Não me pergunte como, mas eu já sabia que você iria. Eu sentia na alma, talvez. Nem eu sei explicar, mas não foi surpresa quando você expôs sua decisão. Foi nesse momento em que a realidade desabou sobre a minha cabeça. O ponto chave em que a suspeita se concretizou em verdade.

Mesmo não sendo surpresa, doeu como adaga cravada no peito. Suas palavras saíam em câmera lenta dos lábios. Era como se eu estivesse em outra dimensão, assistindo a cena como espectadora. Não sei se não consigo ou se não quero te olhar nos olhos…

Você não vê a minha batalha interna para não ficar brava e gritar com você. Se eu abrir a boca para dizer qualquer coisa agora, não responderei por mim. Tô tentando me controlar, me conter, ser racional. Ouvir os seus argumentos, mas nenhum parece fazer sentido. Mas a lógica tem vez nessas horas?

Eu parei de ouvir. Você continua na minha frente, gesticulando, chorando, mas eu só consigo prestar atenção no nosso filme que insistiu em ser projetado agora. Talvez seja uma tentativa de encontrar os sinais que perdi… Erros, falhas, negligências. Está em algum lugar aqui, eu sei. Será que algum é reparável?

Voltei à realidade em tempo de te ouvir chamar meu nome carinhosamente pela última vez. A partir deste momento, eu seria apenas uma menção qualquer para você. Fui colocada no mesmo patamar de uma professora da 1ª série. De um vizinho na época da faculdade. Eu virei só um nome e você, cicatriz.

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