*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Para ler ouvindo: Please Don’t Leave Me

Toda vez que acordo e te vejo ao meu lado, me pergunto: Como e por que você veio parar aqui comigo? Por quanto tempo vai ficar? Quanto tempo até eu estragar tudo? Ah, amor… Como eu queria não ser fraca para poder sustentar o que somos com você. Mas há dias em que mal posso comigo mesma por causa dessas dúvidas que me cercam.

Queria abrir os olhos um dia e ter certezas ao invés dessa enxurrada de perguntas. Queria saber o tempo todo que você está comigo porque gosta de mim como sou, do meu jeito estabanado, da minha necessidade em ir ao cinema toda semana, do fato de eu fazer questão de sobremesa todos os dias.

Fico feliz que você não consiga ler meus pensamentos (e feliz por já ter aprendido a desmenti-los com os olhos. Detestaria que você visse o tamanho da minha real aflição). Porque, aqui dentro, é um turbilhão sem fim. Uma guerra constante entre mim e eu. E todo conflito atinge inocentes…

Queria te salvar dos estilhaços. Mas como, se nunca há paz aqui dentro? Se o lado que te quer bem (e que me quer bem também) parece perder sempre? Ao mesmo tempo que te quero perto, porque tenho medo de ficar na minha companhia, eu quero que você fuja para longe de mim – e eu vou desmoronar quando isso acontecer.

Eu sou essa dualidade estranha e bagunçada que quer ser, mas não é o melhor para você. Eu tento, me esforço, mas tropeço nos próprios pés. Minha sorte (e que sorte!) é que eu sempre caio nos seus braços. Ah, quer saber? Não foge, não. Porque você é o único que, além de aparar a queda, faz com que meu coração fale mais alto que as vozes dos meus fantasmas.

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