Sinto que estou revelando a grande hipócrita que sou ao dizer isso, já que postei algumas vezes sobre amor próprio, confiança e autoestima. Mas o bem da verdade é que eu ainda não tenho conhecimento de causa para falar a respeito desses tópicos.

Não é conversinha para jogarem confete, não. Dispenso esses comentários… Mas eu imagino quantas mulheres estão na mesma situação que eu: aplaudem discursos de empoderamento, afirmam que corpos não precisam ser magros, acreditam que não existe ideal de beleza, mas que, no fundo, sofrem porque sabem que são apenas palavras da boca pra fora, já que isso ainda não se aplica à nossa realidade.

Racionalmente, está tudo certo. Eu creio, sim, que não há só um tipo de rosto, pele ou corpo que mereça ser chamado de “bonito”. Porém, emocionalmente… Ainda não dá pra dizer que estou convencida. Ainda dói ver na balança que eu engordei. Ainda dói saber que meu corpo ainda domina minha confiança e meu emocional.

Me senti estarrecida quando vi que, em poucos meses, engordei 6kg. Foi uma decepção muito forte comigo mesma, porque eu estava bem até o ano passado. E, agora, não posso ver meus braços que já sinto vontade de chorar. Tenho feito academia e cuidado da alimentação, mas, quando a gente está nessas condições, queremos o resultado do dia pra noite – e isso é ilusão. Mas fala isso pra uma mente que já está toda neurótica!

Aí me pergunto se sou uma farsa. Poxa, se não tem problema ter gordurinhas, por que as minhas incomodam tanto? Por que ando com vergonha do meu próprio marido quando ele me faz carinho? Eu sinto vontade de encolher toda a barriga até perder o ar, para que ele não perceba que a “pochete” aumentou. Ele não diz nada… Ele continua me abraçando da mesma forma e diz que é para eu “largar mão”.

Eu ainda não amo meu corpo. Sequer sou indiferente a ele, como já vi textos propondo… Porque ele me aborrece. E muito. Não sei se acontece com vocês, mas a mente também é traiçoeira: quando tento achar, no espelho, alguma coisa boa, ela vai lá e aponta um outro defeito que eu não tinha nem reparado (e que, quiçá, nem seja defeito mesmo. É só distorção).

Algo que tem me ajudado muito – e a outras mulheres – é o #PapoSobreAutoEstima, do blog Futilidades. Além da hashtag, tem grupo no Facebook, onde várias moças expõem suas dificuldades, suas lutas internas, seus medos… E são abraçadas. Essa é a maravilha da coisa. Porque, olha, se tem algo que NÃO AJUDA é:

– Eu tenho problema com minha autoestima
– Ai, até parece! Você, linda do jeito que é…

NÃO SEJA ESSA PESSOA!

Escute, entenda, aconselhe. Mas não desdenhe a dor do outro.

Mas, voltando ao grupo citado: eu já até postei sobre essa minha insegurança e recebi vários conselhos. Ainda não tenho a coragem para ir para a praia e postar foto de biquini com o que tenho hoje, mas… Vamos ver se, um dia, isso acontece.

Acho importante dizer/lembrar que: a gente não precisa se cobrar tanto para amar nosso corpo. Mas não nos deixarmos entristecer por ele já é uma vitória considerável. Eu tô tentando.

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