Estava na hora de ir. O ônibus sairia dali alguns minutos e eu tinha que correr para não perder o avião. Detesto despedidas. Sempre me esforço para não acabar em prantos e nesse caso, então, nem se fala…. Pisquei rápido várias vezes para desfazer as lágrimas que já queriam se acumular.

– Tenho que ir
– Eu sei. Boa viagem.

E você me abraçou como se o seu corpo contradissesse a sua razão. Você sabia que eu precisava ir, mas seus braços pediam o contrário. “Que ‘boa viagem’ que nada! Você vai ficar aqui!“. Não sei com que forças nem por que eu me soltei.

Pensei em você no caminho inteiro. Repassei nossos dias mentalmente de novo e outra vez. Contei os passos de distância para eu ter uma medida oficial da saudade que me acometeu. E ali, olhando para o nada, deixei o choro, antes censurado, sair.

Eu deveria ter te abraçado por mais tempo. Aqueles cinco segundos extras que eu julguei ser de mais… Bem, eu sinto falta deles. Agora, antes de dormir, quando ouço a sua voz.

Ah, se eu pudesse voltar no tempo… Teria ficado nos seus braços até perder o voo. Até perder a noção dos minutos. Até eu me perder em você. Até não restar nada além de nós dois.

É, eu quero aqueles cinco segundos. E todo o tempo que vier depois.

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