar que eu iria me acostumar com a sua ausência. Mas até agora…

Ainda não achei uma mão igual a sua, que tinha o tamanho certo para guardar a minha. Também não encontro suas pequenas gentilezas. Eu ficava tão orgulhosa quando você fazia uma pessoa qualquer na rua sorrir. “A senhora fica muito bonita de chapéu!”, e ela corava feliz. “Não fica com ciúmes, amor! Você fica bonita com chapéu, sem, careca ou toda cabeluda”, você complementava ligeiro.

E aí eu me pergunto: e quando a gente não se acostuma com o vazio que fica? É raro, mas acredito que algumas pessoas, quando grandes demais nas nossas vidas, deixam esse rombo que nada preenche e que tudo faz lembrar. E se nenhum dos meus risos chega perto dos que eu libertava quando eram com você? Eu tô nessa.

Outros bocas já passaram por aqui. Outros corpos. Outros gozos. Não que tenham sido ruins. Mas quando era a gente… A gente encaixou tudo de primeira, sabe? E não acho mais quem tenha o mesmo efeito. Talvez porque eu tenha ficado com as suas medidas e formato. Eu detesto gostar de alguém e, lá no fundo pensar que não é você ou que, com você, não era assim.

Quando a gente não se acostuma, parece que vamos para um mundo paralelo. Inverso. Onde quem foi ainda vive, mas não está. Não consigo me acostumar com a ideia de você com outro alguém. Essa imagem me causa estranheza. Não sei se é ciúme ou o que. Mas parece que o buraco que ficou aqui dentro aumenta e me vejo dentro dele por completo. Aliás, quase, porque você não está para eu ser inteira.

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Nós dois não somos mais os mesmos

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Quando vejo você por aí, nunca sei o que fazer. Se aceno calorosamente a mão e se só um balanço da cabeça seria suficiente. Nunca sei se devo me levantar para cumprimentá-lo ou se simplesmente ignoro. Essa costuma ser a minha opção… Como sempre fui distraída, não é difícil acreditar que você realmente me passou despercebido.

Mas, sabe, a cabeça fica projetando esses encontros hipotéticos e cheguei a conclusão que, se um dia nos esbarrarmos, o melhor a fazer seria me (re)apresentar pra você. Porque nós não somos mais os mesmos. E quem você conheceu (conviveu e amou), foi só uma versão anterior de mim. E vice-versa.

Hoje, acredite, cozinho bem e não durmo mais em filmes, já que eles se tornaram minha companhia na sua ausência. Parei de usar salto alto, porque não preciso mais me esticar para alcançar seus lábios. Só uso batom vermelho, não importa a hora do dia, porque eles me fazem sentir forte para ficar mais um dia sem você, mas ao mesmo tempo preparada para o caso de te encontrar.

Você, ouvi dizer, foi fazer mochilão no Peru. Quem diria… Você, que sempre preferiu conforto a aventuras. Também fiquei sabendo, através de amigos em comum, que desistiu da ideia de casar. O que vier, será. Logo você, que sonhava tanto quanto eu com o nosso grande dia.

Nós tivemos que matar aquela velharia que éramos, pro nosso próprio bem. O tempo reinventa. Remolda. Refaz. E a gente descobre que as novas partes são tão nossas quanto as antigas. Eu continuo sendo eu, só com uma nova roupagem. Mais solta. Mais porra louca. Até a minha risada, que você dizia ser preguiçosa, mudou. Faço escândalo agora, rio gostoso. Não por afronta às suas brincadeiras, mas como um cumprimento bem humorado a essa pessoa que me tornei.

Não somos mais os mesmos. Nem eu, nem você. Hoje, somos estranhos um ao outro, com um rosto familiar ao de alguém que conhecemos no passado. Eu brindo as mudanças, meu bem. Porque, sem elas, eu continuaria vivendo uma realidade em que você já não habitava mais.

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Eu não deveria deixar você me amar

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

[Você pode ler este texto ao som de Love, Love, Love]

Talvez eu tenha ido longe demais e eu só posso, talvez em vão, te pedir desculpas. Desculpa porque eu me demorei em você sabendo que eu nunca ia me entregar de verdade. Desculpa porque eu não te recusei e deixei você se acomodar em mim, mesmo tendo a plena noção de que eu não poderia ser seu aconchego. Eu sabia que logo iria embora, mas deixei você se aquecer em meu peito.

