Mais um ano passou voando pelas janelas da minha alma. E ela se pergunta quanto tempo levou cada vinte e quatro horas desses dias todos. Ela variou de estados no decorrer dos meses. Mudou de cor. Conheceu novas facetas. Foi luz e escuridão. Foi cheia e vazia. Foi sinônimos e antônimos.

Aprendeu a esconder dos outros e a mentir para si mesma. Confiou demais nos outros e menos em mim. A exemplo de Ícaro, se encantou com as asas e voou muito perto do sol. Sentiu vergonha como nunca antes. Sentiu dor como nunca antes. E, por uma fração de segundos, desistiu.

O travesseiro bem sabe como as noites foram sofridas, amargas, solitárias e frustrantes. O chuveiro conhece cada um dos pensamentos que lavou e levou pelo ralo com a água. E só o espelho poderia dizer como é encarar olhos ora vermelhos, ora desbotados.

Em compensação, deu tempo de se reencontrar e ser leve de novo. Reergueu-se. Criou novas forças, novos olhares, novas alternativas para chegar até o topo. Ainda não o atingiu, mas está mais perto do que há uns meses. Os caminhos são para ela, não dela.

A reabilitação leva tempo. Cicatrização também. Mas já é um alívio voltar a enxergar uma luz fraca em seu interior. E eu pensando que esse raio de sol havia morrido… E a monocromia começa a ser quebrada por detalhes em cores vivas.

Ainda que seja pouco, ainda que haja tanto para recuperar, já é alguma coisa: o recomeço.

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