Hoje peguei meu coração e o guardei numa caixa à prova de som e de tiros. Ele precisa desse refúgio. Eu deveria ter dado esse descanso há algum tempo, mas não o ouvi berrando dentro de mim.

Passei a chave, envolvi o pequeno baú com uma corrente, tranquei com cadeado. Ali, longe de mim, está seguro, finalmente.

Acho que não sou cuidadosa o suficiente. Ou, sei lá… Sou desligada demais para ter a guarda de algo tão precioso. Não percebi que, na ânsia de tirá-lo da solidão, estava levando-o a uma superexposição. E pior: ao fazer isso, deixava em evidência cada cicatriz do pobrezinho.

E ele, todo envergonhado, sofria…

Fica tranquilo. Agora você está bem guardado e só vai sair daí quando se sentir bem novamente. É só me chamar que eu te liberto. Não vou te dar prazos. Dessa vez, eu irei conforme o seu calendário e vontade. Prometo. Juro de pé junto que eu espero.

Você está confortável assim? Arrumei sua acomodação da melhor forma que eu consigo – e você sabe que não sou jeitosa, né? Então, por favor, leve isso em consideração.

Bom, não vou mais te incomodar. Fica em paz aí e, precisando de qualquer coisa, é só chamar. Descansa, coração. E não se preocupe com nada aqui fora. Eu me viro sem você.

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