Você me fez bem, saiba disso. E isso tornou tudo bem difícil – mas não menos egoísta. Eu me programei para não te amar muito antes de criarmos essa relação que eu sem sei por nome. Não porque era você, mas porque eu não quero amar no momento. Tenho feridas ainda muito recentes e, por mais que você tenha ajudado a sarar algumas delas, ainda é cedo pra mim. Eu deveria ter dito isso.

Quando vi, você já estava se declarando para mim. Dizendo com palavras o que eu sabia só de te olhar. Transformou em vogais e consoantes o que aquele abraço quis dizer. Você ama e seu amor tem gosto bom, mas eu não sei reproduzir algo do tipo. Não ainda. Não de forma tão emergencial.

Eu queria que você viesse mais tarde e me amasse como agora. Te devolveria na mesma intensidade, vontade, mordidas, carinho na mão com os dedos. Te devolveria em sonhos, planos e planejamento. Te retribuiria em risadas, chocolates e elogios. Em sopro no pescoço, em mensagens de madrugada sobre nada importante, em músicas que, ao escutar, me fizeram lembrar de você.

Você ama e eu não deveria ter deixado isso acontecer, porque eu vou partir seu coração – seu bom coração – ao meio. Me desculpa, desde já, por não ter dito que eu não posso amar nesse momento. Seria bom e eu sei que você me cuidaria, mas meu corpo ainda pede repouso. Eu não deveria deixar você me amar, mas eu não soube o que fazer com teu sentimento roubado. Te devolvo, o mais inteiro que consigo, e espero que ache alguém que saiba levá-lo adiante.

Mas esse alguém não sou eu.

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Não é amor

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

É amor. Quer dizer… Tem que ser, não é? Caso contrário não mexeria tanto comigo. Não ia me deixar assim, como se fosse numa abstinência de você. Amor deve ter dessas coisas. Não sei… Mas eu leio e ouço que amor é meio louco. Mas é meio razão também. Deve ser por isso que sempre te perdoo. E por isso que você sempre volta. Não é? Só pode ser.

Não vejo outro motivo para nossas idas e vindas. É, você me machucou muito. E, tudo bem: eu também sei ser cruel quando quero. Mas quando tudo passa, a gente se dá tão bem. E, quando é assim, é porque está certo. Certo?

Não é assim que deveria ser? Essa coisa intensa – às vezes até demais, tanto no bom quando no ruim? Eu não sei porque o seu é tudo que eu conheço a respeito de amor. E, quando eu vejo um filme ou ouço relatos de outras pessoas, eu chego a conclusão de que não é nada parecido com o que temos. E olha… O deles parece ser melhor.

Sabe, talvez eu precise de algo mais tranqüilo agora. De menos erros. De menos traições e brigas. Talvez eu não deva mais te perdoar tanto. Porque eu ainda sinto as dores. Não é porque se tornou cotidiano que parou de doer. Não é porque você diz que me ama que eu realmente sinta o seu amor. Não é mais aquela coisa certa e palpitante que me faz querer ficar para sempre. Não é mais bom suficiente, é? Não é amor, né?

Não.
Não é.

 

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Chega

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Não dá mais.

A dor consumiu tudo o que eu tinha em mim. Se havia algo bom, foi engolido há muito tempo e, agora, só tem escuridão aqui dentro. E eu não aguento mais.Ao mesmo tempo que sei que não dá pra apontar um culpado, eu tenho vontade de gritar que foram todos vocês.

Aos que pensarem “mas eu nem fiz nada”, digo que é justamente esse fato que assina a sua sentença: Não fazer nada. Não escutar. Não ver – ou pior, fingir que não viu. Não dar um ombro amigo. Não oferecer um abraço. Foi achar que o tempo resolveria. Não resolveu. Não passou. Nada passou, a não ser a vontade de seguir tentando.

Tentar para quê? Por quem? Essa vida é sozinha e essa realidade fica cada vez mais forte. É muita porrada que a gente leva sem ter quem nos ampare. E, quando achamos que a próxima mão vem nos dar carinho, é mais um soco. Eu já to no chão e continuam chutando. E não vai parar nem quando eu for.

