Vou confessar que, às vezes, acordo de madrugada te procurando na cama. Minhas mãos saem tateando o colchão no escuro até encontrarem a saudade disfarçada de você. Ela tem a textura da sua pele. O cheiro do seu xampu. Até o timbre da sua voz sonolenta me dizendo “Calma, eu tô aqui“.

E se desperto no meio da noite, odeio a minha insônia mais do que nunca. Não por me roubar o sono, mas por me fazer lembrar que não tenho mais o seu rosto para ver enquanto não consigo voltar a dormir.

Será que você volta ou minha imaginação já está indo longe demais? A sensação do seu retorno iminente me levanta e me destrói ao mesmo tempo. É a minha droga. Vivo a espera de um telefonema. De uma mensagem. De uma batida na porta.

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E, quando (não me atrevo a dizer “se”) isso acontecer, a saudade vai bater em retirada, junto com todas as imitações e jogos de mente que me aplicou nesse tempo em que você saiu. Eu não quero mais o seu disfarce. Eu quero você de verdade, em carne, osso, manias e imperfeições.

Quero meus lençóis mais caídos para o seu lado de tanto você puxá-los a noite toda. Quero o seu corpo para esquentar o meu nas madrugadas mais frias. Eu quero dormir com você de novo e acordar segurando sua cintura, bem firme, para nunca mais te perder.

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