Desde os meus 13 anos, eu sou apaixonada. Pelo menino bonito e tímido do 1º ano. Pelo namoradinho. Pelo colega de sala. Pelo noivo. Pelo amigo. Pelo marido… E, agora, nada. Sinto que não há o que me mova, a não ser as obrigações de continuar vivendo. A verdade é que os sentimentos aqui dentro são bem mais bagunçados, densos e escuros do que eu estou acostumada.

É como se eu estivesse desbotando. Esmaecendo… Sinto a minha tatuagem ‘Alegria’ perdendo um pouco de seu sentido e se tornando apenas um rabisco na pele. É como se eu fosse um mar e, de repente, perdi minhas ondas. Eu não sei lidar com a calmaria, porque ela assusta. Não é aquela tranquilidade que traz paz, mas um marasmo.

Eu sei que é uma dependência infantil e romântica demais, a necessidade de estar apaixonada. Mas o que nos impulsiona não é extamente isso? Essas explosões de desejo por alguém ou por algo? Pela primeira vez, sigo com esse enorma vazio no peito. E, dessa vez, não é só um exagero literário.

Tô tentando me apegar a coisas. Materiais. Sei lá, a alguma coisa que faça eu recuperar a parte quente do coração. Talvez, só agora, eu esteja me dando conta de que esse pedaço de mim se foi com ele. A regeneração vai levar tempo…

Nem para escrever está fácil. Eu tento, tento mesmo, buscar algo aqui dentro que valha a pena ser explorado. Ouço pessoas e músicas. Vejo filmes. Mas nada toca tão fundo para virar inspiração. Ele foi a minha durante esses anos e isso me permitia brincar entre sentimentos, porque eu sabia que teria para onde voltar. Minha base estava segura.

Agora, meu medo é explorar e não saber voltar, porque a estrutura não está mais lá. Voltar pra onde? Qual é o meu ponto de partida agora? Talvez exista um, mas eu preciso esperar o nevoeiro passar. Ele era o farol… E a luz apagou.

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