Acabei de voltar de férias. Viagem curta com a família… Nada demais, mas necessário. Não somente para o descanso físico, mas principalmente para a cabeça inquieta. Foi bom para espairecer e para receber um aconchego de parentes. Foram abraços selados e um conforto silencioso. Sem perguntas. Sem conversas sobre o assunto. Não foi preciso… Melhor falar da vida que vem pela frente.

Esses dias foram bons para eu entender o que é o meu luto. Não houve um dia sequer em que não pensei em você, amor. Em todos os passeios, em todas as refeições, eu pensava que você gostaria de estar ali, tanto quanto eu queria que estivesse. Mas a primeira lição foi que eu não devo viver o passado, tampouco o futuro do pretérito. Meu desafio é o presente. E esse tempo não te envolve mais (fisicamente).

Precisei de uma coragem jamais vista em mim para, enfim, verbalizar isso a mim mesma. Precisei da viagem para tirar a aliança. Ela está guardada na nossa caixinha… Mas também foi dolorido porque foi a minha assimilação final de que não sou mais casada – apesar de meu coração ainda é seu.

Eu mergulhei, amor. Nem acredito ainda… Me lancei ao mar e fui para baixo d’água. Lembrei de quando você me contava das suas aventuras em Fernando de Noronha, onde você viu tubarões e um baiacu. Para a minha sorte, tudo que vi foi um ouriço do mar. E ali, vendo a criatura marinha, percebi que, apesar de pensar em você constantemente, não havia dor. Estou aprendendo a desvincular sua lembrança dela.

Pensei que a viagem seria boa para eu tirar a cabeça um pouco do que aconteceu, mas você não está nos lugares. Está em mim. E vou te levar sempre, cada vez com menos sofrimento e mais saudade. Às vezes eu esquecia que ainda dói. E isso não quer dizer que esqueci de você. Está tudo bem em deixar a dor pra lá… Aliás, é assim que deve ser.

Nesses dez dias, pude contar nos dedos (de uma só mão) as noites em que chorei. Consegui, depois de muito tempo, dormir com crises de riso. E tudo bem! Não posso mais me sentir culpada por ter momentos bons e felizes sem você. Claro que falar é fácil… Como eu li essa semana:

“O pesar não é limpo, arrumado ou conveniente. No entanto, senti-lo e expressá-lo é a única maneira de ficar inteiro mais uma vez.”

Texto completo aqui.

A gente nunca sabe quando vai estourar em raiva ou choro. Por isso eu escrevo sobre você, amor. Para eu deixar a cabeça em ordem e ficar mais fácil de continuar… Para, quem sabe, voltar a ser inteira. E isso não quer dizer te apagar ou substituir. O seu espaço é seu e sempre será. Mas eu preciso abrir novos caminhos. Traçar novas metas. Reencontrar um sentido e voltar a sentir – a começar pela coragem.

 

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