*Texto da leitora Lahis Nascimento, para ler ouvindo Turn me On, da Norah Jones

Se alguém me perguntar o seu nome completo, seu endereço ou onde você trabalha, eu não saberei responder, mas sei os tons dos seus batons, casacos, sapatos…e afins.

Você pega o metrô todo dia no mesmo horário que eu,  por benção de Deus, também o estou esperando. Aprendi a observar cada detalhe seu com discrição e me pego cada dia mais admirado.

Na segunda, você sempre aparece de batom vermelho, o seu tom mais forte, porém me priva de ver seus olhos verdes com um belo óculos escuros, que é um encaixe perfeito ao seu formato fino de rosto.

Na terça, sempre com um cappuccino, você ainda permanece de cabelos soltos e na maioria das vezes ousa com um decote mais saliente, que me faz pensar como os seus colegas de trabalho vão fazer pra disfarçar o olhar…O problema é deles. Esperto que sou, a terça é o meu dia de óculos escuros.

Então, a quarta chega, meio simples. Você parece não ficar muito satisfeita com os casais abraçados nas poltronas ao lado e eu me pergunto se teria ou não um namorado. Me pergunto por que raios toda quarta-feira você carrega aquele punhado de revista de moda. Mal sei no que trabalha… Seria uma consultora de moda ou seria para escolher o seu vestido de noiva?

Quinta-feira monótona, de novo óculos escuros, chá verde e dessa vez nada de batom vermelho, acho que é o que as mulheres chamam de “nude”, é um desperdício não deixar em enfase aquela boca bem desenhada. Pouco me importa a cor…Sendo “nude” ou vermelho, eu já sei mil e uma maneiras de tirar a cor dos seus lábios, os encaixando nos meus.

Todos amam a sexta-feira. Eu também…Você me provoca com vestidos justos e muito profissionais. Fico me perguntando como consegue ser tão sexy e tão comportada. Aonde será que vai depois do expediente? Por Deus, você me enlouquece com a combinação de batom rosa e cabelo preso, quase sempre rabo de cavalo, mas, às vezes, coque. Me deixa louco aquela nuca ali, tão inofensiva, exalando o melhor dos perfumes. Viajo em você, e acho que nas sextas quase te deixo perceber a minha total alucinação.

Você levanta e eu imagino como seria se eu pudesse abrir o zíper do seu vestido, conhecer o seu corpo e suas curvas, conhecer seus sentimentos, sua alma, seus medos e, talvez, até chegar ao coração. Acho que lá eu poderia ficar – juro que quietinho, calado –  para apenas te arrancar, em qualquer dia, em qualquer hora, um sorriso, dois, três… Muito mais.

Comments

comments

Powered by Facebook Comments