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Mesmo que nada dê certo…

Se você ainda não viu Begin Again (Mesmo se nada der certo), recomendo que assista e, então, venha ler este texto. A menos que você não se importe com spoilers. Apesar de não gostar deles, não tenho como falar desse filme sem contar os desfechos.

Então, pronto. Aviso devidamente entregue, comecemos.

Begin Again conta a história de uma compositora londrina em Nova Iorque, Gretta, vivida por Keira Knightley. Ela se mudou para os Estados Unidos para acompanhar o namorado, o cantor ascendente Dave (Adam Levine). O problema é que a fama do moço leva ele para longe e para outros braços, o que implica no fim do relacionamento.

Numa noite, em um bar, a convite de um amigo, Gretta sobe ao palco para cantar uma de suas canções. É aí que entra o personagem de Mark Ruffalo, Dan, um produtor musical que acabou de ser demitido de sua própria gravadora por não conseguir fechar um contrato há anos.

Dan consegue convencer Gretta a ficar uns dias a mais na cidade para gravar suas canções — detalhe: no cenário urbano, já que não tinham dinheiro para ir a um estúdio. E, assim, começa uma relação (não amorosa) entre os personagens.

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E aí é que também entra a minha parte favorita: O filme tem tudo para ser clichê. Você espera (e até torce para) que eles engatem um romance. Mas isso não acontece. Eles são apenas bons amigos.

Em seguida, numa tentativa de pedir perdão e voltar com Gretta, Dave a convida para um show e canta uma das músicas que ela compôs. E você volta a torcer: “Ah, perdoa! Perdoa!”. E o que ela faz? Sai de cena, para a nossa surpresa.

E mesmo assim, você comemora a decisão da moça. Ela fica sozinha. Dan volta com a ex-mulher. Dave fica com a fama. Não é o esperado, mas é um “felizes para sempre”, apesar de o filme terminar com Gretta chorando, andando de bicicleta pela Big Apple.

Mas não era um choro desesperado. Perdido. Pelo contrário: Era um choro que tinha, ao mesmo tempo, a dor do desapego e a alegria por ter se encontrado, finalmente. Um leva ao outro. Causa e conseqüência.

Ou seja: Gretta nos mostra que, mesmo que nada dê certo, dá pra ser feliz. Basta ter coragem para sê-lo.

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Filmes

A Teoria de Tudo

Enquanto vocês estão aí, em blocos, comemorando o carnaval, eu aproveito para fazer a minha maratona Oscar (que é neste domingo, dia 22). O filme do final de semana foi “A Teoria de Tudo“, cinebiografia do físico Stephen Hawking.

Eu não vou entrar em análises de fotografia, direção ou atuação. Isso eu deixo para quem entende. O que, ou melhor, quem me chamou a atenção foi a esposa de Stephen, Jane. (Não quero dar spoilers, mas como se trata de uma biografia, eu imagino que vocês já saibam a história.)

O filme começa com os dois se conhecendo numa festa. Logo em seguida, quando já está rolando um romancezinho lindo entre eles, Hawking é diagnosticado com a doença de Lou Gehrig (também conhecida como Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA).

E aí começou uma identificação muito forte minha com Jane: começo de um relacionamento atrelado a um início de batalha atroz. No meu caso, foi a leucemia, tratável e curável (como já foi, graças a Deus).

Mas a questão não é essa. Não estou comparando os níveis de gravidade ou medindo qual doença merece a maior nota na tabela “Quão ruim é”. Estou falando como isso pesa nos ombros. Como o baque é grande e como a gente se pergunta, antes de qualquer outra pessoa, se a gente realmente está pronta para enfrentar aquilo, porque, com certeza, é mais difícil do que a gente imagina.

No filme, o pai de Stephen diz a real para Jane: “A derrota é certa. Vai ficar pior. Você não precisa passar por isso“. E a resposta dela foi perfeita: “Eu sei que eu não pareço forte, mas eu o amo. E ele me ama“.

É isso.

Eu queria ter dito essas palavras. Porque não tem explicação melhor. A gente faz um monte de questionamentos nessa hora – e outras pessoas também. “Você está com ele por pena?” ou “Você realmente gosta dele ou está fazendo isso porque se sente na obrigação?“.

Não são perguntas cruéis. Não quero que ninguém se sinta mal por ter me feito esses questionamentos (como eu disse, eu mesma os fiz). São indagações naturais e cabíveis na ocasião. Mas a resposta, a gente descobre na convivência da doença: Ninguém conseguiria passar por tudo se não fosse por amor. “Pena” e “obrigação” não são tão fortes. Não aguentam as situações críticas.

Jane e Stephen não ficam juntos, depois de uns 35 anos juntos. Na hora, eu quase fiquei indignada. “Poxa, depois de tudo que ela fez por ele?“, mas lembrei que eu não iria querer que alguém fizesse a mesma acusação caso o meu relacionamento não dê certo. (Aliás, acabe. Certo, dá, só não é eterno). A gratidão deve existir sempre, mas nunca como moeda de troca. Me nego a aceita-la como barganha. Amor se devolve com amor. Não com culpa. Não por gratidão. Muito menos por obrigação.

Eu gostei do filme, não só por ser um filme realmente lindo e de chorar, mas porque eu vi que quando o sentimento é genuíno, suporta muita coisa e faz a gente crescer com uma raiz firme. “A Teoria de Tudo” não é um filme só sobre Stephen Hawking, física, Lou Gehrig. É um filme, acima de tudo, que ensina sobre amor.

Filmes, Listas

Os 100 melhores filmes da década

O Jornal britânico “The Times” listou os 100 melhores filmes desde 2000. Na primeira colocação ficou o longa “Caché”, dirigido por Michael Haneke e estrelado por Juliette Binoche e Daniel Auteil. O brasileiro “Cidade de Deus” conquistou o 66º lugar.

Abaixo, os 30 primeiros colocados. Veja a lista completa aqui.

1. “Caché” (2005)2. “Ultimato bourne” (2007) 3. “Onde os fracos não têm vez” (2007) 4. “O homem urso” (2005) 5. “Team America: detonando o mundo” (2004) 6. “Quem quer ser um milionário?” (2008) 7. “O último rei da Escócia” (2006) 8. “007 – Cassino Royale” (2006) 9. “A rainha” (2006) 10. “Hunger” (2008) 11. “Borat” (2006) 12. “A vida dos outros” (2006) 13. “This is England” (2007) 14. “4 meses, 3 semanas, 2 dias” (2007) 15. “A queda – As últimas horas de Hitler” (2004) 16. “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (2004) 17. “O segredo de Brokeback Mountain” (2005) 18. “Deixe ela entrar” (2008) 19. “Voo United 93” (2006) 20. “Donnie Darko” (2001) 21. “Boa noite e boa sorte” (2005) 22. “Longe do paraíso” (2002) 23. “O equilibrista” (2008) 24. “Extermínio” (2002) 25. “Dançando no escuro” (2000) 26. “Minority report – A nova lei” (2002) 27. “Sideways – Umas e outras” (2004) 28. “O escafandro e a borboleta” (2007) 29. “Quero ser John Malkovich” (2000) 30. “Irreversível” (2002)

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