Eu precisava muito falar sobre doação de medula óssea com vocês. Divulgar essa ação, explicar da forma que eu puder. Reitero que não sou especializada no assunto, mas eu vivi a necessidade de transplante com o meu marido (então, namorado) em 2014.

Fiz até um vídeo para começar a explicar o tema:

Isso é um resumo bem simples e sem roteiro do que é doação. Mas revendo, percebi que algumas questões ainda ficaram em aberto e quero me aprofundar um pouco mais no assunto (até para responder possíveis perguntas de vocês).

1) Cadastramento não é doação

Quando eu peço para vocês se cadastrarem como doadores de medula óssea, não quer dizer que vocês vão, imediatamente, doar. O cadastramento quer dizer apenas que você se disponibiliza a doar medula óssea caso seja compatível com alguém – em qualquer lugar no Brasil.

2) Compatibilidade e exames

Caso você seja identificado como possível doador de alguém, você passará por uma série de exames (de sangue) para ter certeza da compatibilidade. Além disso, os médicos também podem pedir um “check up” completo do doador, já que um dos meios de captação de células envolve anestesia geral. E, ainda assim, depois de feitos todos os exames, você pode decidir se quer ou não fazer a doação.

3) Não há risco para o doador

A doação, em si, não é perigosa para o doador. Ou, pelo menos, é muito raro que seja. Quando a captação é feita no centro cirúrgico, o risco existente é quanto à anestesia (por isso a bateria de exames antes). Doadores devem ter entre 18 e 55 anos. E é possível doar mais de uma vez, desde que tenha um intervalo mínimo de seis meses.

4) O doador se recupera rápido

No caso de captação no centro cirúrgico, o doador tem alta já no dia seguinte do hospital. No caso de coleta pela veia (chamada de “Aférese”), ele sequer fica internado. Quem decide a forma de coleta é o médico. Pode ser que haja leve dor no local das injeções e dor de cabeça, mas raramente passa disso. Em uma semana, o doador já pode retomar suas atividades normais e, em 15 dias, a medula está totalmente recuperada.

5) A doação e transplante acontecem em hospitais específicos

Eu sou de Foz do Iguaçu. Aqui, não há estrutura para transplante de medula óssea (TMO). Quando o Vilmar fez, tivemos que ir para Curitiba, no Hospital Erasto Gaetner. Há outros dois hospitais na capital e mais dois em Cascavel e Londrina. Você pode ver sobre todos os Centros de TMO nesse site.

6) Há custos para o doador?

Para essa pergunta, eu não quero ser categórica. Vou falar por nossa experiência: não. O plano de saúde cobriu os custos do doador. E, pela lógica, eu imagino que o SUS também cubra.

7) O transplante de medula pode não ser a solução definitiva para o paciente

Essa é a parte triste. Há casos, como o do Vilmar, que mesmo após o TMO, a doença pode voltar. Ele faria outro transplante… Isso é possível. Tem histórias de casos bem sucedidos. É por isso que temos que abranger a rede nacional… Porque, ainda que não sejamos a primeira opção, podemos ser o Plano B.

8) Mas o transplante PODE SER A SOLUÇÃO

E é nisso que temos que focar: que a doação de Medula Óssea pode salvar vidas. O TMO salvou a vida do Vilmar. Caso contrário, eu o teria perdido há anos. Eu descobri até que existe uma Olimpíadas para Transplantados (criada em 1978). Através desses jogos, não apenas a recuperação e nova vida dos pacientes é exibida, mas também a conscientização sobre ser doador (de órgãos em geral). Esse ano, a competição aconteceu em Málaga e me emocionei ao ver uma história tão parecida com a do Vil.

Se você ainda tem dúvidas sobre Transplante de Medula Óssea, recomendo muitíssimo que acesse o site do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o REDOME.

E, volto a dizer: espero que isso os ajude a pensar na ideia. A quererem se cadastrar e, caso sejam convocados, a doar – sangue, medula, órgãos. Vamos ajudar a criar esses finais felizes.

P.S: sim, o cara da foto nesse post é o Vilmar. Imagem de junho de 2017, no Hospital Ministro Costa Cavalcanti, em Foz do Iguaçu.

 

ATUALIZAÇÃO [10h00]

O Hemonúcleo de Foz do Iguaçu só faz 100 cadastros por mês e, em agosto, esse número já foi atingido. Em todo caso, setembro tá aí! O Paraná é o estado com maior número de doadores voluntários! <3

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