*Texto publicado originalmente em Entre todas as Coisas

Hoje é Dia das Crianças e eu só consigo me perguntar por que deixamos algumas características da infância para trás. Ficamos tão ansiosos por crescer que, quando percebemos, já aconteceu. E nem tivemos tempo para nos preparar bem ou pensar duas vezes a respeito.

Ser adulto tem suas vantagens, claro. A independência talvez seja a maior de todas, mas perdemos umas essências infantis que fazem falta em meio ao estresse da vida de gente grande. Hoje, tenho vergonha de gargalhar em público e falar o que penso pode trazer conseqüências catastróficas.

Eu parei de subir em goiabeira para comer direto do pé e nunca mais fui ao bosque perto de casa com um copinho para juntar as amoras. Bicicleta, que antes era diversão diária, hoje é missão de final de semana. Não tinha problema em correr descalça na rua (chinelos atrapalhavam e os tênis deveriam ser poupados para a escola).

Não agüento mais jogar Bets por dor nas costas e tardes pulando na piscina foram substituídas por tardes torrando no sol com alguns mergulhos esporádicos – notou como a água fica gelada quando envelhecemos? Também parei de imaginar mundos extraordinários, com seres incríveis. A imaginação, hoje, precisa ser convertida em resultados no trabalho.

Até amar fica mais difícil, porque as decepções também começam com o decorrer dos anos – provavelmente na adolescência e aprendemos algo que, na infância, relevávamos: a sermos rancorosos. Claro que criança sofre uma vez ou outra. Quando o amiguinho resolve que tem outro amigo mais legal ou quando o menininho bonito da sala gosta da loirinha e não de você. Mas não ficam remoendo aquela dor. Criança tem muita facilidade em sair da fossa. Talvez seja agilidade de músculos ainda não sedentários.

Então, nesse Dia das Crianças, eu desejo que você recupere o que você tinha de melhor quando era pequeno. Talvez, a solução seja acreditar que somos super heróis e que, no fim, o bem vence o mal. Vamos vestir nossas capas outra vez e sair por aí salvando o mundo. E, não esqueça que, para dar mais veracidade, devemos sorrir sempre.

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