Essa noite, tive a cama só pra mim. Me esparramei pelo colchão, tomando conta do espaço feito para duas pessoas. Estiquei braços e pernas sobre a vaga ao meu lado. Tive a coberta toda pra mim, sem precisar disputá-la. Ah, e coloquei o sobre lençol.

Essa noite, não me preocupei se eu estava muito no centro do leito: Sabia que sim e aproveitava cada pedaço dele… Dormi com mais de um travesseiro e sem ar condicionado. Não me preocupei se meu joelho iria machucar alguém. Estava livre.

E incompleta.

A verdade é que nada disso compensa a sua ausência. A sua mão na minha cintura. Alguns beijos na nuca e abraços durante a noite. E acordei algumas vezes tateando a cama para ver se te encontrava ao meu lado (e nada. Em nenhuma das vezes). Só a sua falta era palpável.

Lembrei daquela vez em que, deitados e recém acordados, eu te cantei aquela canção que fala sobre sonhos. Imaginei o que você sonha agora… Se é com a viagem para a Austrália ou em montar um café artístico-sustentável em São Paulo… Se ainda é com a gente morando para aquele bairro em que você cresceu.

Não sei mais dos seus sonhos. E me dei conta de que não lembro dos meus quando abro os olhos. Tudo cai em alguma espécie de esquecimento indiferente. Menos você. Menos a nossa vida a dois. Menos a vívida lembrança da sua presença.

Talvez seja até melhor eu não me recordar dos sonhos porque, do jeito que as coisas estão, eles com certeza ainda são sobre você.

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