Não posso deixar minha cabeça muito solta, porque ela sempre acaba indo até você. Perambula pelas possibilidades, quiçá impossíveis, de um novo encontro nosso. De uma tentativa de reaproximação sua. E como eu reagiria caso você decidisse voltar.

Imagino você chegando perto de mim numa oportunidade em que ficássemos sozinhos e isso me faz tremer e arrepiar, um pouco por excitação, um pouco por medo da recaída. Você me provoca como fazia antes. Fala ao meu ouvido, tentando me convencer de que nós ainda podemos ser uma boa ideia.

Essa projeção me faz lembrar vividamente de como eu me esqueço de mim quando estou com você. Como estar ali, nos seus braços, vira a coisa mais importante do mundo. Com o seu rosto tão perto do meu, lembro bem do seu gosto, das suas mãos na minha cintura. Ao mesmo tempo em que recordo como tudo isso foi venenoso para mim.

Mas, em meu devaneio, você chega e consegue me beijar. É a partir desse momento que as coisas começam a ficar confusas aqui dentro, porque parte de mim quer se entregar de novo e corresponder aos seus beijos com paixão – porque eu também lembro como você me enlouquecia. Essa é uma das piores partes de e para esquecer.

Em contrapartida, a outra parte de mim quer te empurrar para longe e chorar de ódio por sua audácia. Depois de tudo, você tem coragem de tentar fazer parte da minha vida de novo, sendo que só eu sei o esforço que tive para reconstruí-la sem você? Não, meu querido. Dessa vez, não. Essa segunda opção me faz sentir mais forte.

Talvez eu precise disso para dar um ponto final a esse capítulo. Mas, se ainda me pego pensando em você, o quanto (de fato) ainda falta para o fim? Qual será a real parcela de mim que você ainda possui? Ah, droga… E se você voltar? Rezo para que não volte. Não ainda. Não até eu decidir qual será o desfecho dessa minha história que, ao que parece, segue com páginas em branco.

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