Dias atrás assisti o final do filme “My Girl”, estrelado por um inocente Macaulay Culkin (Thomas J. Sennett) e pela lindinha Anna Chlumsky (Vada Sultenfuss). A versão brasileira para esse título foi “Meu Primeiro Amor”. Acho que todos já assistiram o longa de 1991 em alguma Sessão da Tarde…

Mas o meu foco vai para o segundo filme, de 1994, dessa vez com Chlumsky acompanhada por Austin O’Brien ( interpretando Nick Zsigmond). O título original ficou “My Girl 2“. No Brasil, a lógica para o nome do drama foi a mesma que o americano: “Meu Primeiro Amor 2”.

Pode parecer estranho – e foi, tanto é que virou piada. “Se é o primeiro, como pode ser o dois?“. E é aí que começa, de fato, este texto.

Eu já tive um primeiro amor. E outro. E mais um depois. Acho que vivo hoje o quarto ou quinto primeiro amor. Porque nenhum é igual ao outro. Todo amor será o primeiro e único de sua linhagem. É como um por do sol, como bem exemplifica Elisa Lucinda no poema “Euteamo e suas estreias“:


“O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom:  Que dia lindo!
E é!  Porque só aquele dia lindo 
é lindo como aquele”

Todos os amores são inéditos. Ainda bem… Quem aguentaria a repetição? O amor-regrado, amor-tutorial? Esse sentimento se refaz em nós e nos outros. E a junção de suas metades será sempre novidade. O que uma ora faltava, agora, foi suprido. E o que hoje sobra, eventualmente, será na medida certa. Nunca será perfeito, mas vai ser bom suficiente para não notar os desencaixes. 

Mas, na verdade, na verdade mesmo, quem liga para números? O importante é que o amor está ali, aqui, em nós… Eu gosto é das reticências, do tempo incerto e incontável. Não me importa qual primeiro amor seja, desde que “seja infinito enquanto dure”. 

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