Já foi o tempo que eu fazia dever de casa… ou melhor, tarefa. Nessa mesma época, enfeitava as margens do caderno com lápis coloridos e perguntava pra “tia” se eu podia escrever de caneta.
Em casa, os trabalhos eram feitos em papel almaço, lembrando sempre de respeitar a linha vermelha e não ultrapassá-la e de nunca – nunca mesmo – escrever no verso. E para os parágrafos, o dedo era a medida exata da distância necessária.
Para estudar na época de provas, me imaginava sendo a professora e explicando para os meus alunos – quem diria que, anos mais tarde, isso realmente aconteceria. E teria, não uma, mas algumas turmas com estudantes me perguntando o que “shades” quer dizem em português.
A noite, meu pai sentava comigo para ver se estava tudo na ponta da língua ou me fazia exercícios no caso de matemática. Às vezes eu ia bem, às vezes não… O que me fazia ler a apostila mais algumas vezes.
A técnica de estudar mudou e mudou e mudou de novo. Da técnica de “professora dos alunos imaginários”, fui para os resumos, estudar em voz alta, estudar com música, fazer cola. Ah, as colas… Tinha que ter manha. Aliás, até hoje, é preciso ter a jinga para enganar o professor. No Ensino Médio, as colas já não bastavam e o segredo era ser rápido o bastante para trocar de prova com o colega sem ninguém ver. Eu fazia as de História enquanto alguém resolvia os problemas de Física por mim.
No terceiro ano, em 2006 – nossa, já faz quatro anos! – era tudo misturado. Estudos e trabalho. Tinha orgulho de não poder ir às aulas da tarde por causa do meu trabalho. De manhã, aula, de tarde, trabalho e a noite… O que eu fazia a noite naquela época? Não lembro.
Para resumir: agora, depois de quatro anos de faculdade, estou aqui… à mercê de Deus e olhando para os capítulos passados. Bate uma nostalgia e uma certa dor de saudade dos tempos que brincava na rua até tarde da noite. Ano que vem tudo vai mudar, de novo. 
Não tem mais lápis colorindo caderno – até porque nos dias de hoje, está tudo na tela do computador, e não no papel. Nem colas, troca de provas, simulados. Agora é pra valer… E que venham as novas brigas, batalhas e lutas: Eu cresci! Não há bicho papão que me faça cair.

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