Não dá mais.

Sou fraco. Cada vez mais fraco. Nem pra chorar eu sirvo mais…

Faz tempo que penso em como parar essa dor ardente e não vejo outra opção. Tem que ser assim. Talvez seja uma surpresa para alguns… E, para esses, eu digo: desculpem por decepcioná-los.  

Essa vai ser a última vez, eu prometo.  

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Se ele for de Virgem

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Menina, não se preocupe mais com a bagunça que a tua vida virou. Ele terá paciência para deixar tudo no lugar de volta, parecendo novo. E vai olhar com carinho – e um pouco de orgulho – com o feito.

Não se doa se ele não se jogar com você nos seus devaneios românticos. Não que ele não queira, mas o negócio nele é mais pé no chão e ele prefere traçar os planos realmente possíveis para uma vida toda.

Ele não é muito de arriscar, já aviso. Mas, se ele optar por fazer algo, vá sem medo, pois ele já se certificou de que tudo indica sucesso. Isso serve para vocês dois, por isso, não há espaço para a insegurança. Apesar de ele ser razão, o coração dele é seu. E é um bem grande.

Voe se o seu sonho é esse. Incendeie. Chova. Seja ar, fogo ou água. Ele sabe que você muda. Que é inconstante e que sente os medos das mudanças e incertezas. Ele será a terra para você criar raízes e ter para onde voltar.

Ele vai se preocupar com você de maneira que você esquece às vezes. Não deixe de perceber e valorizar isso. E ele vai embalar boas conversas madrugada adentro. E, quando não falar, vai reparar nos seus detalhes e decorar até as pintas do seu corpo.

Se quer alguém que te cuide, menina, vai com ele. De maneira real e verdadeira, ele vai caminhar ao teu lado, trazendo você sempre de volta ao peito para te ouvir, ser teu consolo e teu porto seguro.

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Hoje eu não quero sair da cama

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Quando você foi embora, eu não quis levantar da cama para não ver a casa vazia. Para não ver como os cômodos dobraram de tamanho sem você aqui. Não quis fazer o café porque eu ainda não posso errar a medida de dois para um.

Não quis sair da cama para pentear o cabelo porque não veria seu reflexo me observando do quarto com aquele olhar pidonho e admirado. Não quis tomar banho quente porque não teria nenhum recado no espalho embaçado.

Hoje, eu não quis sair da cama porque a sala estaria sem graça e sem vida. Não teria você ali para disputar os canais – só para provocar (risadas). Não teria você explicando a cena do filme, que fez alguma referência aos quadrinhos.

Claro que eu também sinto sua falta ao meu lado, mas a cama é um dos poucos lugares onde eu e você ficávamos desgrudados, já que eu nunca consegui dormir de conchinha. Continuo encolhida no meu lugar, virada pra janela, sem ousar tatear e procurar você a poucos palmos de distância.

Não quero tirar o pijama porque eu teria que pegar roupa no armário e não quero achar uma camisa sua perdida sem querer. E se ela tiver o seu perfume? Não faz sentido o seu cheiro sem você aqui.

Não quero sair da cama para não enfrentar o chão frio e o choque de realidade que isso vai significar. Uma hora eu saio. Uma hora atendo ao telefone. Mas hoje, eu só consigo sentir sua falta.

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Estou com saudades de você

*Texto publicado originalmente no Entre Todas as Coisas

Eu não quero você de volta. Eu tô bem. De verdade que sim… E, acredite, até desejo que você também esteja. Leva um tempo pra gente conseguir admitir isso. Dor no ego é algo que leva tempo a cicatrizar. Perdoar também. Mas, quando acontecem, é libertador.

Com minha liberdade recém adquirida, meu orgulho também diminuiu. Agora, eu posso chegar para você e dizer, sem nenhuma segunda intenção, que estou com saudades. Mas antes que isso pegue mal, deixa eu me explicar.

É verdade que ficamos pouco tempo juntos, mas foi tempo suficiente para você se tornar meu melhor amigo e conselheiro. Com quem eu podia falar por horas, fosse sobre um episódio de Os Simpsons ou sobre a filosofia de Platão aplicada na sociedade atual. Fosse sobre minhas aflições ou sobre os seus traumas do passado.

