O lugar de onde eu vim é pacato, modesto e simples. Era cômodo, disciplinado e regido pelos bons costumes.

Os jovens obedeciam e respeitavam os mais velhos. As meninas usavam vestidos e fitas no cabelo. Os pais ensinavam aos filhos a serem bons ao próximo.

O lugar de onde eu vim tem as ruas limpas, planas e sem buracos. Os prédios lá são bem conservados e as casas são lares. As praças são frequentadas por famílias completas aos domingos.

Enfim: O lugar de onde eu vim é perfeito. E, ainda assim, fugi.

Se paro para pensar, lembro como era fácil e previsível. Mediante uma situação inesperada, tenho vontade de voltar, porque, lá, isso jamais aconteceria. Mas o perfeito cansa, sufoca, enlouquece.

Não esqueço de onde eu vim, mas enraizar não é muito minha praia.  Ficar presa e estática não combina comigo. Ainda mais onde tudo é perfeito, já que eu sou tão cheia de falhas.

Então, parti… Para um lugar onde eu não destoasse do restante. Não foi tarefa fácil acostumar os olhos à poluição visual, nem os ouvidos aos ruídos noturnos.

A velocidade aqui é outra. Tudo passa rápido demais. Só assim pude perceber quão relativo é o tempo e o quanto ele pode significar. Só aqui passei a valorizar a importância dos segundos.

Ao sair de onde eu vim, me perdi. Nem GPS, mapas ou bússolas poderiam me ajudar. Mas foi nesse contexto desnorteado que me encontrei.

O lugar de onde eu vim ficou para trás. E para onde eu vou? Bom, isso não tenho como saber, mas o importante é seguir em frente.

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