Esses dias entrei naquele café que costumávamos frequentar e te vi sentado no mesmo local, perto da janela, vendo o cardápio. Tive que piscar algumas vezes até a visão desaparecer e notar que foi só imaginação misturada com lembrança.

Sua presença ainda está lá, tomando suco, olhando os carros passarem e analisando o Brasileirão. “O Palmeiras vai cair se continuar desse jeito“. Lembro bem, apesar de não acompanhar muito bem a conversa por não viver futebol tão bem quanto você.

Eu estava nervosa. Eu queria segurar sua mão, fazer um carinho no seu braço, te beijar a bochecha até chegar à boca. Me aninhar em você e olhar o mundo lá fora pelo vidro, sem me importar com quem nos visse de volta.

Ver sua lembrança na janela faz com que as outras também venham à tona. Uma delas me levou de volta àquele bar, com você me pedindo para não ir embora. Nossa, como eu me vi nas suas mãos… Aquilo me excitou e eu pensei que não fosse conseguir me controlar. Você não faz ideia da força que eu precisei fazer para não te beijar (e muito) naquela hora.

Sua mão na minha nuca, dedos entrelaçando meus cabelos e seus lábios encostando no meu ouvido. “Fica por mim“, você dizia, mas eu não podia atender o seu pedido. Hoje me pergunto o que teria acontecido se eu não o tivesse resistido.  E às vezes eu gosto de imaginar a continuação da cena que não aconteceu.

Lembranças fazem isso com a gente: Atiçam uma curiosidade que jamais poderá ser morta. Ou será arrependimento? Fácil confundir um com o outro. Só sei que você me observa daquela mesa perto da janela, mais vívido do que nunca, jogando uma lembrança atrás da outra aos meus pés até elas chegarem ao meu pescoço.

E é aí que me vejo afogando em saudade, enquanto você toma mais uma xícara de café, brindando o fato não verbalizado de que eu ainda sou sua.

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