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Postagem coletiva

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Me dá um cigarro

Postagem coletiva do grupo Escritores da Era do Compartilhamento, com o tema: “Me dá um cigarro“.

Lembro como se fosse ontem.

Eu estava com os caras no bar já fazia horas e saímos para fumar. A casa estava cheia e eu já estava meio virado, confesso. Acho que a gente percebe que está ficando velho quando começa a sentir mais rapidamente os efeitos do álcool.

Eles quiseram ir para o canto, conversar com umas meninas que viram um pouco antes – nenhuma delas havia chamado muito a minha atenção, mas eu estava lá e não ia negar fogo. Foi aí que você me tirou do rumo.

A dona dos olhos mais intensos que eu já vi parou na minha frente e pediu:

– Oi, me dá um cigarro?

Eu não sei quanto tempo eu fiquei parado olhando para você. Eu paralisei. Eu quis te beijar ali mesmo. Quis te conhecer, saber seu nome, sua vida, o nome dos seus pais e do seu primeiro cachorro. Ali, naquele nosso primeiro segundo, eu já te quis.

– Claro, tenho, sim.

Enquanto apalpava os bolsos para encontrar a carteira, você soltou:

– Curti sua camiseta…

Olhei, porque não lembrava o que estava vestindo e me achei um idiota: Era uma camiseta que ganhei de aniversário, de sacanagem mesmo, e os caras duvidaram de mim. “Aposto que não usa!”, disseram. E eu resolvi ganhar essa aposta hoje… Te conheci vestindo uma camiseta com estampa do Bob Esponja.

– Ah, isso aqui é uma brincadeira com meus amigos. Juro que tenho bom gosto!

E, pela primeira vez, te fiz rir. Menina, você arrombou meu coração nessa hora. Se eu já estava viciado nos seus olhos, o seu sorriso foi a cartada final para eu sair dali já sonhando com você.

– Qual é seu nome?
– Marina. E o seu?
– Robson.

E passamos o resto da noite ali, jogando conversa fora. Descobri sua banda favorita, que veio de Minas quando era ainda pequena, que é a irmã do meio, que trabalha com design de interiores. E você descobriu que me ganhara. Eu não fiz questão nenhuma de esconder que eu já era louco por você.

O que eu quero dizer, menina (minha menina) é que, ao me pedir um cigarro, você me ganhou por inteiro.


Postagem coletiva – Leia também os textos “Me dá um cigarro” de:

Tatiane Argenta
Pâmela Marques
Mario Feitosa
Joany Talon
Jeessy Batista
Mariah Alcantara

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Eu não sou sua vítima

Postagem coletiva do grupo Escritores na Era do Compartilhamento, com o tema: “Recomeço”.

Eu ainda estou no chão empoeirado em que você me largou. Meus olhos viram seus últimos passos, mas meu coração não aceita. “Esperança é a última que morre”, mesmo quando a gente tenta, com todas as forças, sufocá-la. Ela é persistente.

E na imundice das suas mentiras e jogadas, eu espero ela fraquejar e desistir de mim. Desistir de você. Ir embora do meu corpo, levando consigo o que, uma vez, foi o amor que tive. Ele era lindo, por sinal (pelo menos, para mim).

Mas você foi e me arrancou a beleza dos dias. Abruptamente, meu mundo ficou cinza e as cores que enfeitavam minha rua, ficaram frias. A paleta desbotou e a tinta que pintava o meu sorriso escorreu.

Só que eu não estou aqui para te falar que sou vítima. Posso ter sido… Até a história, como todos os roteiros, ter uma revira-volta. Eu poderia ter ficado deitada e sem forças, sim. Mas quando a esperança da sua volta, enfim, morreu, veio uma força para substituí-la. E eu me levantei.

Fiquei alta, como você jamais me deixaria ser. Cheguei ao recomeço depois de lançar você no esquecimento. Foi como me soltar de uma âncora. E, agora, voltei a navegar pelos mares como se nada pudesse me parar.

Não quero vingança, não se preocupe. Sou maior do que isso. Eu prefiro simplesmente não saber mais de você. Se está bem ou não. Se está com alguém ou não. Não me interessa. Faça o que bem entender. Não te desejo nem bem, nem mal. Mas, para mim, ah… Para mim, eu desejo toda a felicidade do mundo. E é atrás disso que eu sigo recomeçando.


Postagem coletiva – Leia também
(links serão adicionados aqui conforme forem publicados):

Tudo novo, de novo, por Nathalia Moraes
Quando a gente recomeça, por Sâmela Faria
Outros dias virão, sempre, por Juliane Rodrigues

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Não acredito em amores finitos

Postagem coletiva do grupo Escritores na Era do Compartilhamento, com o tema: “Amores Finitos”.

Você sempre me dizia que nada é para sempre. Repetia que tudo, um dia, termina. Sucumbe. Mas você esqueceu que, para toda regra, há uma exceção. E, neste caso, é você. Sua presença pode não ter ficado, mas você permanece aqui.

Não acredito em amores que se dizem finitos. Para mim, amor é mutante. Vira carinho, saudade e, às vezes (muitas vezes), até dor. Aquela intensidade no peito que te faz querer explodir em lágrimas. Esse é o amor alojado no lado fragilizado do coração. O amor (ainda não amansado) por quem já foi.

Há pessoas que pensamos amar. Fazemos promessas impossíveis, dizemos que amamos “até a lua e de volta”. Juramos que matamos e morremos. Mas depois que elas passam, o que foi dito soa de uma imbecilidade sem tamanho. E é isso. Sem nenhuma palpitação diferente do coração.

Quando é amor, as mesmas promessas fantasiosas perambulam na terra do “E se..?”. E o nosso sorriso, ao nos recordarmos delas, é um misto de bobo com saudade, junto com um olhar nostálgico e com um pensamento: “Poxa, que época boa”. O amor se acomoda em sentimentos parceiros.

Por que estou dizendo tudo isso? Porque hoje tocou uma das nossas músicas em um filme que assistia e eu senti. Não uma dor destruidora, que me fizesse não querer mais sair do sofá. O que eu senti foi o ponto e vírgula que a gente deixou em mim.

Revi nossas noites. Ouvi nossas risadas. Lembrei do seu gosto. Cheirei sua pele. Me afundei no tom de mar dos seus olhos. E foi gostoso… Ri sozinha – e até um pouco envergonhada – por me flagrar curtindo essas velhas sensações novamente, como se você ainda estivesse sentado ao meu lado ou deitado no meu colo.

Então, quebrando a sua teoria de que tudo termina: Amores não são finitos, meu bem. Eles se transformam em memórias.


Postagem coletiva – Leia também
(links serão adicionados aqui conforme forem publicados):

O espelho, por Mariah Alcântara
Nem adianta insistir, por Jeessy Batista
Você não sabe o que é o amor, por Cíntia Gomes

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