O bar tinha poucos gatos pingados tentando a sorte e alguns casais se escondendo nos cantos mais escuros. O copo e os olhos já estavam vazios. Ele olhava fixamente para um ponto no balcão, sem saber o por que.

– Amigo, vai querer mais alguma coisa?

A voz o fez voltar à realidade. Percebeu que tinha um barman a sua frente, ansioso para fechar o bar e voltar para casa.

– Ahm… Me dá mais uma dose de Carolina.
– Tem certeza? Se me permite a sugestão, acho que Fernanda ia te fazer bem.
– É?
– Sim. E, sinceramente? Você já teve Carolinas demais por hoje.
– E Amanda? Tem?
– Não, está em falta.
– Puxa… Então, me dá a sua melhor dose de Gabriela.
– Cara, perdeu por pouco. Aquele ali acabou de tomar a última. Mas tem Rebeca, são bem parecidas. Quer experimentar?

Ele pensou um pouco. Sabia o que queria. Sabia de qual gosto sentia falta.

– Não. Eu vou querer a Adriana.
– Hum… Fazia tempo que você não pedia uma dessa. Velhos costumes?
– Pois é… Deu vontade.
– Sei como é. Saindo!

Enquanto o homem preparava a bebida, ele ficou ali se perguntando se
aquela teria sido boa ideia. Ele sabia que saía de si quando tinha
Adriana: Subia na mesa, fazia juras de amor, ficava ciumento. Mas ela
era tão… tão… tão certa! O paladar e todo o corpo dele se excitavam quando a bebia. Ela era encorpada na medida que ele gostava e, ainda assim, leve.

– Aqui está.


Adriana já era convidativa pelos detalhes em dourado que tinha no tom. Ele não sabia definir a cor exata, mas era linda só de ver. Por mais ansioso que estivesse, ele prorrogou o primeiro gole. Preferiu segurá-la por um momento e admirá-la. Sentir o cheiro. Ah, o cheiro… Esse perfume lhe causava êxtase.

Passados esses minutos, tomou. Bebericou. Brincou com ela na boca. Saboreou como há tempos não fazia. Aquele copo demorou para ser esvaziado. E, quando enfim acabou, ele queria mais. Tentou conversar com o barman, mas já não era mais possível – o bar estava fechado.

– Então, amanhã eu volto. E, faz um favor? – Alcançou uma nota escondida entre os dedos para o homem do outro lado do balcão – Não deixa ninguém tomá-la. Essa é minha. E eu quero me embebedar todas as noites dela. 
– Combinado, patrão.

E saiu assoviando pela rua, gritando amor a plenos pulmões, sentindo Adriana ainda fresca no hálito e pulsando nas veias.

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