Desculpa a bagunça. É que um furacão passou por aqui e deixou destroços, feridos e mortos.

Ainda bem que desastres desse porte, por mais terríveis que sejam, são passageiros. Mas era doído olhar ao redor e ver como a paisagem ficou. Tudo era tão cheio de vida e, de repente, devastação… Desde então, estou em estado de alerta.

Eu não estava conseguindo andar nem olhar para frente porque tinha algo em mim que me prendia ao passado e não sabia como me
livrar daquilo… Ficava lembrando de como era antes da destruição e lamentava, chorava, desejava que tudo fosse como antes. O que foi
morto na tragédia virou fantasma para me assombrar. 

Me protegi de todas as formas possíveis. Levantei estruturas com fundações fortalecidas e mais profundas para que não caiam de novo (ou para que resistam mais tempo a uma nova tempestade).

Não é nada pessoal. São os traumas.

Agora, a qualquer brisa, tocam sirenes e alarmes dentro de mim. E você está fazendo ventar por aqui…

Desculpa – de novo. Não queria te incomodar com a minha
história porque ela é triste e me deixou assim, tão cheia de neuras e com sistemas de vigilância.

Mas se você achar o ponto cego, aquele que nenhuma câmera mostra, dá um jeito de pular o muro e vem habitar em mim.

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