Acho um desperdício amizades construídas em relacionamentos também serem perdidas quando o relacionamento termina. E, ainda que ex-casais continuem amigos, fica uma estranheza e nem tudo pode ser tema de conversa. Não dá mais pra ser amigo pra todas as horas.

Eu só queria poder ser sua amiga de novo. Podemos não ter sido bons em romance, mas como éramos ótimos em sermos parceiros. E é disso que eu sinto falta – mas se sair espalhando isso por aí, serei incompreendida.

Queria que soubesse que ainda tenho um carinho muito grande por você e acho uma pena não poder demonstrá-lo por não ser considerado “propício”. Mas fica o meu manifesto. Se um dia você puder aceitar meu convite para tomar uma cerveja e jogar conversa fora, ficarei feliz.

Se não der, bom… Eu brindarei à nossa amizade de outrora, com novos amigos ao meu redor, mas lembrando das nossas piadas. Pedirei sua marca favorita sem contar a ninguém. Será mais um segredo nosso. Talvez o último. Talvez a saideira, com a diferença que, dessa vez, eu que vou me levar para casa.

 

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Não tenho mais medo

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu não tenho mais medo, amor. Agora, eu digo, grito e berro que eu te amo. E que se danem os vizinhos se acharem ruim a minha serenata. Tô nem aí. Porque eu to feliz e confiante em declarar que esse amor me faz bem.

É que nem todos fizeram isso. Amor mal direcionado vira ferida desatada. E dói lembrar as vezes que disse “eu te amo” para o alvo errado. É como se as palavras ricocheteassem e voltassem para mim em brasa.

Mas dessa vez é diferente. Eu já te amava baixinho, sem saber se você também o fazia em segredo (quer dizer, eu sabia que você me amava em retorno também, mesmo em silêncio). Resolvi guardar para mim as palavras e deixar que o corpo fizesse o trabalho dessa vez. Quem sabe assim você perceberia o quanto eu te quero bem.

Eu dizia que te amava em cada abraço de chegada e em cada beijo de despedida. Em cada dedo entrelaçado nos seus cabelos. Em cada carinho na bochecha ou nas costas. Em cada olhar demorado e em cada crise de riso. Em cada conversa de final de dia e em cada desabafo.

Não sei por que eu tinha essa fobia em verbalizar o que já estava na cara (e em todo o resto de mim). Talvez porque você poderia não ter interpretado bem aquele meu sorriso… Vai que você não é tão bom na leitura de entrelinhas?

Mas já fazia uns dias que não tava mais dando pra segurar isso na garganta. Parece loucura, mas chegava a doer de verdade. Fisicamente. E aí, eu o deixei sair. Inseguro. Trêmulo. Sussurrado. Sem saber o que esperar em retorno.

Para o fim de todos os meus temores, você sorriu e disse um “eu também”. Parece que as palavras vieram em câmera lenta. Seu tom de voz foi suave. Tenho certeza de que vou guardar esse momento para sempre. Principalmente se eu voltar a ter medo.

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Ela é de Áries

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

[Você pode ler este texto ao som de Confident]

Ela se apega aos começos, porque ela é primeira. Vai guardar bilhetes de cinema, shows, nome do restaurante, o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira briga. Se ela se apaixonar por você, vai cultivar esse sentimento com o maior zelo.

Seja a aventura dela. Deixa ela te descobrir e mapear. Rondar as suas margens e se afundar nos seus segredos. Não precisa ter medo, não. Ela vai guardá-los como se fossem dela própria, abaixo de todas as camadas sociais.

Você não precisa esperar os lábios se encontrarem para sentir o beijo dela, rapaz. Ela começa no jeito de te olhar. Cria uma atmosfera que parece pertencer a um universo paralelo, onde ela é o sol.

Quando o beijo, enfim, chega, ela irradia. Ela vem de corpo e alma ao encontro da sua boca. Te faz arder em desejo (em suas mãos, porque ela vai te dominar, mesmo quando você pensar que não). Ela lidera o ritmo, o contato, a pressão, os movimentos.

Não espere que ela baixe a cabeça para as tuas vontades – as dela vem em primeiro lugar. Ela sabe melhor do que você o que quer para a vida e como chegar lá. Ela é forte, rapaz, mas não nega um cuidado. E, se você o der verdadeiramente, ela será sua pra sempre.

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